quinta-feira, 30 de junho de 2011

Saudade


Já era tarde quando o telefone tocou. Ela acordou assustada quando percebeu que aquela música não fazia parte de seu sonho, mas estava, na verdade, esfumaçando as aventuras noturnas que são sonhar.

Tateando o escuro, à procura do barulho que a despertara, ela o encontrou através da luz, que ofuscou totalmente sua visão. Àquela altura, ela não conseguiria ver quem a perturbava em plena madrugada.

Com muito esforço para manter um pequeno nível de consciência, ela silenciou aquele aparelho que berrava aos mundos e respondeu um “alô” afônico e rouco, pensando em quem iria responder do outro lado da linha, o que havia acontecido e o porquê da urgência em plena madrugada.

Aflita, ela aguardou até que a outra pessoa falasse. Os segundos pareceram horas, e a aflição cresceu. Quando ia balbuciar um “alô?!” mais urgente, a outra linha quebrou o silêncio:

- Saudades... - E desligou.

Ela, sentindo o conforto da aflição se tornar ternura, desligou o telefone, sorriu com a lembrança da voz e voltou a sonhar. 


Um comentário:

  1. Que lindo... Eu lembrei das ligações que fazemos em shows rs

    Ah... saudades é tão ruim...
    E tão bom!

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