quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tristeza dos olhos seus...

Em um fim de tarde, quando o sol está laranja e baixo no céu, anunciando a todos os pássaros que logo irá iluminar o outro lado do mundo, eu estava ali, encostada em uma árvore grande e vistosa, de frente para o lago do parque, vendo como as pessoas andavam em volta daquele monte de água, e como os cachorros se divertiam com o ar da liberdade. Passar os fins de tarde ali era quase rotina, pois o silêncio e a paz eram reconfortantes e restauravam minha calma. Às vezes eu cruzava minhas pernas, como se estivesse meditando, fechava os olhos e parava para sentir o vento, o ar, os cheiros, e tentar ouvir pássaros cantando suas últimas canções antes do anoitecer.

Foi em um dia como outro qualquer que ele passou por mim. Eu estava sentada abaixo da árvore, olhando como todos se moviam, e ele passou caminhando logo à minha frente. Muitas pessoas passavam por mim ali, mas nenhuma delas me chamara tanto a atenção como ele. Era belo, alto, com um corpo atlético e... olhos tristes. Seu caminhar era pesaroso, as mãos nos bolsos da calça e a cabeça caída não pertenciam ao conjunto.

Fiquei olhando para ele, sem perceber que estava até sendo mal-educada em encarar tanto alguém daquela forma. Ele olhou de volta, e seus olhos pesados encontraram os meus. Meus olhos curiosos e ternos tentavam de alguma forma consolar o rapaz, e os dele, tristes e sem vida, gritavam uma agonia agonizante.

Os poucos segundos que nossos olhos se encontraram pareceram horas de conversa, e eu sentia cada vez mais uma ternura inexplicável por aquele homem triste que sombreava meus pés. Ele continuou olhando, como se pudesse tirar de si algum peso da alma e passá-lo a mim, aliviando-se da dor. Continuou caminhando, e com muito esforço, esboçou um leve sorriso nos lábios. Eu tentei sorrir, não consegui, estava sofrendo por ele.

Ele, então, fechou os olhos, virou a cabeça para frente novamente, apagou o leve sorriso que, com muito sofrimento, havia colocado em seu rosto e se foi.

Um comentário:

  1. Triste é ver como a tristeza, às vezes, está tão além da consolação. A gente se sente impotente.

    Lindo conto, Helô. Bjs!

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