sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Nós já fomos mais inteligentes, como a Luiza, que não está mais no Canadá.




Estou observando como o brasileiro gosta de criar o caos. Há uma, duas semanas, por conta de um comercial estúpido, o próprio brasileiro gerou uma fama relâmpago para uma menina que fazia intercâmbio. Virou jargão da internet: “[Qualquer coisa escrita aqui], menos a Luiza, que está no Canadá”. E isso virou febre incurável por cerca de dois dias.

Como existem empresários espertos [ou não] e pessoas espertas, trouxeram a menina do Canadá para gravar um comercial dando continuidade àquele que lhe dera fama. A mídia, oportunista, caiu em cima da moça como urubu cai em cima da carniça, e começou a divulgar qualquer baboseira que a menina fazia, qualquer ínfima experiência de vida diferente de alguma parcela da população que ela pudesse ter, e transformou a moça em celebridade. Ela, como uma garota esperta, aceitou. Quem aqui não aceitaria ganhar dinheiro fácil?

O grande problema, no entanto, não é a Luiza. Para mim, ela é esperta e admirável por sua inteligência de saber ganhar dinheiro. Pra mim, o grande espanto foi ver a população se voltando contra a menina quando ela voltou do Canadá e pôs um fim às piadinhas sem graça que estavam nauseando a internet. O mesmo povo que antes ficava utilizando o jargão até para “fulano foi no banheiro, mas a Luiza, não, porque está no Canadá”, agora caíra de pau em cima da moça porque ela estava aproveitando a fama que eles mesmos haviam criado para ela!

Aí, para piorar, as mesmas pessoas que vomitaram o jargão nas redes sociais, começaram a fazer aquele típico movimento “revolucionário” de sofá, levantando a bandeira de “Vamos ficar um dia sem Globo para mostrar que não gostamos de ser manipulados!”, e se esquecem de que a mídia é oportunista e só passa aquilo que o povo quer ver. O povo gosta de baixaria, eles passam baixaria. O povo gosta de futilidade, eles passam. O povo só está falando de Luiza, eles vão lá e fazem uma reportagem com a tal da Luiza!

Tenho que concordar com o jornalista Carlos Nascimento, que fez uma crítica fervorosa a esse modismo de redes sociais que está tomando conta da mente dos brasileiros. Sim, nós já fomos mais inteligentes mesmo. Hoje, não paramos para pensar que não é a mídia que manipula a gente, mas que nós mesmos, com esse modismo internético-social, servimos uma bandeja cheia de assuntos estúpidos para a mídia divulgar e exagerar.

Essa mania de perseguição e essa sede de tentar fazer algo para melhorar o mundo cegam os brasileiros como fogo nos olhos. Essa cegueira leva a ideais hipócritas e a essas revoluções de sofá contra situações criadas pela própria população. Depois, quando a mídia rouba e satura o jargão criado pelos internautas, eles se rebelam, ofendem a grande vítima da história e se dizem manipulados pela mídia.

Amigo, eu digo: Luiza só seria mais esperta se fosse pro Canadá e ficasse por lá. Porque o Brasil é uma grande merda.

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