quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Os brasileiros vão destruir o Brasil


Zé Carioca já ilustrava como eram os humanos que habitavam as terras tupiniquins: Folgadão, sossegadão, sem compromisso algum, aquele que, quando der, eu faço, ou deixa pra depois. E Zé Carioca é velho. – Pra você ver como a situação do Brasil é caótica desde sempre.

Às vezes penso que a “pacificidade” do brasileiro não é bondade, é burrice e preguiça de agir. Um povo que tanto se orgulha dos revolucionários contra a ditadura simplesmente se acomodou a viver como está, aceitando abertamente o jeitinho que o governo dá para as coisas, cegando-se a ponto de achar que são medidas provisórias com objetivo de melhorar a realidade um dia.

Eu acreditaria nessas medidas provisórias, se visse que alguma mudança básica está sendo feita conjuntamente para começar a nivelar um povo por cima, e almejar que, daqui a alguns anos, estejam todos no mesmo grau de inteligência e conhecimento. Mas os defensores cegos das cotas, por exemplo, não conseguem enxergar que o governo toma tais medidas absurdas como meio de tentar melhorar a visão que o mundo tem do Brasil, lá fora, do que tenta realmente melhorar a qualidade da educação no país.

Estamos cegos e acomodados com a política brasileira, que tem se mostrado cada vez mais suja e corrupta, cada vez mais sem jeito ou salvação. Ainda vivemos em uma era de coronelismo disfarçado, onde mandam os ricos, obedecem os que querem preservar a vida ou roubar em conjunto, e onde quem se f**e é a população em geral, os “Zé ninguéns” aqui do baixo escalão social.

Estamos cegos com o fanatismo fervoroso pela política, que cegou os brasileiros de tal forma que muitos só conseguem enxergar a política como uma dualidade única entre um partido que chamam direita, e um outro de esquerda, que tem de esquerda só a ideologia do papel. E esse bando de cegos, desprovidos de capacidade intelectual e de questionamento, acreditam fervorosamente que há uma diferença lógica e existente entre os dois partidos, e por isso a cor vermelha não pode se misturar ao azul e amarelo, ou são completamente diferentes.

A meu ver, essa dualidade permanente na cabeça dos brasileiros só prova que, embora a luta de nossos pais, tios e avós tenha sido árdua e tenha derrubado a ditadura, nossa mentalidade continua retrógrada e presa àquela dualidade fictícia das décadas de 1960 a 1980. Votamos achando que estamos escolhendo um candidato, mas o fanatismo nos faz enxergar um partido, e o que existe por trás dele é inquestionável.

A meu ver, estamos acomodados, vendo que tudo vai terminar em uma grande merda, mas vamos esperar acontecer pra fazer alguma coisa, porque ainda apostamos que o SE seja maior que a afirmativa. Vamos aceitar as cotas, porque vai que o governo melhore a educação brasileira. Vamos aceitar os mensalões, porque vai que seja tudo mentira e obra da oposição. Vamos aceitar a corrupção dos políticos, porque vai que eles decidam tomar alguma medida que nos ajude de alguma forma...

E nessa onda de “ah, tudo bem assim, vamos ver no que vai dar”, o brasileiro aceita discriminadamente que as autoridades se valham de títulos para sambarem em cima do dinheiro da população. Fechamos os olhos para os políticos que acham que as leis se aplicam aos outros, mas não a eles; aos policiais, que multam um cidadão pela falta do cinto de segurança, mas nunca o estão utilizando; aos governantes, que exibem o título de trabalhador pela sociedade como uma profissão, e recebem demais para trabalhar demais.

E vamos nos cegando cada vez mais, do jeitinho que desejam os mandachuva lá de cima – porque um dia, quando ninguém mais enxergar, qualquer guia vai servir. E vai que esse guia seja bom e mude o que não mudamos quando ainda era tempo.