quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Dança


Se um dia me perguntarem o que mais me faz falta nessa vida de estudante, eu insistentemente responderei: A dança.

Dentre tudo o que tive que abrir mão, dentre as distâncias que tive que suportar, a mais doída, a que não teve volta, foi a dança. Quando eu encontrei como relaxar as angústias, como esquecer o mundo, ouvir meu corpo, sentir a música... Quando descobri que meus limites de movimento não eram os verdadeiros, quando comecei a explorar tudo o que poderia fazer e não sabia, eu disse adeus...

Nunca fui muito fã de esportes, nunca fiz ballet. Queria fazer jazz ou sapateado, mas nunca cheguei perto de aprender os movimentos. Quando descobri a dança do ventre, me encontrei. Talvez porque aprendi a dança com seu verdadeiro propósito: Homenagear uma deusa, despertar a deusa que há em você, e não usar o corpo para seduzir por simplesmente conseguir deslocar mais os quadris do que numa outra dança qualquer.

Hoje não posso voltar a dançar. Não há lugares (decentes) aqui onde estou. Não tenho como fazer a dança aos finais de semana, já que nem sempre volto à minha cidade.

Vejo as fotos, vejo vídeos, vejo roupas...

E sempre sonho com o dia em que voltarei a dançar, que terei meu cantinho no guarda-roupa com roupas de dança, com véus e adornos...

Um dia tão distante, eu sei, mas um dia que virá. É minha certeza.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A Lua...



Era fim de tarde, durante aquela hora crepuscular em que o sol agoniza, luta e desafia a escuridão, mas não consegue vencer a força da noite. O azul do céu era denso, forte, mas ainda alaranjado com os gritos de sol.

Na imensidão de cores, no mar azul-negro do céu, nuvens claras e sombreadas tomavam espaço, ganhavam formas curtas e esparsas, tilintando o véu com pontos claros no fim da tarde. O sol brilhava naquela água suspensa, destacava aquele acúmulo de gotículas, como uma pintura ilusionista, realçando o relevo, mas mascarando os limites.

Não era o anoitecer mais belo. Era triste. As cores eram tristes. Os arranjos eram tristes. Os tons alternavam de azul para cinza e depois para ocre, numa constância nauseante e imutável.

Mas ali, logo ali no horizonte, por trás de um filete grafite de nuvens, iluminava o céu a lua esplêndida. Diante de toda aquela natureza morta que tomava o céu da tarde, destacava-se ao longe, grande e majestosa, a lua. Era a luz. Era uma bola no céu, harmonizando o momento. Uma esfera amarela reluzente, quase branca, vibrando por trás das nuvens cinzas, num céu azul-negro.

Lua cheia. Aquela lua em que se podem ver as manchas, e imaginar como seria estar naquela gravidade suave, naquele terreno inóspito. A lua em que se vêem coelhos, feições, borrões. A lua que parece maior que o céu.

Era a harmonia da noite.

Derrotou o sol.

Tomou a noite.

A lua...

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"Mente quem diz que a lua é velha
Mente quem diz..."