sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que parei de ver novelas




Há tempos não pego pra seguir uma novela do começo ao fim. Na verdade, raramente uma novela tem conseguido manter minha atenção por mais de uma semana.

Obviamente, falando-se de novelas, falamos aqui de obras “globais”, já que a emissora é a grande produtora do maior passatempo brasileiro. E falando-se em obras globais, caímos nas reticências de serem elas sempre produzidas pelos mesmos autores.

Meu desgosto pelas tramas começa por aí: Pelos autores. Não tenho mais saco para Manoel Carlos porque não suporto mais ver Helenas. Eu sei que ele tem uma tara por Helena e sempre vai fazer uma viver o papel de “mulher politicamente correta que sofre de amor, mas ajuda a todos e morre pelos outros” em cada uma de suas obras, mas é algo que já deu no saco. Depois do triângulo amoroso entre mãe-filha-bonitão em “Laços de Família”, todas as que se seguiram foram adaptações de enredo. Mas não é só de Manoel Carlos que vivem as novelas, e Sílvio de Abreu também participa consideravelmente das obras que rodam na telinha depois do “Boa Noite” do tio Bonner. Embora mais intrigantes e cheias de maquiavelismo, as novelas de Sílvio de Abreu também caíram todas na mesmice de haver sempre um personagem que irá querer se vingar de toda forma de um outro, e você só vai vê-lo sofrer ou morrer no final.

No entanto, se meu desânimo para acompanhar histórias escritas pelos outros se baseasse somente no quesito “os outros – os que escrevem”, eu me sentiria mais motivada a tentar sempre esperar alguma novidade em cada nova obra. Outro grande defeito, além de copiar o enredo e mudar uma migalha, a meu ver, é o autor discorrer a escrita da trama enquanto o público vai apreciando ou não determinados personagens. Isso, para mim, é falta de personalidade do autor, que idealizou um personagem com outro no começo da história, mas inverte o final feliz porque o público se apegou mais ao personagem que roubou a mocinha do mocinho (vide “Caminho das Índias”, em que o bonitão Raje roubou o coração das brasileiras e deu um chega pra lá em Márcio Garcia, que virou o chato da novela), do que ao personagem que, a princípio, seria o principal.

O elenco também exerce um forte fator de agrado nas novelas: Eu não vejo novelas que misturam Marcos Pasquim, Daniele Winits e coisas do gênero. Sempre que esse elenco é selecionado, o humor é pastelão, apelativo e enojativo (o enjoativo saiu digitado errado e o neologismo ficou perfeitamente encaixado).

Errar no nome da novela também tem sido o maior acerto dos escritores brasileiros. Ainda hoje eu me pergunto como uma novela que tinha como objetivo principal (isso, tinha, porque obviamente não deu certo) misturar dinossauros e robôs (!), pode se chamar “Morde e Assopra”. Coisas do gênero como “Cobras e Lagartos” também estão no “Top Five” dos títulos furrecas das novelas – que, convenhamos, sempre saem em primeiro lugar para as das 19h.

Somando essa coletânea de erros, eu decidi que é mais saudável e menos estressante não ver novela. Quando vejo, critico a personagem, a trama, o nome, o enredo, o elenco, o... tudo! Critico porque gosto das histórias que foram planejadas com começo, meio e fim, como num bom livro ou mesmo em um bom filme. Critico porque não gosto do autor dar um tiro inicial e esperar a opinião do público para dar sequência à história.

Eu sinto falta das boas histórias de antigamente que tinham tudo definido antes de começar a transmissão. A desenvoltura da trama poderia ser alongada ou diminuída, mas os fatos já estavam definidos, e os meios sempre levavam ao mesmo fim.

Talvez seja finalmente o fim da era das boas novelas brasileiras. Talvez os escritores estejam precisando somente ser trocados ou atualizados. Talvez seja só isso. Mas eu não continuarei acompanhando para ver quando essa mesmice realmente vai mudar, porque eu acredito que não será tão cedo.

Mocinho mata o vilão, casa e tem um filho com a mocinha e... Fim!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aprendendo a viver


Um dia, há tempos, fui apresentada a esse poema que dizem ser de Shakespeare. Não sei se realmente o é, mas se for de algum outro autor, isso realmente não importa. O que importam são as mensagens em cada um dos versos.

Eu nunca fui muito fácil de lidar: Embora eu consiga ser comunicativa, eu sou uma pessoa difícil, e erro constantemente... Eu tento aprender com minhas falhas, mas eu sempre ajo de alguma maneira errada. Sempre tento pensar demais em todos os lados da questão, mas nunca acerto nas decisões.

Já sofri muito com isso, já perdi amigos, mas já ganhei outros que levarei comigo para a vida inteira.

Queria compartilhar com vocês esse poema, chamado “Aprendendo a viver”. É uma obra que torna mais fácil você compreender como são as outras pessoas, e como é você mesmo. Essa compreensão me fez entender muito como algumas pessoas pensam. Acredito que por conta dessas palavras, eu aprendi a observar mais o ser humano e ser mais imparcial em minhas decisões.

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa se apoiar, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa que você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-la de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais,
Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la e, que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que os bons amigos foram a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influencia sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas aonde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidades, pois não importa quão frágil seja a situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajuda a se levantar.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você, do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se elas acreditassem nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te da o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe, depois de pensar que não se pode mais.
Aprende que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O preconceito está na SUA mente [2]


Dando uma outra vertente ao meu outro texto, “O preconceito está na SUA mente”, venho agora criticar algo que está me remoendo desde o começo dessa semana, quando vi uma reportagem no Estado de São Paulo sobre um tal de “Orgulho Hetero”.

Antes que me atinjam com pedras, deixo claro aqui que não tenho nenhum preconceito contra homossexuais ou pessoas de outra etnia, porque é pequenez demais se importar com a vida dos outros, e é pequenez demais se achar superior a alguém por produzir mais melanina que outra pessoa.

Só trago aqui uma crítica minha a respeito das críticas que todos estão fazendo sobre o tal do “Orgulho Hetero”. Sinceramente, eu não vejo nada demais alguém sentir orgulho do que é: Branco, negro, amarelo, vermelho, rei, capitão, soldado ou ladrão [mocinho bonito do meu coração].

Analisando criticamente essa aversão ao dia do orgulho hetero, posso dizer que hoje em dia qualquer besteira é motivo para o mundo te achar preconceituoso, quando na verdade você só está expressando quem você é. Se opor ao orgulho hetero é ter preconceito contra as pessoas que se sentem orgulho de ser heterossexuais.

Se você se livrar da sua opinião e tentar analisar a questão imparcialmente, vai ver que não há fundamentos em criticarem as pessoas adeptas ao dia do orgulho hetero.

Hoje em dia, se você disser que gosta de ser branco, você é taxado de racista. Se você usar uma camisa escrita “100% branco”, vai preso por racismo explícito – Ridículo; Se você disser que sente orgulho em ser heterossexual, vão te criticar porque só homossexual pode ter orgulho de ser homossexual. Por quê? Ser homossexual é ser diferente do normal, e isso dá direito a se sentir orgulhoso? 

Sinto muito, amigo, eu não trato homossexuais como pessoas diferentes. Para mim, todo mundo é normal, porque cada um escolhe o seu padrão de vida e aquilo é o que lhe faz bem. Agora, se vocês brigam tanto por igualdade e por falta de discriminação, parem para analisar como está ficando doentia essa maneira de achar que vocês são diferentes.

Não adianta brigar por igualdade quando o sentimento de diferença está em você. Se você se acha diferente do resto, não há direitos e leis na constituição brasileira que irão te encaixar na sociedade como apenas “mais um ser humano”.

A partir do momento que vocês se acham no direito de criticar as pessoas que ainda são a maioria [branco, heterossexual, essas coisas] só porque eles também sentem orgulho de ser o que são, vocês perdem toda a razão de brigar por uma causa de igualdade, porque você não quer se sentir normal, você quer ser taxado como diferente, mas não aceita que outros digam isso a você.