quinta-feira, 28 de novembro de 2019

2019: O ano que não engravidei



Um ano de espera para cicatrizar a cesárea. Foi o que pediram os médicos antes de eu tentar engravidar novamente. A ânsia para tentar preencher o vazio que ficou reacendeu quando 2019 começou. Eu tinha certeza que tinha conseguido logo no primeiro mês. Não tinha como não dar certo: meu ciclo estava regulado, cuidei certinho da tabelinha, eu sabia quando tinha ovulado… Fiz até o teste um dia antes do previsto para descer a menstruação. Negativo. Um dia depois, sangue.

Não deu certo em janeiro, nem fevereiro… Nem depois, nem depois do depois. Em outubro, minha menstruação atrasou dois dias. Apesar das improbabilidades, fiquei na ânsia de ter sido pega de surpresa. Era mentira. Desceu.

Não conseguir engravidar quando se quer da uma sensação de impotência. Tomar consciência de que você não tem controle do seu próprio corpo da uma sensação de tristeza. E de impotência. Você acha que sabe tudo, de estatísticas a fisiologia, você não ve como não dar certo. E não da certo. Você não controla nada, não decide nada. Você se sente derrotada.

Às vezes eu acho que nunca vou conseguir. Que meu tempo está passando e eu estou desperdiçando as oportunidades. Eu tenho medo de entrar em menopausa precoce - tenho histórico na família. E tomar consciência de que você só tem 12 chances de engravidar por ano parece que abre um abismo no seu chão. De repente passou mais um ano e você perdeu 12 chances.

E no ano que você tinha certeza que seria seu, todas à sua volta engravidam. Você não tem uma ou duas amigas grávidas. Você tem cinco, seis… Você tem uma amiga que deu o nome da sua filha à filha dela. É uma prova de fogo tentar se manter sã. É difícil sorrir e não pensar "e eu? Por que eu não consegui?".

Eu sei que não tenho culpa. Não é sentimento de culpa. É de tristeza. De impotência. Por que meu corpo entrou em colapso? Por que minha placenta não se formou direito? Por que, se ninguém na família teve pré-eclâmpsia antes? Por quê?

No começo, eu queria que ela voltasse. "Será que um ano no plano espiritual é o suficiente pra ela se recuperar do trauma e voltar?". Hoje eu já não cultivo esperanças sobre o que não sei. Eu só queria ser mãe. Completar o ciclo. Me sentir completa e competente de gerar meu filho até o fim, de trazer à luz uma criança que ficaria. Mas volta essa sensação de impotência. Às vezes até de incompetência. E o tempo passa.

Eu não quero ouvir que "Deus sabe o que faz", nem que "tudo tem a sua hora, se não deu certo é porque ainda não é a hora". Esses clichês não me consolam mais. Eles geram uma certa indignação: Por que eu não consigo?! Por que todo mundo, mas não eu? Por que quando eu não queria veio no primeiro deslize e agora que eu tento todo mês no período certo, não vem? Por quê???

2019. Eu achava que esse ano seria o meu ano.

Hoje eu nem sei mais se algum ano será o meu ano, enfim.

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