terça-feira, 11 de setembro de 2012

Doutor é quem tem doutorazzzZZzz...



Estou um pouco incomodada com minha, talvez, falta de valorização de minha próxima titulação, mas diante dessa onda de tanto criticar o título de doutor, que virou quase um pronome de tratamento, tenho visto que praticamente só eu não me importo em dividir esse título com alguém que não fez um doutorado propriamente dito.

Vejo pessoas esbravejando, dizendo que é um atrevimento os médicos e advogados serem chamados de doutores... Vejo pessoal divulgando alguma lei perdida nesse mundo sem leis dizendo que utilizar o título de doutor é impróprio, e fico pensando se só eu entendo o “Doutor” ao médico e ao advogado mais como um pronome de tratamento do que como um título acadêmico.

Antes de entrar na universidade, eu sustentava essa opinião de que médico algum deveria ter a audácia de se intitular “doutor”, sendo que residência médica não caracteriza doutorado. Mas aí, dentro do meio acadêmico, você descobre que pouco importa o título que você carrega se você é um péssimo profissional. Até agora, já conheci muitos doutores e PhD’s em diversas áreas muito mais cretinos do que um próprio mestre, ou do que um próprio médico ou advogado, como queiram.

Sei que muitos levantam a bandeira de suas pós-graduações como troféus que devem ficar cintilando em uma prateleira, mas esse povo esquece que quanto maior a sua especialização acadêmica, menor seu conhecimento específico em uma determinada área.  Logo, de que adianta ser doutor, PhD em biologia molecular, se você não sabe nada de ética e convivência social? Almejar esse título de doutor vale alguma coisa, realmente?

Ainda sou mestranda, talvez eu faça doutorado, talvez não, mas acho pequenez demais se prender a um título para definir sua competência profissional. Implicar com um médico, que não fez doutorado, porque ele é chamado de doutor é muita falta de confiança na própria capacidade. Não me sinto inferiorizada e nem igualada a um médico porque somos ou seremos chamados de doutores: Eles sabem mais de um assunto, eu sei de outro... E se eu o chamo de doutor, o chamo por um sinal de respeito, porque pra mim doutor sempre foi sinônimo de médico - como um pronome de tratamento mesmo - e nunca foi uma exclusividade acadêmica.

Não trato meus amigos ou professores doutores por doutores, e não me sinto desrespeitosa a eles por conta disso. Não me importo em me denominar doutora em algum lugar, porque tenho um doutorado. Esse título não vai mudar quem eu sou, e o respeito que as pessoas tem ou terão por mim não estará diretamente relacionado a três letrinhas antes do meu nome em um cartão ou em um avental.

Meu respeito por um profissional vai mundo além de um título ou de uma palavra qualquer. E para mim, tanto faz se quem eu chamo de doutor realmente fez ou não um doutorado acadêmico. A valorização do trabalho de alguém está muito, MUITO além disso.