quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Conscientização Celíaca: Sintomas e tratamento

Depois de uma visão geral sobre o que é a doença celíaca, é bom ressaltar os sintomas que um celíaco pode apresentar. A dificuldade em supor o diagnóstico talvez esteja relacionada à falta de sintomas e sinais específicos. Doença celíaca não te deixa amarelo, como o faz a hepatite, nem te enche de bolinhas, como faz a varicela. Os sintomas são típicos ao de qualquer virose, contaminação alimentar ou mal-estar que se possa ter no dia a dia.


Os sintomas enquadram-se nas alterações típicas do trato gastrointestinal: Enjôos, má-digestão, diarréia, ressecamento fecal, constipação intestinal, dores de cabeça frontais, enxaquecas, cansaço, distensão abdominal, dores abdominais, gases, anemia... E por aí vai.

Tentar juntar todos estes sintomas na anamnese e supor que possa ser uma rejeição alimentar é uma tarefa árdua. Pensar em doença celíaca – talvez por ela ser rara (será que é tão rara assim, ou será que os diagnósticos são errôneos?) – retarda o tratamento do paciente, que consiste única e exclusivamente em retirar o glúten da alimentação.

O médico deve analisar os relatos do paciente – que provavelmente chegará reclamando que se sente mal com tudo o que come, tem muitos gases, desânimo, dores... – e pedir não somente exames de sangue, mas também uma biópsia duodenal através de endoscopia. Os exames séricos irão acusar a presença ou não de anticorpos contra o glúten circulantes na corrente sanguínea, enquanto a biópsia irá acusar o grau de atrofia das microvilosidades duodenais, a fim de se estimar o tempo de recuperação da mucosa.

Os exames pedidos geralmente são busca de anticorpos Anti-Endomísio, Anti-Gliadina (IgA e IgG) e Anti-Transglutaminase (IgA e IgG). Resultados positivos desses exames geralmente confirmam o diagnóstico, mas resultados negativos devem ser interpretados com maior atenção. Alguns pacientes tem uma deficiência na produção de anticorpos – talvez como uma resposta do próprio organismo a um estresse intestinal a longo prazo - , e a quantidade circulante não é suficiente para acusar um positivo verdadeiro. É interessante, em conjunto com esses exames, pedir uma dosagem geral de IgA (principalmente), para saber se os níveis séricos estão normais e excluir a possibilidade de falso-negativo por redução dos níveis séricos de anticorpo.

A biópsia tem papel fundamental na confirmação do diagnóstico. Embora alguns médicos ainda optem por não fazê-la, ela os auxilia a analisar o grau de atrofia das microvilosidades no duodeno. Existe uma escala de atrofia que o médico usará para dar o laudo do exame, mostrando se determinado grau é sugestivo de doença celíaca ou não.

O tratamento da doença consiste em simplesmente retirar o glúten da alimentação. Como a proteína é o fator desencadeante de toda a resposta auto-imune que prejudica o paciente, retirá-la da alimentação faz com que a mucosa intestinal pare de ser agredida constantemente e possa se regenerar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Last song...

A música fazia as paredes tremer. Os corações ali batiam em conjunto com o Rock, enlouquecidos pelo clímax da harmonia. O público gritava – eu gritava, e cantava, enquanto eles estavam logo ali à frente, muito perto mesmo – talvez a uns sete, dez metros de distância.

A música explodia, e a multidão ia à loucura. Cantávamos, assoviávamos, pulávamos. Era plena euforia.

E a música acabou. E o publicou parou, extasiado.

Naquele momento, tive um impulso de pedir a minha música favorita, e gritei com todas as forças que podia: “YOU AND I!!!”. Por um breve segundo, achei que minha voz iria romper a barreira de sons entre mim e o palco. Ela até alcançou alguns outros ouvidos próximos, que ecoaram minha voz – “You and I! Toca You and I!”, mas as vozes, assim como a minha, se perderam na multidão.

Nunca chegaram ao palco.

E a guitarra começou a chorar outras notas.

Eu não perdi o controle por ninguém, nem quando alguém me olhou. Não havia nada nos olhos de ninguém tentando me dizer alguma coisa. Eu ainda era uma criança, mas a vida não havia aberto as portas de uma nova vida pra mim...
 
 Scorpions - set/2008

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It's all written down in your lifelines
It's written down inside your heart
You and I...
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O mundo ali em cima...

 
Eu nunca fui tão religiosa a ponto de ser uma espírita xiita e sair pregando espiritismo a todas as almas do mundo, mas fiquei emocionada quando descobri que a indústria brasileira de cinema ia lançar um longa metragem de “Nosso Lar” – a obra mais famosa e explicativa do espiritismo.

Serei sincera e direi que nunca consegui terminar de ler o livro. Comecei três vezes, mas não consigo seguir a leitura por ela ser densa, e eu ser preguiçosa. Mas fui ver o filme.

Foi emocionante. Não sei se foi por eu rever meus ensinamentos espíritas que há muito “abandonei”, ou se por o filme realmente mexer com meus sentimentos. Sei que chorei muito, de emoção, me colocando no lugar de vários personagens, e imaginando como foi o desencarne de meus parentes que já se foram.

É um filme belo, que dá uma visão geral do espiritismo, sem ser um filme ufanista que prega a religião o tempo todo. Aliás, o filme sequer prega o espiritismo – está subentendido para quem é espírita, ou serve como uma bela mensagem para quem não é.

Aqueles descrentes devem encarar a obra como uma ficção. Uma história surreal, cujo objetivo não é criar suspenses, guerras ou humor, mas sim contar um pouco do espiritismo de uma maneira suave, como um relato de experiências.

Saí do cinema me sentindo revitalizada. Saí pensando em tudo o que já fiz, pensando em como me distanciei da minha religião, mas como consegui absorver muitas pequenas coisas que me mudaram para melhor (pra vocês verem como eu era ruim! rs).

É o estilo de filme de que gosto: Não tem violência, não tem sexo, não tem brigas, não tem o “comum sense” de hoje. O filme, comparado ao cenário cinematográfico atual, é antiquado, pois se dedica a contar uma história, e não mascarar a falta dela com efeitos especiais que deixam o espectador alucinado, achando que o filme é bom porque o desenhista gráfico foi ótimo e criativo.

É um filme que mostra como a indústria brasileira de cinema tem capacidade de criar longas com essência, que mostra como há brasileiros que sabem trabalhar com computação gráfica e deixar os ambientes fictícios parecendo reais.

Sei que absorvi a história como se eu precisasse dela há anos, e nunca a tivesse encontrado. As imagens estão marcadas em minha mente, e a todo o momento eu paro e penso em como um filme com uma história simples conseguiu me cativar tão plenamente.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu não sigo os clássicos...



Eu sempre fui muito crítica a qualquer coisa, desde pequena. Fiz minha mãe passar maus bocados por falar tudo o que pensava. Criança é sincera, fazer o quê?

Lembro que quando eu estava na terceira série, uma professora minha mandou a turma ler “O pequeno príncipe”. Eu li. Odiei. Não gostei do livro porque achei completamente sem nexo, sem pé nem cabeça. Todo mundo falava que o livro era bom, e pra mim ela era péssimo!

Em uma discussão em sala sobre o livro, a professora veio me perguntar o que eu tinha achado do livro. Eu disse que não tinha gostado, que tinha achado o livro chato. Ela ficou indignada, perguntou como eu podia dizer algo assim sobre uma das “melhores obras internacionais de todos os tempos”. Eu simplesmente disse que não gostei. Após minha declaração suicida, a classe começou a se manifestar, dizendo que também não tinha gostado do livro, e lembro até hoje que aquela infeliz daquela professora disse à minha mãe na reunião bimestral que eu tinha influenciado a classe a se voltar contra a história. Naquele dia, eu descobri que tinha poderes paranormais, então.

Na prova referente ao livro, a professora fez uma pergunta pessoal que me lembro até hoje (mesmo depois de quase 15 anos): “Você gostou do livro? Recomendaria para um adulto?” – Eu, obviamente, disse que não tinha gostado e não tinha gostado da história, e não recomendaria a ninguém. Ela zerou minha questão pessoal.

Aconteceu a mesma coisa com “A hora da estrela”, mas isso quando eu já estava no ensino médio. A única diferença é que eu achei a história sem graça. No entanto, reli o livro um tempo depois, pros vestibulares da vida, e mudei completamente minha opinião. Descobri que Clarice Lispector era fantástica, e o livro era muito mais filosófico do que eu pensava.

Sei que nunca fui de ir na onda daqueles que idolatram a literatura que todos lêem. Nunca fui fã número um de Machado, odiei Macunaíma, tive minhas encrencas com Clarice e abominei Antoine de Saint-Exupéry. Talvez hoje eu devesse reler o livro do menino que falava de baobás e achava que uma cobra poderia engolir um elefante, mas acho que peguei tanta birra daquela professora que não soube respeitar minha opinião e me deu zero em uma pergunta pessoal, que tenho aversão ao livro por me lembrar dela.

É. Eu não sou fácil.