sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desabafo de uma celíaca: Parte 05.

Não queria que meu último post de fosse um esporro, mas depois de hoje, vai ser!

Estou do saco cheio dessa doença! E não é pela “dificuldade” de lidar com ela em si, mas pela falta de paciência de lidar com as pessoas que fingem não entender a minha condição! Não entendo a dificuldade de você falar uma vez “eu não posso comer glúten”, e a pessoa virar pra você e perguntar “mas nem um pedacinho??”.

Não, eu não posso comer NEM UM PEDACINHO! E isso não me incomoda. O que me incomoda é todo mundo olhando pra mim, com carinha de dó, como se eu fosse uma coitadinha por não poder comer a porcaria do glúten. Dá licença?! Eu não me importo com isso, e pra mim é muito fácil “fugir” das tentações, mas o incômodo das pessoas me irrita profundamente.

Entendo que todos querem agradar, perguntando uma lista de coisas que poderiam oferecer pra eu comer, mas minha vontade é de dizer: Não me ofereça NADA! Eu já comi. PONTO.

Festas em família tem se tornado um martírio por causa disso. Eu vou ciente de que tudo vai ter glúten: Salgadinhos, milhares de coisas temperadas com sazon, caldos knorr e bla bla bla. Mas as pessoas sentem uma necessidade de sempre perguntar se eu não posso comer, como se de uma semana para a outra a minha doença tivesse se extinguido.

E o pior ainda não é isso. É chegar uma pessoa totalmente próxima a você – aquela que sabe de tudo da sua doença, a que mais deveria compreender a sua situação e a que mais deveria apoiar a sua fidelidade à dieta – e dizer que você está levando essa história de glúten a sério demais, que é tudo coisa da sua cabeça!

Entendam, estou puta! Maldita hora que soube que celíaca eu só terei certeza de que sou se fizer a merda da biópsia. Eu sei que SOU INTOLERANTE ao glúten, e que se comer vou passar mal, sendo celíaca ou não – mas é decepcionante você ouvir sua mãe virar para você e dizer que o excesso de cuidado é neurose. DEPOIS DE UM ANO LUTANDO CONTRA ESSA DROGA DESSA PROTEÍNA!!!

Perdi totalmente o desejo de festejar em família. Simplesmente perdi. Sinto falta do meu cantinho em Botucatu, onde eu como tudo o que sei que posso e não tem ninguém metendo o bedelho na minha alimentação, nem me criticando por achar que minha doença é psicológica.

Como eu já disse uma vez: Essa droga dessa doença ACABOU com a pouca vida social que eu tinha. Eu perco a vontade de sair só por pensar que vou ter que explicar e re-explicar tudo de novo pra alguém quando não pedir uma batata frita porque ela foi frita no mesmo óleo que algo empanado. Eu perco a vontade de comer fora de casa pelo mesmo motivo. E eu perco a paciência com o deboche que os outros fazem da minha rigidez à dieta. Não, pessoal – EU NÃO POSSO COMER NEM UM POUQUINHO, NEM UMA MORDIDINHA, NEM NADA! Eu poderia comer 20ppm de glúten – e você tem noção de que isso significa 20 MILIGRAMAS de glúten em UM QUILOGRAMA de alimento? Pois é!

Um ano depois, e não sabem respeitar minha doença. E me criticam porque eu a respeito. Eu mereço. 

#Feliz_2011

4 comentários:

  1. Se até uma alergia, que o povo entende mais fácil, eles acham que é frescura, imagina uma doença que te priva de muito mais coisa.

    Mas, com o tempo, as coisas vão ficando mais fáceis, o povo se acostuma. Um ano não é tanto tempo assim.

    Beijos e feliz ano novo, etê. A gente se vê em março!

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  2. Você passou a maior parte da sua vida comendo essas coisas, Helo. E foi um tanto repentina a forma como você teve que parar.

    Quando estamos em grupo, a forma como pensamos é diferente, é comum esquecermos que algo com o que estávamos tão acostumados mudou.

    Dê mais um tempo, as pessoas vão acabar desistindo de te oferecer essas coisas se você sempre negar. Ninguém gosta de receber um não na cara tantas vezes por causa da mesma coisa. Família que é um pouco mais tolerante quanto a isso :P

    Que o próximo ano seja melhor que esse!
    Beijoos!

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  3. OI Heloísa.. pelo jeito vc estuda em Botucas. Eu me formei lá em 2000. Sou celíaca há 4 anos e concordo com 100% do que vc falou... to adorando seu blog

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  4. Helo,
    compreendo o seu desabafo. Eu até acho que as pessoas familiares nos oferecem por uma questão de negação. Te oferecem como se falassem pra si próprios: "É genética, mas eu não tenho". Ou ora com a própria dificuldade de lidar com o limite.
    "Você comeu a vida toda e agora está com isto..."
    As pessoas têm dificuldade de entender que o copo encheu. Não cabe mais e não pode usar o "cheque especial".
    Se serve de consolo, amiga. Você não está sozinha.

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