sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A vida em uma bolha


Hoje passei a tarde inteira (sim, literalmente), na sala de espera de um consultório, esperando ser atendida por um médico. Fui consultar para fazer o controle da minha doença, mas o médico é imunologista pediatra também... Então estava cheeeio de pirralhos por lá.

E num consultório de imunologista, você vai encontrar só gente cheia de alergias... E eu passei meu tempo lá, pensando na hipótese da higiene – que se confirmou - óbvio.

Eu estava lá sentada, chegou uma mãe com duas crianças, a menininha foi sentar no chão, e a mãe se esguela: “Não, filha!! Aí, não! O chão é sujo!” – E a menina levanta do chão, com as mãozinhas penduradas, como se estivessem infectadas com micróbios assassinos e devoradores de carne humana. Foi lavar as mãos, a coitada...

Nisso, depois de duas horas, chega uma tia com o sobrinho – bebê fofo, de um ano. O menino começou a se divertir... Andar de um lado pro outro, cair no chão, engatinhar... E a tia enlouquecendo, falando “Levanta do chão!! O Chão é sujo!! Vou ter que passar álcool na sua mão quando chegar em casa... Ai meu deus!”.

E eu me segurando pra não falar - “Minha senhora, quando mais sujo ele ficar, menos problemas com alergia ele vai ter!”

Então parei pra pensar: Não foi à toa que passei 4 horas na sala de espera de um consultório médico. Com essas mães que cuidam de seus filhos à base de antibióticos, sabonetes antissépticos e nojo da poeira do chão, pra que existir sistema imune, não é?!

Depois reclamam que o filho tem bronquite, asma, alergia respiratória, rinite... Não deixam a criança criar imunidade a nada!

Minha mãe não me criou numa bolha, não ficou neurótica mandando eu lavar a mão o tempo todo, nunca comprou sabonete antisséptico pra me dar banho... E eu já sou cheia de problemas! Se ela tivesse me criado como se o mundo fosse imundo, hoje eu não iria poder comer nem ovo!

É... Consultório de pediatra serve pra você aprender “como não criar o seu filho”... rs

domingo, 24 de outubro de 2010

Coitado do português...

De que adianta um país de analfabetos fazer reforma ortográfica se nem acentuar as palavras as pessoas sabem direito?

Olha, de todos os erros que vejo no dia a dia, o campeão disparado é o “a”.

Quando é pra ser , do verbo haver, as pessoas adoram esquecer o H, quando não pioram colocando um acento agudo, pra deixar mais bonito.

Quando é pra ser preposição, o povo fica naquela dúvida: Tem crase ou não tem? Daí vem a lambança. É ha (sem acento mesmo), á (nossa, esse é campeão!), há...

Quando é pra ser artigo, o povo acha que é preposição, e viaja do mesmo jeito, colocando acento pra tudo quanto é lado. Pra indicar se um número vai de X a Y, geralmente enfiam o acento agudo também.

Gente, pelo amor de deus! “A” COM ACENTO AGUDO (á) SOZINHO NÃO EXISTE!!!

O pior de tudo é que vi num congresso, esses dias, uma apresentação de uma professora super graduada, cheia de renomes, e... No meio de um slide, em vermelho gritante, para todos verem, estava lá: ALGUMA COISA Á ALGUMA COISA. Se existe uma coisa que faça cair o conceito de uma pessoa pra mim, é esse erro crasso de português. Porque, puta merda! Se tá na dúvida se tem acento ou se não tem, deixa sem que é mais bonito. Mas inventar um “á” ou confundir verbo com preposição ou artigo é demais, né, gente?!

O que custa escrever certo? Se tem dúvida, procure e aprenda! É só digitar “á” no Google que ele vai te dizer “Você quis dizer “à”?” e tudo fica mais bonito.

Para o bem estar da nação, APRENDAM A ACENTUAR AS PALAVRAS. É o mínimo que qualquer brasileiro precisa saber da língua portuguesa. Só depois de conseguir descobrir que “a” você usa, preocupe-se em saber se micro-ondas escreve tudo junto ou separado na nova (patética) ortografia brasileira.

sábado, 16 de outubro de 2010

Você vota aí, que eu voto aqui, tá bem?!

Nojo. É o que define meu sentimento para com a política brasileira. E falta de paciência é o que tenho em relação a fanáticos políticos. Não aguento mais os petistas chamando o Serra de burguês, tucano, privatizador ou qualquer outra merda. Não aguento mais os PSDBistas chamando o PT de revolucionários, guerrilheiros ou o que quer que seja.

Gostar do PT, eu nunca gostei. Particularmente, essa é a minha opinião. Mas aprendi, nos últimos tempos, a tentar sempre enxergar os dois lados de todas as histórias, e isso me fez pegar uma aversão ao PSBD, principalmente pelas propagandas eleitorais de baixo nível que tem sido veiculadas na televisão.


Cansei das pessoas dizendo “A Dilma é a melhor representante para o país porque....”, ou do Serra levantando a bandeira dos genéricos. Cadê o respeito à opção de cada um votar em quem quiser? Um petista acha milhões de bons motivos para a Dilma ser presidenta, mas esses motivos não são e nunca serão os mesmos de um PSDBista.

E essa história agora de meter religião no meio dos debates. Vão para o inferno, vocês dois, partidos opostos só na ideologia! O Brasil ERA pra ser um estado laico, então não me venham com discussão religiosa para apoiar o aborto, não metam Jesus no meio e nem fiquem ostentando o apoio de evangélicos.

Parem de dançar conforme a música! Por acaso vocês dois - candidatos que deixam a população brasileira pensar “Puta merda! Que falta de opção!”- não tem personalidade própria?! Se perguntarem sobre aborto, ficam assinando carta sobre o assunto pra declarar opinião; Se o assunto é privatização, só discutem isso. Vocês não sabem manter uma campanha eleitoral própria, com caráter pessoal e uniforme? Só sabem ficar falando sobre o que é o sensacionalismo do momento?!

E também já cansei dessa disputa bipartidária que toma conta do Brasil há anos, quase décadas. Vocês aí, que defendem taaaaanto a democracia e a liberdade de voto, já pararam pra pensar que há muito tempo, tanto em eleições municipais, quanto em estaduais e federais, nós voltamos à estaca zero? Que os dois únicos partidos que se sobressaem (e que a mídia releva) só deixaram de se chamar “Arena” e “PMBD” para se chamarem “PT” e “PSDB” (não respectivamente, porque a intenção não é comparar as ideologias, mas sim a FALSA IDÉIA de opção política que sonda os fanáticos políticos hoje)?!

Cansei desse bando de povo querendo dar lição de moral quando eu digo que não gosto da Dilma. Dá licença? Você não gosta do Serra e eu não posso  não gostar da Dilma?! Tô de saco cheio desse falso moralismo do povo que se acha o “sabe tudo” de política, “porque estudei história, leis, economia e o diabo a quatro”, e chega ao cúmulo do egocentrismo de achar que só a opinião de quem estudou tudo isso também é que tem valor.
Cansei desse povo digladiando por causa de política, sem ganhar nada. De gente brigando porque tem ideologias diferentes, de uns querendo fazer a cabeça dos outros... Isso não prova nada. Não mostra conhecimento, não eleva o seu conceito moral, e passa a ser uma total falta de ética e respeito para com aqueles que pensam diferente.
Lembrem-se, pessoas: A verdade só é verdade para quem a fez. A minha verdade, as minhas idéias e os meus “dogmas” não são o mesmo que o seu, portanto, suas idéias NUNCA serão iguais a TODAS as minhas. Você criou a sua verdade sob determinados conceitos. Eu criei a minha sob outros. E ponto!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não basta escrever, tem que saber!


Não são meia-noite, mas é o tipo de assunto que me faz divagar e perder o sono quando estou inquieta, tentando dormir: O que eu gostaria de fazer antes de morrer?

Não tenho uma “bucket list” e nem pretendo fazer uma, pra não me sentir obrigada a cumprir algo ou ficar frustrada por não conseguir – não acho necessário. No entanto, eu sei o que eu não colocaria na minha lista de desejos ante-mortem, e escrever um livro é uma delas.

Eu amo escrever, adoro ser neurótica com gramática e sinto vergonha de mim quando cometo alguma gafe gramatical, mas meu negócio são textos curtos. Não sinto vontade de fazer uma história minha se estender por mais de duas páginas.

E não acho essencial que escrever um livro esteja entre os planos de vida de qualquer pessoa, como se fosse uma obrigação da vida terrena. Escrever livros é para quem tem dom, e não para qualquer um. Saber prender a atenção de um leitor em uma história é uma tarefa muito mais complicada do que se parece. Criar personagens, físico e psicologicamente não é uma coisa pra qualquer um. Ah! E tem o cenário ainda. Você sabe descrever bem um cenário? Pois é, eu nem sempre consigo fazer isso naturalmente.

Acho um erro dizer que todo mundo na vida precisa ter um filho, rezar, amar, escrever livro, plantar uma árvore... Acho hipocrisia. Tem gente que não tem o dom pra ser pai/mãe; Tem gente que gasta 200 folhas de papel por semana, e uma árvore só não faz diferença nenhuma perto do que ela derrubou desperdiçando sulfite; Tem gente que é ateu – e vai rezar pra quê?

Cada um nasce sendo melhor em uma coisa do que em outra.

Se você não sabe escrever, não escreva.

Se não quer ser pai, não faça filho.

Escrever um livro não faz parte da minha lista de “desejos finais”. Se um dia surgir uma oportunidade, eu me entrego a ela, sem problemas, mas não farei disso uma obrigação, pois a Heloísa de hoje não tem vontade de fazer histórias. Ela tem vontade de ler. E muita.