sábado, 21 de abril de 2012

Vampiros de verdade para mulheres de verdade


Por mais que você já tenha lido a série Crepúsculo e até gostado da história, agora a moda é, impreterivelmente, odiar e satirizar a saga até a morte. Eu já prefiro ver a saga com outros olhos e encontrar pontos positivos na história e na audácia da autora, em criar vampiros purpurinas e completamente... virgens.

Hoje vejo muita gente criticando a história, dizendo que qualquer coisa é melhor do que o tema do filme. Sabe o que eu digo? Que você já é maduro o suficiente para gostar de Crepúsculo.

Crepúsculo é uma série adolescente. E, além de adolescente, é uma série totalmente feminina. No início da leitura, a garota se vê presa a uma história em que existe um homem “perfeito” que cuida dela com total zelo e respeito. E enquanto a menina le a história e se perde na narrativa da garota Bella, ela simplesmente não consegue raciocinar que o jeito que o vampiro age chega a ser doentio.

Entendam, pessoas, quem se apaixona por Crepúsculo são adolescentes, não mulheres que conhecem e desejam vampiros de verdade. Adolescentes são as menininhas que sonham com o homem perfeito, mas não mulheres, que preferem um homem filho da p**a que não queira sair da cama sem antes ver sangue.

Confesso que admiro a audácia de Stephenie Meyer em criar vampiros que não são os tradicionalmente conhecidos, em imaginar um mundo de fadas só dela e propagar essa história. Admiro muito mesmo, porque tentar brigar com uma “espécie” tão bem estabelecida e quebrar os dogmas existentes entre lobisomens e vampiros não é para muitos.

Então, se você prefere ver vampiros sedentos por sangue, sem coração, promíscuos e... E, bem, como todo vampiro deve ser, não perca seu tempo lendo Crepúsculo.

Crepúsculo é uma história para aquecer corações de meninas, que estão descobrindo agora o que é amar e ainda acham que homens são príncipes como nos contos de fada e nos clássicos Disney.

Se você já leu e já gostou de Crepúsculo, pare de ser hipócrita e dizer que agora odeia a saga. Existem muitas pessoas que foram levadas a ler mais histórias sobre vampiros depois que leram as obras do vampirinho virgem, e só aí descobriram as grandes obras primas da literatura sobre tal espécie.

Fique feliz, você aí Blood-fag, que graças a essa história infantil, muitas pessoas não deixarão Anne Rice morrer, e sempre conhecerão Lestat, Louis e Armand. Não adianta recriminar um filme infantil se você o analisa com olhos de adulto. Cada história tem um público alvo, e se você odiou Crepúsculo, você não se encaixa nesse grupo.


Agora, não sejam insensatos a ponto de acharem que o filme e o livro são idênticos e por isso tudo é uma droga, porque não são. Se você acha que a mocinha do filme é uma sonsa como a atriz que a interpreta, você está julgando o livro pela capa. A adaptação de Crepúsculo é uma das piores da história, e não deve ser tomada como ponto de partida para você tomar partido.

Portanto, deixem as crianças e adolescentes serem felizes. Deixem que as mulheres que ainda tem esse coração de menina serem felizes. Deixem que elas acreditem que existe um homem perfeito, até que adquiram ciência de que nenhuma mulher gostaria de um homem grudento e perseguidor, afinal. O tempo dirá a elas se o vampiro que elas procuram se esconde em Edward Cullen ou Lestat.

Um comentário:

  1. Crepúsculo não tem nenhuma virtude.

    O máximo que se pode despontar, talvez seja essa tal coragem de criar vampiros fora do conhecido (brilhantinhos e um deles completamente bom-moço - os demais não fogem tanto do estereótipo, vá).

    Ter coragem é uma coisa, ter êxito na empreitada em criar algo interessante é diferente - ela teve êxito de vendas, mas jamais em criar um círculo de vampiros interessante. E o êxito de vendas depreende-se do romance proibido.

    Você disse que a série é feminina, e eu até concordo, mas uma das piores coisas de Crepúsculo é a como, sem querer, a autora criou uma história extremamente conservadora, cristã (!) e extremamente machista.

    Isso sem entrar no mérito da narrativa/literatura/estilo da autora ou das imbecilidades do filme.

    Não sei se só por ser um público adolescente, é normal aceitar uma obra comum pra ruim (todos podem escrever livros, e acho que tem que ser assim).

    Harry Potter por exemplo é um exemplo mil vezes melhor que serve para o mesmo público.

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