domingo, 8 de janeiro de 2012

Cardápio incompleto


Há tempos comecei a reparar em como os restaurantes brasileiros não estão preparados para tratar clientes com necessidades alimentícias especiais. Não estou aqui falando de necessidades especiais muito conhecidas, como diabetes, que são fáceis para o portador da doença reconhecer e evitar alimentos hiperglicêmicos. Estou aqui me referindo àquelas alergias alimentares que muitas pessoas tem, mas quase ninguém se importa, como alergia ao leite, a ovo, a amendoins, frutos do mar ou mesmo doença celíaca.

Como passei um ano da minha vida entre a dúvida e de ser ou não celíaca, segui à risca a dieta que todo celíaco segue: Isenta ao máximo de glúten. Digo ao máximo porque quem é celíaco sabe como é difícil confiar nas etiquetas que dizem “Não contém Glúten”, e estar sempre naquele impasse do “é ou não é?”. 

Embora quem não saiba como é ter uma alergia ou restrição alimentar ache que é pura frescura e nenhum contato com o alérgeno é pra tanto carnaval, quem vive com a realidade de realmente não poder comer alguma coisa sabe como é a agonia de você entrar em um restaurante e questionar até a décima geração dos cozinheiros para saber se, de alguma forma – mesmo que não intencional – a comida que você vai pedir pode ter entrado em contato com o alimento que você não pode ingerir. Geralmente, as pessoas se enchem facilmente do seu questionamento, achando que você tem uma neurose incurável, achando que você é um típico louco que cruzou a porta do restaurante e está tirando sarro do cozinheiro. Mas quem é celíaco, por exemplo, sabe como é estressante e degradante você perguntar para alguém se foi utilizada farinha de trigo em tal receita, e a pessoa te responder “não, pra esse prato a gente usa farinha de rosca” (!).

O grande problema da falta de conscientização dos donos de restaurantes é que eles, ou não se importam, ou realmente nunca pararam para pensar que um pouco de amendoim triturado naquela receita, um ovo utilizado nessa ou meio copo de leite que vai na receita daquele suflê podem chegar a custar a vida de uma pessoa se não houver um posto de atendimento de saúde ou hospital por perto, caso a pessoa consuma aquilo. Talvez os cozinheiros não façam idéia de que fritar um peixe empanado no mesmo óleo que fritou um camarão empanado possa fechar a glote de uma pessoa – e olha que alergia a camarão é extremamente comum e conhecida! Se isso não passa pela cabeça dos chefes de restaurantes, quem dirá a idéia de que fritar coxinha e batata frita no mesmo óleo, ou pegar a batata frita com o mesmo pegador de batata frita podem prejudicar a vida de um celíaco? 

Falo do Brasil porque nunca fui ao exterior para reparar se há indicação de que há esses ingredientes alergênicos nos pratos preparados em restaurantes gringos. Aqui na terra tupiniquim, sei que fui a pouquíssimos restaurantes até hoje (sério, me lembro somente de um) que diziam os ingredientes utilizados nos pratos.

Quem lida com monstrinhos invisíveis, que mesmo em pequenas quantidades podem causar um baita de um susto ou transtorno em suas vidas, sabe que a vida de um alérgico ou de um celíaco não é tão “fácil” visualmente como é para um diabético, por exemplo. O diabético sabe que um doce tem açúcar, mas um celíaco não sabe se uma comida tem menos de 5ppm de glúten, um alérgico a leite não sabe se foi utilizado leite na receita, ou ovo, ou soja, ou amendoim, ou castanhas ou... Ou mesmo se o cheiro do restaurante é de camarão e pode causar um choque anafilático em quem não pode comer o crustáceo. 

São pequenas coisas, essas notificações e especificações alimentares, mas são um grande passo para aqueles portadores de alimentações especiais, que muitas vezes deixam de comer uma comida por pura vergonha ou cansaço de ter que passar por toda a explicação e fazer todo o questionário de novo, antes de confirmar o pedido de um prato.

Um comentário:

  1. Oi Helo! Gosto de ler seu blog, tb tenho problema com glúten (não sei se sou celíaca, mas já passei mto mal com o dito cujo). Já tem mais de 1 mês que estou tomando babosa em cápsula (1 de jejum ao levantar) e durante o dia tomo cocentrado de babosa com água (comprei na farmácia de manipulação, pingo 30 gotas por dia na água e tomo). Meu intestino simplesmente parou de doer e nunca mais tive diarréia. Já estava ha mais de 1 ano sem comer glúten, mas vivia passando mal pq meu intestino não cicatrizada e qualquer mínima ingestão acidental de glúten me deixava com mta dor(cheguei a perder 4kg em 1 mês com diarréia que não passava). Acho que vale a tentativa! bjokas

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