quarta-feira, 28 de julho de 2010

Reflexão

Já havia horas que eu estava ali, debruçada na janela, observando o tempo passar. Com os braços cruzados no peitoral e o queixo apoiado nas mãos, já vira a lua deixar de ser grande e imponente no horizonte, para se tornar clara e amena no topo do céu; Já vira carros passarem às pressas, provavelmente ansiando por chegar à tão esperada casa; Já vira mulheres segurando as mãos de seus filhos, carregando mochilas, provavelmente ouvindo tudo o que acontecera na escola... Vira o movimento diminuir, as luzes da cidade se acenderem. Ouvira os morcegos com seus gritinhos agudos e curtos, as corujas piando e avisando os desatentos que passar por ali era perigoso.

As horas corridas no relógio, o vento chacoalhando as cortinas da janela. Tudo passara, enquanto eu observava o mundo e me perdia em pensamentos desconexos. Por que deixara tudo acontecer? Por que fora tão covarde? Por que apostara em uma batalha perdida?

As respostas não vieram, só as perguntas. As dúvidas atormentaram minha mente. Eu pude ouvir milhões de vozes me questionando, senti meu instinto enlouquecendo. As respostas nunca iriam vir fáceis assim.

Chega!

Levantei o rosto, respirei fundo. Fechei a janela.

A vida continua e o tempo não para.

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