quarta-feira, 28 de abril de 2010

Prisão

Eu nasci pra voar, meu corpo é assim. As asas belas e fortes estão em mim para me levar sobre o ar. Meu canto já não é mais o meu charme, é a solidão, mas é a única companhia que me resta.

Quando eu nasci, meu mundo se resumiu a essa pequena jaula, que chamam de gaiola. Meus passos não podem ser quatro vezes maiores que meu corpo, minhas asas mal podem se esticar para sentir o vento. Quando eu tento voar, bato contra a grade.

A comida farta não me satisfaz. Eu sou a solidão em amarelo. Minhas belas penas já não encantam mais os olhos dos outros como eu, mas só os dos homens, que me prenderam eternamente nesta vida. Meu canto, alto, é minha agonia enjaulada, como eu. Canto porque é o que resta de mim. A música é minha única companheira nessa solidão.


Piu

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Glee-zarro


Após assistir à primeira metade da temporada de “Glee”, já me sinto sufocada por não ter feito, ainda, críticas e elogios à série. Aqui vou eu:

Como gosto muito de música e histórias, quando soube sobre a série-musical que iria começar na Fox, fiquei extremamente feliz, pensando que finalmente tinham criado um mix de música e atuação digno de se ver na televisão.

Nos primeiros capítulos, fui me interessando pelas músicas, e comecei a notar que a história era um tanto quanto inconstante. Digo isso porque os personagens não tem um caráter exatamente definido: Finn e Rachel – os protagonistas, mudam as idéias e as maneiras de pensar como trocam de roupa, e isso é pecar demais na construção de uma história para mim. Cada episódio é uma personalidade diferente, como se os personagens fossem marionetes da seleção de músicas escolhidas para os episódios.

Rachel é cheia de fazer micagens enquanto encena ou canta – é teatral demais – e eu, sinceramente, acho que isto também não combina com seriados de tevê.

A burrice ou ignorância dos personagens também me estressa um pouco. Nunca engoli a história patética de um garoto acreditar que pode engravidar uma menina porque nadou com ela em uma piscina. Perae, isso já é abusar da minha boa vontade de querer tentar gostar do seriado, né?!

Não bastasse isso, a história em si é extremamente infantil. Se você deixar de ouvir as músicas e partir para analisar o enredo, você desiste na hora. Quando há história, é sempre a mesma ladainha de um personagem querendo causar ciúme no outro ou acabar com o rival – coisas bem adolescentes, à lá malhação.

Mas então você começa a prestar a atenção nas músicas. Quando eu já havia desistido de me interessar pela história mal-formulada de Glee, eu comecei a ouvir as músicas e reparar que as vozes tinham todas um “quê” de igual. Comecei a ver vídeos deles ao vivo e perceber que eles cantavam bem demais...

Não duvido de que Rachel tenha o alcance vocal dela, mas Finn tem uma voz ruim de dar pena. Fui ver um vídeo ao vivo deles e descobri que era playback, e fiquei extremamente frustrada (porque você nunca espera que um cantor que você gosta use playback em apresentações ao vivo). Reparei que em todas as músicas há edição de vozes... E é aí que eu queria matar o infeliz que criou um programa para editar vozes de cantores! Eu ainda sou daquelas à moda antiga, sabe? Cantor bom tem que cantar bem ao vivo! Se for uma droga ao vivo, pra mim, não presta – mesmo que o álbum seja bom.

Já me frustrei com Katy Perry, que canta maaaaaal ao vivo; Com Black Eyed Peas, que consegue ser pior; Com Alicia Keyes, que todos acham que é A cantora, e ao vivo é uma negação... Cláudia Leite, no começo de carreira também era uma coitada. Mariah Carey já nem está mais no meu conceito de artista.

Juro que comecei a ver Glee gostando de Glee, gente. Apesar das edições absurdas que eles fazem nas vozes do povo, eu até gosto das versões-karaokê que eles fazem das músicas... Mas eu acho que a fantasia da história e a falta de personagens com personalidade estão me fazendo desistir da série, porque nem das músicas mais eu estou conseguindo gostar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A necessidade de criticar...

No meu último post, recebi um comentário anônimo, de alguém revoltado com a vida, que me chamou de ignorante. Disse-me que sou ignorante como todos os religiosos, porque creio em deus, e o fulaninho ainda completou, dizendo que ele não se enquadrava na mesma categoria que nós, cristãos, porque hoje era ateu e acreditava somente na ciência.

Bem, caro amigo, devo lhe dizer que existem vários tipos de ignorância: Existe a cegueira ao que é alheio, e aí encontra-se a ignorância em aceitar ou deixar de aceitar a crença de outras pessoas; Existe a ignorância religiosa, em que a pessoa acredita que deus só salvará determinados tipos de religião, ou que deus não existe e a ciência e a lógica regem o mundo; Existe a ignorância inata ao ser humano, já que todos nós somos burros demais em algum aspecto, e inteligentes em outros. Existe também a ignorância de espírito – e essa, infelizmente, acho que é onde você se enquadra.

Digo isso, primeiro, porque você se enquadra em todas as outras classificações de ignorância: Pode não crer em deus, mas por se dizer ateu acha que tem a opinião certa sobre o mundo, por só acreditar na ciência. É a sua opção viver assim, e são problemas seus, não meus, as escolhas religiosas que você faz ou deixa de fazer. Além disso, você tem a covardia de não se identificar ao fazer uma crítica. Isso passa de ignorância e chega a ser pequenez, pois só pessoas pequenas têm medo de dizer o que pensam e de mostrar a cara quando o fazem. Você se acha muito corajoso a ponto de criticar o meu ponto de vista, mesmo não tendo coragem de dizer quem você é?

Eu não sou militar, não sou nazista, muito menos comunista a ponto de lhe recriminar por você expressar a sua opinião, porque sei que o mundo nunca vai concordar com tudo o que faço ou penso. Sei que o mundo é repleto de pessoas diferentes, e sei que a humanidade só é ignorante como é por não saber aceitar as diferenças entre sua própria raça.

Agora, posso não repreender ninguém por essa pessoa se mostrar (in)diferente a mim, mas reprovo, sim senhor, a covardia das pessoas que sentem prazer em criticar a atitude dos outros, mas sequer são dignas o suficiente a ponto de se identificarem ao fazer a crítica. É muito fácil criticar o trabalho dos outros quando não se tem a capacidade de fazer o mesmo – e isto vemos diariamente com cantores, principalmente. É fácil criticar a educação, quando não se tem educação, porque é muito fácil falar mal de algo que não temos noção do que é.

Caro anônimo, eu sei sobre as minhas crenças, sobre a minha religião e sei sobre ciência. Meus pensamentos entram sim em conflito constantemente, mas eu sigo o equilíbrio natural, e não pendo para um lado da balança quando se trata de assuntos divisores de nações. Já que você pensa assim, em vez de me chamar de ignorante, por que não tenta me explicar o que o faz ser assim? Tente! Eu adoro ouvir as idéias dos outros, e não me ofendo por você acreditar ou não em algo.

Agora, querido, não venha me criticar em minha própria casa sem ter a coragem de dizer quem é, porque um anônimo, pra mim, é um qualquer, é um ninguém perdido pelo mundo. É aquela pessoa que permanece estagnada no tempo, por ter medo de se manifestar. Se você pensa diferente de mim, explique-me o porquê, em vez de partir para a ignorância. Pense em como você é ignorante ao me chamar de ignorante, principalmente porque o seu critério de comparação foi você mesmo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Oi, eu sou espírita... Ei! Volta aqui!!



Engraçado que desde criancinha (sempre fui espírita), eu ouço crentes, católicos, evangélicos e testemunhas de Jeová dizendo que espiritismo é coisa do demônio. Mais engraçado ainda é que já usei a desculpa de ser espírita pra fugir de muitos daqueles desocupados religiosos de domingo que batem à sua porta e começam a pregar, como se a única religião boa do mundo fosse a deles. Odeio crentes.

Odeio, na verdade, a ignorância suprema desse povo que diz ter medo de espírito, mas acredita em alma e salvação no dia do juízo final. Odeio o povo que acha que Deus – teoricamente perfeito, justo e bondoso, sem preconceitos, etc etc etc – vai salvar somente aqueles que aprenderam uma única doutrina.

Quer saber? Eu acho que deus tá “cagando e andando” pra religião que você segue, porque não adianta nada ficar a semana inteira pregando na igreja e ser hipócrita e preconceituoso ao ponto de abominar uma outra religião.

Ainda mais agora que a lebre saiu da toca, porque lançaram o filme do Chico Xavier, como você vê o preconceito das pessoas estampado na cara: O medo de sair possuído do cinema, o medo de encontrar um espírita ou de entrar em um centro espírita... Amigo, deixa eu te falar: Os espíritos estão pouco se lixando pra você. Alguns devem ter pena da sua incapacidade moral de aceitar a religião dos outros; outros devem rir da sua ignorância... Muitos sequer se importam – eu sou um deles (exceto no momento que escrevo esse texto – todo mundo precisa desabafar).

Li agora há a pouco no twitter que o digníssimo jogador de futebol Robinho se recusou a distribuir ovos de Páscoa em um centro espírita – sequer saiu do ônibus. Por que o medo, ô mané? Medo de ver espírito? Medo de ser convertido automaticamente ao pisar em um centro espírita? Se liga, Robinho! Você é tão ridículo que os espíritos nem teriam o trabalho de chegar perto de você – pelo menos não os espíritos que ficam em um centro espírita.

Sei lá, acho de extrema hipocrisia o povo acreditar em milagres impossíveis – como Jesus nascer de uma mulher virgem, transformar água em vinho, fazer pães surgirem do nada... Ou mesmo Moisés (foi ele?) abrir um mar ao meio pra passar com um bando de pessoas, ou até mesmo Noé resolver salvar uma espécie de cada ser vivo do mundo enfiando todo mundo numa barca. Gente do céu! Vocês acreditam nessas coisas fisicamente, biologicamente e quimicamente impossíveis – chamando-as de milagres – mas não acreditam que a alma de uma pessoa possa vagar livremente pela Terra depois que a pessoa morre? Vocês tem medo de alma penada? Francamente, né!

É incrível como todos os cristãos (espiritismo é uma religião cristã, para aqueles que não sabem) oram por suas almas e pela dos outros – principalmente quando as pessoas se vão dessa vida –, mas mesmo assim, morrem de medo de pensar em espírito. É como se fosse “hey, estou orando pra você aí, mas fica onde está, nem pense em chegar perto”. É como se espírito fosse um adjetivo negativo à alma. Alma é pura, bondade, amor e paz – espírito é mau, demoníaco, coisa do mármore do inferno, do fogo e do capeta.

Bem, gente... Alma e espírito são praticamente a mesma coisa. Espíritas diferem-nos por uma explicação que não convém explicar aqui, porque poucos entenderiam (e iria ficar muito longo), mas no geral, são a mesma coisa. Vocês aí, que tem medo de se aproximar do espiritismo e tem medo de pensar em querer saber o que é, que ficam inventando histórias para abominar uma religião como outra qualquer. Em vez de criticar, conheçam. Em vez de temer, se esclareçam. Ter medo por ignorância é ridículo demais, né? Ter medo de querer conhecer é ignorância demais.

Sem mais.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Geração "Coca-Cola" ZERO!

Podem me chamar de neurótica, porque eu sei que sou mesmo – principalmente quando se trata de língua portuguesa. Se existe algo que me tira do sério é gente que não sabe falar ou escrever corretamente, mas quer ficar formando algazarra para conseguir alguma coisa.

Há alguns dias, estava eu passeando por uma comunidade no Orkut, quando vejo um povo reivindicando áreas de lazer para a cidade onde meus pais moram – minha ex-cidade, praticamente. Este era o post inicial do indivíduo:

meuuu Deuus manoow. tudo q nois ké é uma *área de lazer* descente em *cidade X* !

senhor sera q ninguem pensa em nois *esportistas* ? D:

-akela pista do *clube* lamentavel anda nela manow da até disgosto de vee manow ¬¬

agente pedii pedii peddiii e seis so fala q vai faze e blabla mais até agora nao vi nada

algueeeem ai da prefeitura sei la .. toma vergonha na cara e poim esse bando de gente q so fika coçano pa trabalha e faze uma pista descente paaa nois :x

Eu, ÓBVIO, fiquei com comichão ao ler essas atrocidades: Primeiro foi um sacrifício entender o dialeto da criatura, porque isso aí não é português nem aqui, nem na China - mas me segurei, até que alguns membros da comunidade começaram a caçoar o dialeto “manow-ense” do povo. Não perdi a oportunidade, é claro, de fazer as minhas correções.

No dialeto da nova geração, não existe mais o pronome “nós”. Ele foi substituído por um “nois” – porque a preguiça de apertar um acento é tão grande, que é mais fácil partir para o neologismo.

Concordância verbal então é algo que não pertence mais à língua portuguesa. Conjugar verbos nos tempos e pessoas certos é algo tão impossível de se ler quanto o texto acima.

Quando li o “poim”, quase caí de costas. Nunca vi uma onomatopéia virar verbo antes. Desculpem-me o palavreado, mas... PUTA MERDA, “MANOW”! Escrever “Poim” em vez de “põe” é de matar!

Por fim, vejo que o povo quer uma pista de Skate “deScente” – o que realmente chega a me deixar confusa, porque, para mim, todas as pistas de skates têm descidas e subidas. DeScente está a educação desses pirralhos, isso sim!

Enfim, como era esperado, depois de eu lavar a alma e postar todas as ironias quanto ao português dos “manows”, recebi muitas críticas, porque o povinho acha que educação e pedidos de coisas para a cidade deveriam ser em tópicos separados. Obviamente, o nível do tópico deSceu, porque os pirralhos da nova geração criticaram-nos por rirmos do português bizarro deles. Uns se ofenderam e defenderam a causa, dizendo que não era a ocasião, outros me mandaram para aquele lugar – mas pelo menos não colocaram acento onde não tem (é a preguiça de achar o acento no teclado, eu sei...).

Por fim, perguntei àquelas pessoas como eles pretendiam reivindicar uma área de lazer na cidade, se nem saber redigir uma carta eles sabiam – afinal de contas, se uma carta for enviada à prefeitura escrita da forma como o ser escreveu o post acima, provavelmente iriam achar que era um atentado terrorista, de tanta anormalidade em tão poucas linhas.

Tristemente, cheguei à conclusão do que nunca tive dúvidas: 1) A nova geração está, sim, perdida; 2) Manos e afins não têm educação, e acham que mesmo para serem manés na sociedade, não precisam saber escrever em português.

Mas ainda quero ver o futuro dessa nação que acha que ser ou se fazer de ignorante tem mais valia que saber alguma coisa. Viva o Brasil.


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Os termos entre "asterísticos" foram modificados para eu não me envergonhar tanto da minha cidade.