sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu não sigo os clássicos...



Eu sempre fui muito crítica a qualquer coisa, desde pequena. Fiz minha mãe passar maus bocados por falar tudo o que pensava. Criança é sincera, fazer o quê?

Lembro que quando eu estava na terceira série, uma professora minha mandou a turma ler “O pequeno príncipe”. Eu li. Odiei. Não gostei do livro porque achei completamente sem nexo, sem pé nem cabeça. Todo mundo falava que o livro era bom, e pra mim ela era péssimo!

Em uma discussão em sala sobre o livro, a professora veio me perguntar o que eu tinha achado do livro. Eu disse que não tinha gostado, que tinha achado o livro chato. Ela ficou indignada, perguntou como eu podia dizer algo assim sobre uma das “melhores obras internacionais de todos os tempos”. Eu simplesmente disse que não gostei. Após minha declaração suicida, a classe começou a se manifestar, dizendo que também não tinha gostado do livro, e lembro até hoje que aquela infeliz daquela professora disse à minha mãe na reunião bimestral que eu tinha influenciado a classe a se voltar contra a história. Naquele dia, eu descobri que tinha poderes paranormais, então.

Na prova referente ao livro, a professora fez uma pergunta pessoal que me lembro até hoje (mesmo depois de quase 15 anos): “Você gostou do livro? Recomendaria para um adulto?” – Eu, obviamente, disse que não tinha gostado e não tinha gostado da história, e não recomendaria a ninguém. Ela zerou minha questão pessoal.

Aconteceu a mesma coisa com “A hora da estrela”, mas isso quando eu já estava no ensino médio. A única diferença é que eu achei a história sem graça. No entanto, reli o livro um tempo depois, pros vestibulares da vida, e mudei completamente minha opinião. Descobri que Clarice Lispector era fantástica, e o livro era muito mais filosófico do que eu pensava.

Sei que nunca fui de ir na onda daqueles que idolatram a literatura que todos lêem. Nunca fui fã número um de Machado, odiei Macunaíma, tive minhas encrencas com Clarice e abominei Antoine de Saint-Exupéry. Talvez hoje eu devesse reler o livro do menino que falava de baobás e achava que uma cobra poderia engolir um elefante, mas acho que peguei tanta birra daquela professora que não soube respeitar minha opinião e me deu zero em uma pergunta pessoal, que tenho aversão ao livro por me lembrar dela.

É. Eu não sou fácil.


5 comentários:

  1. Corajoso!

    Também acho Exupery um pouco superestimado. É bonito. Mas acho que ele é muito mal usado hoje em dia. Não aguento mais ouvir aquela frase do que você cultiva, você colhe a minha pica.

    Corajoso, Helô!

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  2. Adoro clássicos brasileiros. Hoje. Comecei a ler conforme me sentia preparada. Eu me conheço, sei que odeio fazer coisas por obrigação e ia engolir os livros sem apreciá-los, verde demais para conseguir entendê-los, e acabaria estragando um ótimo livro lendo-o na afobação do vestibular. Não li nenhum nessa época. Hoje, sou fã incondicional de Machado de Assis.

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  3. No final, parece que a professora acabou influenciando bastante a sua opinião (não do jeito que ela queria). Já li alguns clássicos e não gostei (O Cortiço, só pra exemplificar), e outros que só gostei da segunda vez que li (Dom Casmurro). Realmente é impressionante como um livro é capaz de ser lido de formas tão diferentes por uma mesma pessoa.

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  4. Lo! Você não me fez pagar mico nenhum ... confesso que nunca fui fã do Pequeno Príncipe. Lembro-me que a proessora disse que eu tinha te influenciado, porque falei pra ela que também não tinha gostado do tal livro. mas enfim ... literatura é como médcos ... alguns gostam outros odeiam ... E assim ...caminha a humanidade (rsrsrs)
    Mamis!

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  5. Li seu texto e abracei a sua causa! posso te dizer o mesmo que sinto em relação a "padrões" como por exemplo não gostar de pink floyd, achar rolling stones, elvis, david bowie entre outros uma chatice só, creio que não seja uma questão de "bom gosto" é uma questão que não te cativa , não te atrai da maneira que atrai outras pessoas! viva a diversidade!!!

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