quarta-feira, 28 de abril de 2010

Prisão

Eu nasci pra voar, meu corpo é assim. As asas belas e fortes estão em mim para me levar sobre o ar. Meu canto já não é mais o meu charme, é a solidão, mas é a única companhia que me resta.

Quando eu nasci, meu mundo se resumiu a essa pequena jaula, que chamam de gaiola. Meus passos não podem ser quatro vezes maiores que meu corpo, minhas asas mal podem se esticar para sentir o vento. Quando eu tento voar, bato contra a grade.

A comida farta não me satisfaz. Eu sou a solidão em amarelo. Minhas belas penas já não encantam mais os olhos dos outros como eu, mas só os dos homens, que me prenderam eternamente nesta vida. Meu canto, alto, é minha agonia enjaulada, como eu. Canto porque é o que resta de mim. A música é minha única companheira nessa solidão.


Piu

2 comentários:

  1. O povo acha que só se canta quando está feliz. Às vezes, o canto é de tristeza.

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  2. Lindo poema! isso me fez lembrar dos cantos de lamentos dos negros trabalhando na colheita de algodão do sul dos Estados Unidos ... Blues total...!

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