quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

É de BBBarraco que o povo gosta


Mesmo possuindo filtros para impedir que notícias de Big Brother chegassem à minha vista, essa semana os brasileiros caíram como peixe na jogada da rede Globo e conseguiram me deixar a par de algo que aconteceu dentro daquele prostíbulo que chamam de casa. Tenho orgulho em dizer que, em 12 anos de programa, nunca assisti a um episódio dessa porcaria de programa que circula na maior rede nacional de televisão brasileira.

Várias coisas me deprimem nesse programa de baixo nível. Alías, baixo nível, não – BBB pra mim não tem nível algum. Ele conseguiu zerar minhas expectativas de que alguém que frequenta aquele prostíbulo consiga subir o suficiente para atingir um nível moral considerado baixo – o programa, para mim, é amoral.

Não sei ainda se fico mais deprimida em ver um apresentador que aceitou ancorar o seu fim de carreira em programa tão inútil à televisão brasileira, se fico deprimida porque existem pessoas que realmente se inscrevem pra tentar participar de algo tão pequeno, ou se deprimo quando descubro que pessoas consideradas por mim inteligentes também assistem àquela baixaria.

Essa semana, meu facebook virou o lixão do Brasil com links defendendo e ofendendo uma infeliz que entrou na casa, bebeu até morrer e supostamente foi estuprada (e vale reforçar: é ESTUPRO, ignorantes!) por um outro que circulou por lá. Antes de criticar, sim, eu me redimi e fui ver o vídeo. Sim, a moça estava inconsciente ou dormindo, e sim, se aquilo não foi sexo, o brasileiro descobriu um novo buraco para fazer brincadeiras apelativas. No entanto, segundo averiguações da polícia, a resposta da moça – manipulada pela emissora, ou não – foi de que não houve sexo.

Pronto. A emissora conseguiu o que queria – ibope. E o brasileiro caiu como um pato! Discussões absurdas chamando a menina de vadia percorreram minha página ontem, e aposto que todo mundo correu para a frente da TV pra ver se alguém iria comentar alguma coisa sobre o ocorrido lá dentro do bacanal.

Brasileiro é um povo burro. Ignorante. É um povo que gasta dinheiro votando em um bando de pessoas sem escrúpulos, é um povo que perde tempo discutindo se a moça deu ou não deu... Enfim, é um povo que perde tempo vendo Big Brother.

São programas amorais, aculturais e acéfalos como esse que contribuem para criar uma sociedade amoral, acultural e acéfala. Programas que promovem festas regadas a puro álcool, permitindo que os “aprisionados” em uma casa ajam como ogros (seria uma ofensa aos animais irracionais compará-los aos “brothers” do Brasil. É uma ofensa até aos ogros, se for ver). Programas que pregam a misoginia como se fosse normal porque o povo anda fazendo. Digo ainda que o BBB tem culpa na formação dessa sociedade desorientada que habita o Brasil hoje em dia: É um programa que incentiva o alcoolismo, a prostituição legalizada e gratuita e aquela cultura que boa parte dos brasileiros seguem de “estudar pra quê, se eu posso ganhar dinheiro fácil dando, comendo e bebendo?”

Na base da imoralidade, o BBB agora mostra cenas ao vivo de participantes fazendo sexo com mulheres inconscientes – faça isso parte do script ou não – para tentar de uma ínfima maneira levantar o ibope de um programa que nunca deveria ter ganhado vida.

E o povo gosta. Fica indignado com as medidas que o programa toma para fingir que achou errado mostrar uma cena de sexo, e discute isso em vez de se indignar com as enchentes que estão matando centenas de brasileiros e destruindo seus lares, porque o governo teve um ano pra tentar fazer alguma melhoria e não fez merda nenhuma. Compram canais para ver 24h/dia o que acontece dentro de uma casa, mas não assistem a uma minissérie de puro caráter crítico à nojeira que é a política do país, porque graças ao BBB, precisariam esperar acabar o grande circo do apresentador que será eternamente lembrado como o idiota que apresentou o Big Bosta. E a minissérie fica jogada às traças da madrugada, em um horário que poucos ficarão acordados para assistir... Porque educar o povo politicamente é muito menos importante do que afogá-los com baixarias. Afinal, é de barraco que o povo gosta.

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