terça-feira, 9 de novembro de 2010

Uma crítica aos musicais brasileiros...

Teatro Abril - SP

Que sou apaixonada por música e musicais, todos sabem. E sabem também que infelizmente não pude ir a muitas peças – São Paulo é mais cara do que longe, e os precinhos dos teatros também são salgadinhos – embora compensem.

De qualquer forma, fico feliz em ver que, principalmente depois de “O Fantasma da Ópera”, o cenário musical dos teatros paulistanos tenha dividido coxias com orquestras.

Devo admitir que quando fui ver “O Fantasma”, fui com um pé atrás. Primeiro porque nunca havia ido a um musical, e segundo porque temia a tradução das letras. Encontrar uma adaptação tão perfeita e fiel às partituras originais foi uma grande emoção. Não sabia que existiam letristas tão bom no Brasil.

Hoje, mudei minha opinião sobre os musicais serem no idioma original. Depois que se assiste a um musical adaptado, não há como conceber a idéia de se fazer um musical em inglês ou francês ou qualquer outra língua. Um musical em português transporta o público para dentro da história, e você, ali sentado na platéia, consegue viver a história sem precisar se preocupar em entender sotaques ou idiomas estranhos.

No entanto, com tantas adaptações, ainda vejo um grande defeito nas obras “brasileiras”. Um pecado sem perdão, eu diria: Não comercializar as canções adaptadas para os musicais. Acho um absurdo não venderem CD’s com as músicas em português – é como se deixassem a história morrer depois que termina a temporada do musical. Por mais que você ame uma peça adaptada, ela se perde quando você não pode mais ouvir as músicas que a entoaram – e você volta então a ouvir no idioma original (geralmente em inglês), para manter consigo pelo menos a história.

Notei este pecado quando fui ver “O Fantasma”, vi que ele se repetiu em “Cats” e sinto que ele permanecerá em “Mamma Mia!”.

Poxa vida, pessoal que organiza os musicais brasileiros: Não nos deixem novamente sem a trilha sonora do musical depois que ele acabar! As músicas ficam lindas, as adaptações, perfeitas. Por que vocês não comercializam um álbum com as canções?

Eu sei que “Mamma Mia!” já foi gravado em outros idiomas – como espanhol. Vocês acham que o povo brasileiro também não tem sede dessas músicas? Acham que nós não queremos relembrar a história para sempre, e cantar as canções toda vez que bater uma saudade?

Por favor, produção! Não pequem novamente. Façam como o pessoal da “Noviça Rebelde”, que disponibilizou o áudio do musical: FAÇAM UMA VERSÃO DE ESTÚDIO DE MAMMA MIA! - E aproveitem e gravem uma do fantasma também. Muitas chorariam novamente pelo fantasma. Eu adoraria reviver aquela história de amor que não pôde dar certo.

E lembrem-se: Sim, nós compraremos o CD. Só tenham um mínimo de noção quando forem dar um preço a ele.

PS* Para mim, o Teatro Abril é o centro de musicais do Brasil (embora não o único), por isso ilustro esse post com uma foto da fachada do teatro.

6 comentários:

  1. Concordo em gênero, número, degrau e o que mais houver.

    Acho um absurdo não termos uma versão do Fantasma em português como a Original London Cast de 86, com a peça inteira (sem algumas falas só).

    O máximo que eu tenho (que o Saulo não nos escute) é uma gravação caseira do musical inteiro do Fantasma. É legal, e só prova que merecia uma gravação profissa.

    Uma pena.

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  2. Bom, pessoalmente não gosto das versões das músicas. Acho que se perde mais que se ganha na tradução, mesmo que seja importante para o entendimento do espetáculo ao público brasileiro. Acho legal, mas não bonito.

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  3. Traduções sempre são problemáticas, você acaba perdendo alguma coisa. Quando se trata de música e poesia a situação só piora. Quando você é capaz de entender a música original, se você já é familiarizado com a música, uma versão soa estranha, e a primeira impressão é de que não está bom. Mesmo assim acho que as versões em português dos musicais que assisti ficaram muito boas, e concordo que seriam muito bem-vindos cds com essas versões.

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  6. Sobre a divulgação dos musicais em CD, DVD e outras mídias, entra um problema muito sério, a falta de interesse de grandes gravadoras, e veiculos de mídia que divulgariam esse produto pelo produto, infelizmente musica boa no Brasil sempre são taxadas de obras não comerciais que é uma pena,até quando vai ser assim? não sei, mas ainda acredito que daremos a volta por cima!

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