quinta-feira, 26 de abril de 2012

Raças Humanas: No Brasil pode.


O Brasil acaba de legalizar o racismo. Hoje, por unanimidade, o Superior Tribunal Federal instituiu as cotas para negros nas universidades brasileiras.

Há quem defenda isso como um avanço contra o racismo, eu vejo como uma legalização do mesmo. Há, nas leis brasileiras, uma cláusula que diferencia os indivíduos por cor. Se isso não é racismo, literalmente falando, não sei mais o que pode ser.

Analisar friamente a situação e parar de ver como as cotas trarão benefícios a negros é o que falta aos adoradores da decisão: As pessoas que tanto apontam os dedos para nossas caras, dizendo que se os chamarmos de pretos estamos sendo racistas, agora aceitam que haja uma diferenciação legal entre negros e brancos no Brasil.

O Brasil é um país decepcionante. É um país que decresce moralmente a cada década. Um país que lutou contra ditadura e se vangloria por isso, mas hoje é submisso a tudo que os políticos fazem e não fazem.

É um país que usa a desculpa de educação para criar o que a genética provou que não existe: Raças. É um país medíocre, que fez uma pesquisa mal feita, encontrou resultados, mas não os expandiu para descobrir a causa maior. Não entenderam? Vou explicar.

A educação no Brasil é péssima. Os índices de educação do país, mundo a fora, precisam subir para elevar o status social do Brasil para o mundo, e fazendo um levantamento básico, o governo viu que boa parte das pessoas que não entravam em universidades eram negros ou ascendentes de negros, e como dentro da universidade eles eram minoria, acharam que igualar as diferenças seria a solução para os problemas da educação.

O grande erro do Brasil, no entanto, ao ter essa ideia obscuramente brilhante de “Vamos resolver tudo favorecendo os mais pobres e criando cotas para negros!”, foi não analisar os fatores históricos e verídicos para a situação.

Todos nós sabemos que o maior motivo histórico para a maioria dos negros brasileiros pertencerem a classes sociais mais baixas se deve aos resquícios da escravidão, que permaneceram pelo país mesmo após 1888. No entanto, ser negro não é causa de não ter estudo, porque a educação gratuita no Brasil, desculpem-me o termo, é uma grande merda. Para quem não participa do dia a dia de uma escola, achar que tudo está melhorando é utopicamente perfeito, ainda mais quando o governo veicula propagandas enganosas na TV, dizendo qualidades do ensino público brasileiro. Uma grande balela, quando você convive com um professor de escola pública e sabe que o incentivo fiscal ao professor nunca mais cresceu, que a preocupação em passar alunos é maior do que ensinar, e que existem superiores demandando aprovação mesmo quando você tem provas de que um aluno não pode desempacar de alguma série.

O problema sede do Brasil é a educação. Os problemas sociais do Brasil estão ancorados na educação. E esse problema precisa ser resolvido desde o plantio da árvore. Tentar enxertar galhos perdidos na copa da árvore nunca resolverá um problema que cresce desde a raiz.

Dizer que não é preconceito estabelecer cotas é um absurdo. Não existe situação mais humilhante e degradante que colocar um indivíduo em frente a uma parede com um tom mínimo de preto que um negro deve ser, para aceitar que ele se declare negro na Universidade de Brasília, por exemplo (pois é, amigos, não minto. Um amigo meu teve que se postar em frente a uma parede de uma determinada tonalidade para verem se ele era mais negro que ela).

Ao povo, tudo cega e tudo está bom. O governo está dando dinheiro aos pobres, aos negros, aos índios e a quem tem filhos. O governo está explorando quem não se encaixa nesses quesitos, partindo de um pressuposto que a vida para nós brancos é muito mais fácil, que nenhum branco sofre dificuldade financeira, e que, portanto, podem entrar em universidades pagas, para deixar as vagas das públicas para os que não podem pagar.

O governo brasileiro está sucateando não só a educação, mas o país como um todo. Está nos fazendo de idiotas, e ficamos parados porque não sabemos mais como agir. Não somos mais fortes contra tanta corrupção e desigualdade em um país só.

Estamos arruinados. Não há mais salvação para o Brasil.

3 comentários:

  1. Se eu fosse negra (ou mais escura que a parede, sei lá), eu teria vergonha de ser chamada de burra desse jeito.

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  2. Toda lei que favorece uns em detrimento de outros é, na melhor das hipóteses, burra.
    Não importa a esfera a que nos referimos, "racial", sexual, ideológica... as pessoas devem ser tratadas como iguais, em direitos e deveres...o resto é demagogia.

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  3. Então, é muito claro que enquanto não houver investimento pesado na educação básica, nada neste país vai melhorar.
    Quando os pobres puderem frequentar uma boa escola pública de ensino fundamental e médio, então terão plenas condições de disputar vagas em universidades em pé de igualdade com ricos.
    Contudo, não temos como negar que esta geração que está aí, prestes a entrar na universidade, é bem desigual e os pobres estão em clara desvantagem.
    Desta forma, acredito que instituir algumas cotas, TEMPORARIAMENTE, é até um preço aceitável a se pagar em prol da isonomia. Mas apenas TEMPORARIAMENTE, pois a educação de base sim precisa ser melhorada!!!
    Entretanto, SOU ABSOLUTAMENTE CONTRA COTAS RACIAIS!
    Sim, sou contra. As cotas são um mal necessário no momento, na minha opinião, mas deveriam se basear no quesito SOCIAL. Assim um negro rico não sairia beneficiado em detrimento de um branco pobre, como eu já vi acontecer.

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