domingo, 27 de junho de 2010

Fico vermelha mesmo, e daí?!



Pessoas branquelas como eu provavelmente já passaram por inúmeras situações que não eram para ser embaraçosas, mas se tornaram constrangedoras quando as pessoas perceberam que (infelizmente) você não tem controle sobre os malditos vasos que se dilatam e encharcam seu rosto de sangue, deixando você tão vermelho quanto um pimentão.

A minha vida inteira tive (e ainda tenho) que aturar as pessoas tirando sarro de mim quando faço uma pergunta a um desconhecido, quando rio, quando fico embaraçada, quando estou triste, com frio, com calor... Enfim, quando faço quase tudo! Se você também foi “abençoado” (eu chamaria de maldição) com essa infeliz característica genética, sabe bem do que estou falando.

Por mais que as pessoas que convivam com você SEMPRE saibam que você enrubesce por qualquer coisa, toda santa vez que isso acontece, elas não perdem a oportunidade de apontar o dedo pra sua cara e dizer “Olha como fulano ficou vermelho!” – como se a única razão pra essa infelicidade desses vasos dilatarem fosse uma questão de constrangimento.

Eu já cansei de explicar que eu fico sim vermelha pra qualquer situação. Quando vou falar a coisa mais banal com um desconhecido, eu fico parecendo um tomate, e não tem nada a ver com constrangimento ou algo negativo.

Eu já acostumei, pra ser sincera, a aturar as pessoas tirando sarro de mim o tempo todo porque resolvo respirar mais forte e forçar o sangue a correr mais rápido pelas minhas veias, mas tem horas que eu ainda fico completamente irritada por alguém ter que sempre apontar o dedo pra minha cara e rir da minha condição.

Eu sei quando fico vermelha. Meu rosto esquenta, eu suo, e eu sei todas as situações que me deixarão incandescente – ninguém precisa me dizer o que está acontecendo. O constrangedor de tudo isso não é a situação que me faz deixar o sangue à flor da pele, mas sim as pessoas que ficam sempre me delatando, como se fosse um crime ou mesmo um alvo de piada eu ser assim.

Eu posso não ter controle sobre o meu sistema nervoso autônomo, mas eu sei muito bem prestar atenção no meu corpo pra sentir quando esses malditos casos acontecem. Portanto, obrigada por me dar um espelho quando meu sangue resolve mostrar que é vermelho, mas eu já sei disso há, pelo menos, 16 anos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tristeza dos olhos seus...

Em um fim de tarde, quando o sol está laranja e baixo no céu, anunciando a todos os pássaros que logo irá iluminar o outro lado do mundo, eu estava ali, encostada em uma árvore grande e vistosa, de frente para o lago do parque, vendo como as pessoas andavam em volta daquele monte de água, e como os cachorros se divertiam com o ar da liberdade. Passar os fins de tarde ali era quase rotina, pois o silêncio e a paz eram reconfortantes e restauravam minha calma. Às vezes eu cruzava minhas pernas, como se estivesse meditando, fechava os olhos e parava para sentir o vento, o ar, os cheiros, e tentar ouvir pássaros cantando suas últimas canções antes do anoitecer.

Foi em um dia como outro qualquer que ele passou por mim. Eu estava sentada abaixo da árvore, olhando como todos se moviam, e ele passou caminhando logo à minha frente. Muitas pessoas passavam por mim ali, mas nenhuma delas me chamara tanto a atenção como ele. Era belo, alto, com um corpo atlético e... olhos tristes. Seu caminhar era pesaroso, as mãos nos bolsos da calça e a cabeça caída não pertenciam ao conjunto.

Fiquei olhando para ele, sem perceber que estava até sendo mal-educada em encarar tanto alguém daquela forma. Ele olhou de volta, e seus olhos pesados encontraram os meus. Meus olhos curiosos e ternos tentavam de alguma forma consolar o rapaz, e os dele, tristes e sem vida, gritavam uma agonia agonizante.

Os poucos segundos que nossos olhos se encontraram pareceram horas de conversa, e eu sentia cada vez mais uma ternura inexplicável por aquele homem triste que sombreava meus pés. Ele continuou olhando, como se pudesse tirar de si algum peso da alma e passá-lo a mim, aliviando-se da dor. Continuou caminhando, e com muito esforço, esboçou um leve sorriso nos lábios. Eu tentei sorrir, não consegui, estava sofrendo por ele.

Ele, então, fechou os olhos, virou a cabeça para frente novamente, apagou o leve sorriso que, com muito sofrimento, havia colocado em seu rosto e se foi.

sábado, 5 de junho de 2010

Desabafo de uma Celíaca (Parte 02)


Foi difícil essa semana. Os sonhos voltaram, e tudo o que eu vejo, me dá vontade de comer.

Começou com o pão francês, quando cheguei em casa na terça. Pãozinho quentinho, cheirosinho, crocante, soltando bastante migalha e sujando a toalha.

Depois foi no shopping. Almoço? E o medo de comer alguma coisa contaminada? – Optei por uma batata recheada “à bolognesa”, mas meu pai pediu um McCombo... Eu queria doce e... Sorvete do Mc tem glúten, sorvete de uma outra loja lá também... Frustração.

Enfim, meu pai tem um ataque de loucura e compra uma oferta do habbib’s: 4 Esfihas de cada sabor, mais 4 kibes... E eu ali do lado, na mesa do shopping, sentindo aquele cheiro delicioso de GLÚTEN me corroer o estômago. Nunca salivei tanto na minha vida. Juro que por vários momentos pensei em ligar o “f**a-se” e ser feliz, mas toda vez que lembrava as dores que ia sentir, conseguia me segurar.

Hoje, voltando para Botucatu, paramos em uma lanchonete na estrada e tinha a maior coxinha que eu já vi na vida ali, pra vender. Fiquei ali só engolindo saliva, de costas para o forninho onde ficam os salgados, esperando a hora de ir embora. Se alguém da minha família tivesse pedido aquela coxinha, eu não ia conseguir recusar.

Finalmente, voltei para Botucatu, onde tenho meus salgadinhos, meu brownie, minha vida sem glúten... E pretendo não sair daqui pra comer tão cedo.

Essa semana descobri que sou forte. Mas passei MUITA vontade. Ai, ai... Vida dura.