segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Rótulos



Se você ri, você é sádico;
Se você critica, você é chato;
Se você concorda, você não tem opinião;
Se você discorda, você acha que sua opinião é melhor do que as outras;
Se você não ri, você não tem senso de humor;
Se você tem opinião de direita, você lê Veja;
Se você tem opinião de esquerda, você lê Carta Capital;
Se você tem opinião política, você não tem opinião própria e algum meio de comunicação fez a sua cabeça;
Se você faz piada com deus, você é herege;
Se você não ri de uma piada com deus, você é carola demais;
Se você come carne, você não ama os animais;
Se você ri de piadas com animais, você despreza outras espécies que não a raça humana;
Se você diz o que pensa, você é criticado;
Se você não diz o que pensa, você é submisso;
Se você faz o que quer, você é egoísta;
Se você não faz o que quer, você é tonto dos outros;
Se você briga por seus direitos, você é chato demais;
Se você não briga por seus direitos, você é otário demais;
Se você não corre atrás de alguém, você é orgulhoso;
Se você corre atrás de alguém, você é trouxa;
Se você é a favor da minoria, você tem dó e por isso age assim;
Se você é contra a minoria, você é preconceituoso.

Hoje em dia, ninguém mais pode ter uma opinião própria sem ser rotulado de alguma forma. Tudo o que você faz, é porque você é burro, fascista, preconceituoso ou qualquer outra coisa.

Ô raça desgraçada que é o ser humano.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Intolerância a mentes fechadas


Há tempos tenho notado uma característica cada vez mais comum nas pessoas que defendem um ideal hoje em dia: A falta de capacidade de aceitar que a verdade em que você acredita não é única e muito menos a certa.

Essa semana, fui chamada de especista por uma vegana, que nunca me viu, nunca me ouviu, nunca conviveu comigo e nem com metade das pessoas que ela denominou “especista”. Pra começo de conversa, eu sequer sabia o que significava especismo. Fui procurar, como uma boa googleira, e descobri que especismo é “a atribuição de valores ou direitos diferentes a seres dependendo da sua afiliação a determinada espécie”, ou seja, você tratar espécies diferentes com diferença [...].

Tudo começou com uma piada [outra constatação: Hoje em dia ninguém mais sabe entender piada como piada. É f**a!] de um leitãozinho fofinho, dizendo que o porco era o único animal no mundo que conseguia transformar alface em bacon. A partir disso, veio o especismo.

Uma pessoa que nunca conversou comigo, nunca me viu, vem me chamar de especista. EU, especista (!). Porque ri de uma piada sobre carne.

Eu digo que o mundo está perdido, e não porque cada vez mais as pessoas tem se tornado adeptas a hábitos distintos, mas sim por essas pessoas adotarem esses novos hábitos e segui-los como religião, tentando converter a tudo e a todos para essa nova idéia de vida, achando que os que não vêem aquela verdade da mesma forma são criminosos, desalmados e “sem cultura”.

A essas pessoas xiitas a qualquer idealismo, eu recomendo que leiam e interpretem friamente e profundamente a filosofia de Kant. Única que estudei até hoje, porque tive que fazer um trabalho na faculdade sobre ela, mas que realmente me abriu a mente para uma verdade: A de que não existe verdade absoluta. A verdade é completamente subjetiva, e nunca será igual para duas pessoas.

E aqui, parafraseio (que palavra horrível dos infernos) Shakespeare: “Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidades, pois não importa quão frágil seja a situação, sempre existem dois lados”.

E é essa visão de enxergar os dois lados de toda ideologia que está faltando nos xiitas de hoje. Porque o extremismo hoje não é só mais religioso. Qualquer crença que se tenha – política, ideológica, futebolística – virou motivo para defender a causa até a morte, como se você estivesse certo em pensar de tal forma, e todos devessem pensar como você.

Não. Eu não tolero pessoas xiitas. Não suporto fanáticos políticos que tentam impor a mim qual lado seguir. Não tolero extremismo religioso, de qualquer religião – inclusive da minha. E não tolero ideologistas baratos que criticam a minha opção de vida, dieta, ou qualquer outra coisa.

Eu não critico as escolhas dos outros, então não crucifixem as minhas. E aprendam que piadas são piadas, e não demonstram uma linha de pensamento. Só uma linha de diversão.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vegetarianismo: Are You Sure?


Antes de mais nada, quero deixar bem claro que não faço desse texto nenhuma apologia ao “bulying” a vegetarianos, e também quero deixar bem claro que sou carnívora, não tenho intenção de deixar de comer carnes, e aqui está expressa a minha opinião. Se ela, por ventura, ofender alguém, digo desde já que não tenho a intenção de criticar a opinião de ninguém.

Após breves esclarecimentos, posso começar.

Circulou pelo Facebook há algumas semanas.
Há quem se ofendeu.
Há algum tempo tenho notado que o número de vegetarianos a nossa volta cresce bastante. Gosto bastante de brincar com isso, mesmo quando as pessoas não tem senso de humor e se sentem ofendidas por compararmos alfaces a vacas, mas respeito dignamente a força de vontade e a dedicação com que cada vegetariano que eu conheço da à sua dieta.

Não tenho intenção de deixar de comer carnes, mas me preocupo com os aventureiros à boa moda do vegetarianismo que entram nessa nova fase da vida achando que excluir a carne da alimentação é proteger os bichinhos que morrem para virar comida. É o grande momento em que, você, querendo fazer um bem a uns, fere a si mesmo.

Nem todos os que se aventuram por essa trilha livre de sangue sabem que uma alimentação balanceada precisa ter carne não somente por causa das proteínas, mas também pela quantidade de ferro que o ser humano precisa ingerir para não ficar anêmico e manter um hemograma dentro dos padrões normais e desejados para uma vida saudável.

Não basta você substituir a antiga carne por grãos ricos em proteínas e ferro, como a soja: Você precisa comer MUITA soja pra conseguir repor, igualmente, o ferro em seu organismo. O organismo não consegue absorver o mineral tão facilmente dos vegetais como consegue absorver do grupo heme, presente no sangue da carne que as pessoas deixam de comer, e devido a isso, muitos se aventuram por uma alimentação que pode, por fim, torná-los anêmicos.

Deixar de comer carne não é tão simples quanto preservar a vida de animais, lutar contra a crueldade dos frigoríficos ou simplesmente não gostar do sabor do sangue. Se você decidir abolir os alimentos de origem animal da sua vida, faça isso com cuidado para não ferir o próprio organismo. Vá a um nutricionista e a um clínico geral regularmente, faça hemogramas regularmente e siga a nova dieta à risca, para não começar a sentir fraqueza demais, sono demais, fadiga demais ou cansaço demais.
Uma boa picanha que quebra as pernas de muitos
carnívoros, como eu.

Não é tão simples ser vegetariano. Além de muita força de vontade e determinação, é preciso muita disciplina. Se você não gosta de soja ou feijão, procure um médico para tomar suplemento férrico. Se você acha que tirar a carne não vai fazer tanta diferença na sua vida, e não acrescentar outras fontes do mineral em sua dieta, a nova alimentação mais vai te prejudicar do que te favorecer.


A ideologia do vegetarianismo é linda, mas não se arrisque a segui-la se você não souber controlar a sua alimentação corretamente para substituir TODAS as vantagens fisiológicas de consumir carne.

Essa é minha opinião como carnívora. Não é uma tentativa de aderir adeptos, mas sim uma tentativa de explicar, biologicamente, o porquê de não se poder simplesmente retirar a carne da alimentação, porque haverá prejuízos na saúde do novo aventureiro se não houver a substituição por uma dieta adequada.