quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Intolerância a mentes fechadas


Há tempos tenho notado uma característica cada vez mais comum nas pessoas que defendem um ideal hoje em dia: A falta de capacidade de aceitar que a verdade em que você acredita não é única e muito menos a certa.

Essa semana, fui chamada de especista por uma vegana, que nunca me viu, nunca me ouviu, nunca conviveu comigo e nem com metade das pessoas que ela denominou “especista”. Pra começo de conversa, eu sequer sabia o que significava especismo. Fui procurar, como uma boa googleira, e descobri que especismo é “a atribuição de valores ou direitos diferentes a seres dependendo da sua afiliação a determinada espécie”, ou seja, você tratar espécies diferentes com diferença [...].

Tudo começou com uma piada [outra constatação: Hoje em dia ninguém mais sabe entender piada como piada. É f**a!] de um leitãozinho fofinho, dizendo que o porco era o único animal no mundo que conseguia transformar alface em bacon. A partir disso, veio o especismo.

Uma pessoa que nunca conversou comigo, nunca me viu, vem me chamar de especista. EU, especista (!). Porque ri de uma piada sobre carne.

Eu digo que o mundo está perdido, e não porque cada vez mais as pessoas tem se tornado adeptas a hábitos distintos, mas sim por essas pessoas adotarem esses novos hábitos e segui-los como religião, tentando converter a tudo e a todos para essa nova idéia de vida, achando que os que não vêem aquela verdade da mesma forma são criminosos, desalmados e “sem cultura”.

A essas pessoas xiitas a qualquer idealismo, eu recomendo que leiam e interpretem friamente e profundamente a filosofia de Kant. Única que estudei até hoje, porque tive que fazer um trabalho na faculdade sobre ela, mas que realmente me abriu a mente para uma verdade: A de que não existe verdade absoluta. A verdade é completamente subjetiva, e nunca será igual para duas pessoas.

E aqui, parafraseio (que palavra horrível dos infernos) Shakespeare: “Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidades, pois não importa quão frágil seja a situação, sempre existem dois lados”.

E é essa visão de enxergar os dois lados de toda ideologia que está faltando nos xiitas de hoje. Porque o extremismo hoje não é só mais religioso. Qualquer crença que se tenha – política, ideológica, futebolística – virou motivo para defender a causa até a morte, como se você estivesse certo em pensar de tal forma, e todos devessem pensar como você.

Não. Eu não tolero pessoas xiitas. Não suporto fanáticos políticos que tentam impor a mim qual lado seguir. Não tolero extremismo religioso, de qualquer religião – inclusive da minha. E não tolero ideologistas baratos que criticam a minha opção de vida, dieta, ou qualquer outra coisa.

Eu não critico as escolhas dos outros, então não crucifixem as minhas. E aprendam que piadas são piadas, e não demonstram uma linha de pensamento. Só uma linha de diversão.

3 comentários:

  1. Por um breve momento achei que você fosse falar que espécies diferentes de seres realmente merecem tratamentos diferentes, justamente por precisarem de coisas diferentes pra sobreviver. Não faz sentido você tratar um cavalo da mesma forma que trata uma ostra ou um pinheiro. Sendo assim, não consigo enxergar 'especista' uma palavra com teor ofensivo.

    Acho que pessoas que se ofendem facilmente precisam ter aulas de como a internet (ou o mundo) funciona, porque tá ficando ridículo.

    Mas sei lá, né... aqui tá falando um cara que já foi xingado por não querer passar dados pessoais a um abaixo-assinado pra salvar baleias...

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  2. Bruno comentou uma coisa que eu ia comentar. Na minha ótica, tratar pessoas, coisas, espécies de maneira diferente não quer dizer tratar mal. Mas falando do texto em si, só queria dizer uma coisa:

    Se você não come carne, seja feliz. Mas não me obrigue a engolir uma ideologia que não me faz feliz.

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