quinta-feira, 26 de maio de 2011

a menina que não sabia enxergar


Ela o idealizava como o príncipe dos seus sonhos, embora ele não fosse príncipe, nem quisesse ser protagonista dos sonhos dela...

Ela se enganava a cada novo dia com as histórias que contava para si mesma, com os diálogos que travava, mentalmente, com ele. Ela se iludia com as risadas que ele dava quando saía com ela, e se negava a acreditar que ela não pertencia àquele papel.

Ele? Ele não sabia que ela enlouquecia por dentro, e que o queria muito mais do que um amigo. Bem, se sabia, fingia que não, e assim continuava a alimentar tristemente a história irreal e virtual daquela pobre moça, que vivia de olhos fechados para a realidade, buscando sempre transformar seus sonhos em um pingo de verdade.

Com os olhos bem fechados, a menina-moça continuou sua trajetória. Aos trancos e barrancos, ela passou por cima de uns, deixou alguns outros para trás, e seguiu um caminho que achava ser o que a levaria direto aos braços dele. Mas a voz dele silenciou-se dentro da mente dela, e tudo ficou muito quieto...

Foi quando ela abriu os olhos e viu que estava perdida e só, no meio de um nada sem ninguém. Foi quando percebeu que passara por cima daqueles que a queriam por perto e a tentaram ajudar, para seguir o caminho que ela jurava ser o seu, mas não era.

Quando ela abriu os olhos, já era tarde demais. Nem ele, nem mais ninguém estava lá. Ela perdera tudo. E todos.


sábado, 14 de maio de 2011

Minha nota sobre "Mamma Mia!"


Ah! Como eu sempre digo: Se eu morasse em São Paulo... Eu seria a pessoa mais FRUSTRADA do mundo – porque tem tanta coisa pra fazer naquela cidade, tanto lugar bom pra comer e tanto evento cultural pra ir, que eu, pobre estagiária, não teria dinheiro para fazer nem 1/8 de tudo o que quisesse.

Uma das coisas que eu faria sempre, se morasse lá, seria ver mais de uma vez o mesmo musical (eu sou louca por musicais, talvez isso explique), porque parece que uma única vez não é o suficiente pra eu conseguir absorver tudo o que a história canta.

Fui ver “Mamma Mia!” e, óbvio, fiquei maravilhada. Primeiro que ouvir e sentir a música de uma orquestra contemporânea é maravilhoso; Segundo que ouvir artistas cantar uma música sem desafinar é mais maravilhoso ainda.

O musical começa com Pati Amoroso cantando “Um sonho meu/I Have a Dream”, e se desenrola em torno de canções eternizadas pelo grupo sueco ABBA, com traduções tão perfeitas, sincrônicas e rimadas que parece que as músicas foram escritas todinhas em português. Aqui deixo meu orgulho a Cláudio Botelho, pela adaptação das letras: Nunca vi um musical com uma versão tão perfeita.

Toda a história se segue, mais humorada e bem melhor cantada que no filme (a qualidade dos cantores é incomparável). No elenco também estão Kiara Sasso, a rainha dos musicais brasileiros (e a minha eterna Christine), Saulo Vasconcellos (cuja voz eu AMO de paixão, mas... ELE NÃO ESTAVA NO DIA EM QUE EU FUI! – Isso me deixou extremamente triste), entre outros renomados artistas que já atuaram em diversos musicais brasileiros.

Bom, apesar de meu cantor de musicais favorito não estar no Mamma Mia! quando fui assistir à peça, venho aqui dizer a todos que o substituto dele, o ator e cantor Leonardo Diniz, foi sensacional. Um ator divertidíssimo com uma voz maravilhosa.

Críticas? Ao musical, não tenho. Senti só uma vontade de ouvir mais forte a música “Por entre os dedos meus/Slipping through my fingers”, cantada por Kiara Sasso, mas o momento da história exigia palavras presas na garganta, para conter o choro de uma mãe que está “perdendo” sua filha para o casamento.

Se pudesse criticar alguma coisa, criticaria o preço dos produtos da lojinha oficial: Uma camiseta custar mais caro do que eu paguei pra ver o musical é um absurdo. Já me disseram que o valor alto se deve aos direitos autorais – o que eu acho ridículo, visto que o produto só é vendido ali. Muitos comprariam uma camiseta de R$ 35,00 ou R$ 40,00, mas... Quem paga R$ 70,00 em uma simples camiseta, minha gente?! – Resultado: Não comprei uma camiseta do musical para mim.

Meus planos agora são voltar ao teatro antes que a temporada termine, pra conseguir ver o musical, de novo, com meu cantor de musicais preferido. Saulo já me fez chorar com o Fantasma da Ópera, já me fez rir com o gato Old Deuteronomy, e... Agora eu preciso ouvi-lo cantando música contemporânea para ele eternizar, para mim, Sam Carmichel.

Quem topa ir comigo? ;)