quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desabafo de uma celíaca: Parte 04.

Acho que nunca comi tão bem em minha vida. – O que a falta de opção não faz, né? Frutas, verduras, sucos... Tudo para não comer macarrão, pão ou tomar refrigerante.

Estou me sentindo bem com isso tudo. Ando cozinhando e inventando comidas, aprimorando receitas e testando coisas novas. Fiz panetone, faço pães (êêê! Parei de comprar pães!!!) e não uso mais nenhum temperinho gostosinho que deixa a comida saborosa. Mas não faz falta.

Só ando frustrada com a quantidade de coisas que não eram pra ter glúten e tem. E com a quantidade de empresas que estão se convertendo para o mal, preferindo colocar que tem glúten numa embalagem a diminuir a contaminação cruzada dos alimentos que produz.

Hoje li uma tese de um rapaz lá da USP, e a pesquisa dele foi sobre quantidade de glúten nos alimentos que, teoricamente, seriam glúten free naturalmente, nos alimentos sem glúten industrializados e nos alimentos com glúten. Os resultados dele mostraram que os alimentos sem glúten (industrializados E naturais) tem contaminação da bendita/maldita proteína. 

Pra não entrar em depressão, o pensamento do meu professor me consola: Tese sem publicação (em artigo científico) não tem validade no âmbito de pesquisa mundial. Logo, não vi nenhum anexo de artigo na tese do rapaz, e não entrei no PubMed pra procurar o nome dele. Mas o cara é da USP, deve ter publicado algo...

Enfim! Sei que cansei dessa vida de preocupações. Sei que tenho a doença, e não vou voltar a comer coisas que sei que tem glúten. Mas eu não posso parar de viver toda vez que for comprar um saco de farinha e pensar “uhnn... Quanto de glúten será que tem nesse lote?”. Eu não passo mal com as coisas que compro e que tem um teor significante de glúten, e sei que vou morrer algum dia. Logo, não vou ficar me preocupando se vou morrer de câncer no intestino, no estômago, se vai ser infarto, aneurisma ou falência múltipla dos órgãos. Essa vida aqui na Terra acaba uma hora, e não me considero suicida por comer alimentos que contenham mais de 6ppm de glúten.

Agora o negócio é o natal. Vou fornecer panetone pra família toda, vou fazer bolo e proibir qualquer um de usar farinha de rosca, caldos Knorr ou qualquer outra coisa que tenha glúten.

Primeiro (de muitos, espero) natal glúten free, aqui vamos nós!

2 comentários:

  1. hahahaha poxa, que interessante! Eu tenho uma alimentação super errada, regada a gordura e, sem dúvida, muito gluten. De família mineira, não dispenso uma boa farofa, ainda mais com farinha de milho e de rosca. Fazer esses cortes pra mim é o maior sacrifício! Mas qualquer hora é capaz que eu precise.

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  2. Deixar de viver é que não dá, né? Nem de comer. Acho massa que estejas comendo bem, finalmente.

    Beijos, etê!

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