sexta-feira, 13 de julho de 2012

O mito da dança do ventre e a barriguinha



Eu e toda bailarina que faz dança do ventre já ouviu o típico jargão de “ai credo, dança do ventre da barriga” – o que é meio contraditório, porque a maioria dos movimentos ondulatórios exige do músculo reto abdominal (vulgo tanquinho) tanto quanto exige uma abdominal na academia – mas só sabe isso quem começa a dançar e fica com aquela dorzinha de ácido lático depois de uma aula intensa de movimentos.

No entanto, acho que esse mito de que a dança do ventre da barriga surgiu justamente porque as mulheres que “tem barriga” fazem dança do ventre. Essa dança, completamente feminina, faz a mulher entender seu corpo, redescobrir seus movimentos e enxergar como eles podem traduzir músicas e emoções com gestos capazes de exprimir uma cultura milenar.

Embora muitos vejam com maus olhos a dança do ventre, devido à sua vulgarização, somente a mulher que faz a dança começa a entender que os movimentos do quadril, dos braços, do corpo são formas de ressaltar a força feminina que existe em cada mulher. A dança permite que você viaje pelo antigo Egito, que sinta o ritual de fertilidade que ela representa... E faz com que você se perca em anos e anos de uma cultura fantástica que sempre encanta a todos.

Talvez seja essa magia da dança que encante todas as mulheres que começam a dançar. Essa magia faz com que nós nos aceitemos do jeitinho que somos... Não importam os quilinhos a mais, a barriga, o culote, o bracinho do tchauzinho. Com a dança, você se redescobre de dentro para fora, e começa a despertar aquele interior que muitas vezes está reprimido por esse complexo de beleza sarado que impera nas mulheres hoje em dia.

Não importam as celulites, nem os músculos um pouco flácidos. Não importa o pneuzinho ou a barriguinha saltada: Você se sente realizada sendo capaz de ouvir uma música e ler as notas com seu corpo. E seu corpo pode ser de qualquer jeito, porque para ser bailarina do ventre, o biotipo não é limitante para que você consiga transformar o seu eu em uma obra de arte ao dançar uma música.

Talvez aprender a gostar de você mesmo com a dança seja o suficiente para muitas se aceitarem com barriguinha mesmo, sem precisar fazer mil abdominais por dia. Talvez a barriguinha tenha vindo antes da dança, mas nós só aprendemos a não nos importar mais com ela depois de descobrir que podemos nos sentir bem mesmo com um corpo não perfeito, porque nos descobrimos mulher acima de tudo.