segunda-feira, 5 de abril de 2010

Geração "Coca-Cola" ZERO!

Podem me chamar de neurótica, porque eu sei que sou mesmo – principalmente quando se trata de língua portuguesa. Se existe algo que me tira do sério é gente que não sabe falar ou escrever corretamente, mas quer ficar formando algazarra para conseguir alguma coisa.

Há alguns dias, estava eu passeando por uma comunidade no Orkut, quando vejo um povo reivindicando áreas de lazer para a cidade onde meus pais moram – minha ex-cidade, praticamente. Este era o post inicial do indivíduo:

meuuu Deuus manoow. tudo q nois ké é uma *área de lazer* descente em *cidade X* !

senhor sera q ninguem pensa em nois *esportistas* ? D:

-akela pista do *clube* lamentavel anda nela manow da até disgosto de vee manow ¬¬

agente pedii pedii peddiii e seis so fala q vai faze e blabla mais até agora nao vi nada

algueeeem ai da prefeitura sei la .. toma vergonha na cara e poim esse bando de gente q so fika coçano pa trabalha e faze uma pista descente paaa nois :x

Eu, ÓBVIO, fiquei com comichão ao ler essas atrocidades: Primeiro foi um sacrifício entender o dialeto da criatura, porque isso aí não é português nem aqui, nem na China - mas me segurei, até que alguns membros da comunidade começaram a caçoar o dialeto “manow-ense” do povo. Não perdi a oportunidade, é claro, de fazer as minhas correções.

No dialeto da nova geração, não existe mais o pronome “nós”. Ele foi substituído por um “nois” – porque a preguiça de apertar um acento é tão grande, que é mais fácil partir para o neologismo.

Concordância verbal então é algo que não pertence mais à língua portuguesa. Conjugar verbos nos tempos e pessoas certos é algo tão impossível de se ler quanto o texto acima.

Quando li o “poim”, quase caí de costas. Nunca vi uma onomatopéia virar verbo antes. Desculpem-me o palavreado, mas... PUTA MERDA, “MANOW”! Escrever “Poim” em vez de “põe” é de matar!

Por fim, vejo que o povo quer uma pista de Skate “deScente” – o que realmente chega a me deixar confusa, porque, para mim, todas as pistas de skates têm descidas e subidas. DeScente está a educação desses pirralhos, isso sim!

Enfim, como era esperado, depois de eu lavar a alma e postar todas as ironias quanto ao português dos “manows”, recebi muitas críticas, porque o povinho acha que educação e pedidos de coisas para a cidade deveriam ser em tópicos separados. Obviamente, o nível do tópico deSceu, porque os pirralhos da nova geração criticaram-nos por rirmos do português bizarro deles. Uns se ofenderam e defenderam a causa, dizendo que não era a ocasião, outros me mandaram para aquele lugar – mas pelo menos não colocaram acento onde não tem (é a preguiça de achar o acento no teclado, eu sei...).

Por fim, perguntei àquelas pessoas como eles pretendiam reivindicar uma área de lazer na cidade, se nem saber redigir uma carta eles sabiam – afinal de contas, se uma carta for enviada à prefeitura escrita da forma como o ser escreveu o post acima, provavelmente iriam achar que era um atentado terrorista, de tanta anormalidade em tão poucas linhas.

Tristemente, cheguei à conclusão do que nunca tive dúvidas: 1) A nova geração está, sim, perdida; 2) Manos e afins não têm educação, e acham que mesmo para serem manés na sociedade, não precisam saber escrever em português.

Mas ainda quero ver o futuro dessa nação que acha que ser ou se fazer de ignorante tem mais valia que saber alguma coisa. Viva o Brasil.


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Os termos entre "asterísticos" foram modificados para eu não me envergonhar tanto da minha cidade.

3 comentários:

  1. Esta é minha filha!!!!! Parabéns pelo comentário!! Você escreveu tudo aquilo que eu gotaria de falar para esses pirralhos que não dão valor à Lingua Portuguesa!!!

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  2. A tal "educação deScente" está espalhada pelo país inteiro. Dá mais pena que vergonha.

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  3. Eu já parei de ser daqueles que vivem corrigindo diretamente. Agora eu simplesmente me contento - e até funciona bem - em escrever corretamente, quando faço citações, eu corrijo o post da pessoa, tento fazer a pessoa corrigir a si mesma se quiser manter o mesmo nível de conversa. Também é mais divertido ver se ela se toca que eu faço isso.

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