sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desabafo de uma celíaca: Parte 05.

Não queria que meu último post de fosse um esporro, mas depois de hoje, vai ser!

Estou do saco cheio dessa doença! E não é pela “dificuldade” de lidar com ela em si, mas pela falta de paciência de lidar com as pessoas que fingem não entender a minha condição! Não entendo a dificuldade de você falar uma vez “eu não posso comer glúten”, e a pessoa virar pra você e perguntar “mas nem um pedacinho??”.

Não, eu não posso comer NEM UM PEDACINHO! E isso não me incomoda. O que me incomoda é todo mundo olhando pra mim, com carinha de dó, como se eu fosse uma coitadinha por não poder comer a porcaria do glúten. Dá licença?! Eu não me importo com isso, e pra mim é muito fácil “fugir” das tentações, mas o incômodo das pessoas me irrita profundamente.

Entendo que todos querem agradar, perguntando uma lista de coisas que poderiam oferecer pra eu comer, mas minha vontade é de dizer: Não me ofereça NADA! Eu já comi. PONTO.

Festas em família tem se tornado um martírio por causa disso. Eu vou ciente de que tudo vai ter glúten: Salgadinhos, milhares de coisas temperadas com sazon, caldos knorr e bla bla bla. Mas as pessoas sentem uma necessidade de sempre perguntar se eu não posso comer, como se de uma semana para a outra a minha doença tivesse se extinguido.

E o pior ainda não é isso. É chegar uma pessoa totalmente próxima a você – aquela que sabe de tudo da sua doença, a que mais deveria compreender a sua situação e a que mais deveria apoiar a sua fidelidade à dieta – e dizer que você está levando essa história de glúten a sério demais, que é tudo coisa da sua cabeça!

Entendam, estou puta! Maldita hora que soube que celíaca eu só terei certeza de que sou se fizer a merda da biópsia. Eu sei que SOU INTOLERANTE ao glúten, e que se comer vou passar mal, sendo celíaca ou não – mas é decepcionante você ouvir sua mãe virar para você e dizer que o excesso de cuidado é neurose. DEPOIS DE UM ANO LUTANDO CONTRA ESSA DROGA DESSA PROTEÍNA!!!

Perdi totalmente o desejo de festejar em família. Simplesmente perdi. Sinto falta do meu cantinho em Botucatu, onde eu como tudo o que sei que posso e não tem ninguém metendo o bedelho na minha alimentação, nem me criticando por achar que minha doença é psicológica.

Como eu já disse uma vez: Essa droga dessa doença ACABOU com a pouca vida social que eu tinha. Eu perco a vontade de sair só por pensar que vou ter que explicar e re-explicar tudo de novo pra alguém quando não pedir uma batata frita porque ela foi frita no mesmo óleo que algo empanado. Eu perco a vontade de comer fora de casa pelo mesmo motivo. E eu perco a paciência com o deboche que os outros fazem da minha rigidez à dieta. Não, pessoal – EU NÃO POSSO COMER NEM UM POUQUINHO, NEM UMA MORDIDINHA, NEM NADA! Eu poderia comer 20ppm de glúten – e você tem noção de que isso significa 20 MILIGRAMAS de glúten em UM QUILOGRAMA de alimento? Pois é!

Um ano depois, e não sabem respeitar minha doença. E me criticam porque eu a respeito. Eu mereço. 

#Feliz_2011

sábado, 25 de dezembro de 2010

A Magia do Natal


Nesse natal só peço uma coisa a todos os pais do mundo:

Não deixem morrer a bela ilusão de uma criança que acredita em papai noel. Não sejam cretinos como esse pai aqui que ensina uma criancinha de, o quê? Três anos? A dizer que papai noel é um "porco capitalista". Porco capitalista é o pai que compra os presentes, e não a simbologia do bom velhinho alegrando as crianças.

E não me venham com essa de que papai noel é pedófilo e tem tendências pedófilas. Para mim, papai noel sempre pareceu ser uma figura paternal. Por que deturpam tanto essa imagem?!

Deixem as crianças serem felizes e acreditarem que em algum lugar no mundo mora um velhinho que ama crianças e se importa com elas todos os natais.

Feliz Natal a todos!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

I've lost all my hopes by now...


Dizem a genética, o sociólogo, o filósofo, o biólogo e todo mundo que você conhece que o homem é o animal mais evoluído do planeta, tanto que nem o chamam mais de animal – sempre que há alguma generalização em algum livro ou texto, os termos são sempre “blá blá bla, os animais e o homem”. 

Talvez para os autores desses textos, ser chamado de animal é uma ofensa. Pra mim não é. Filogeneticamente, eu sou, e assumo, um animal. Mamífero, mais especificamente falando. Agora, não me venha com esse papo de evolução intelectual que eu não compro. Nessa parte, pra mim, o homem é o bicho mais primitivo e cretino que existe. 

O homem manipula as emoções: As próprias e as dos outros. O homem se faz chorar porque tira as próprias conclusões antes de perguntar aos outros o que realmente aconteceu – faz os outros chorarem porque não pensa nos outros quando vai agir. 

O homem é malicioso e egoísta: Cria intrigas mentais e sociais para desestabilizar qualquer relação amigável que exista entre dois seres humanos. O homem se acha tão evoluído que esquece que o universo não tem centro, e começa a pensar que o próprio umbigo tem toda a força gravitacional para o mundo girar à sua volta.

O homem é mau. Finge que gosta das pessoas, mas apunhala pelas costas os “amigos” na primeira oportunidade que encontra.

E dentre os homens, a pior raça é a feminina. Eu sou mulher e me incluo (em partes, senão esse jeito de ser da maioria não me irritaria) nessa definição: Mulher é o ser mais vil, mentiroso, falso e hipócrita que pisa na Terra de hoje. Desculpa, não se ofenda. É verdade.

Mulher sorri pra você, querendo te matar; Mulher te elogia, mas pensa que você está parecendo uma puta; Mulher olha pra você com ternura, mas no fundo deseja que você se ferre! Mulher é falsa, não mede consequências para conseguir o que quer; Não mede esforços e não liga quem vai ficar por baixo para ela conseguir chegar onde quer.

Quando eu digo que perdi a fé na humanidade, as pessoas olham pra mim com espanto e dizem “Noooossa, como você é amarga”. Não sou, sinto muito. Eu vejo o mundo se perdendo em hipocrisia e tenho coragem de falar. Se você não tem, não é problema meu. Mas pare e olhe a seu redor: Diga se você conhece alguém que não seja mau, vil, hipócrita, falso, mentiroso, perigoso... E não me venha com papo de deus ou Jesus porque estou falando de gente viva – e deus nem se enquadra no quesito gente, anyway.

Sei que o ano de 2010 foi o ano de comer o pão que o diabo amassou. E ainda faltam 21 dias para acabar esse ano maldito.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desabafo de uma celíaca: Parte 04.

Acho que nunca comi tão bem em minha vida. – O que a falta de opção não faz, né? Frutas, verduras, sucos... Tudo para não comer macarrão, pão ou tomar refrigerante.

Estou me sentindo bem com isso tudo. Ando cozinhando e inventando comidas, aprimorando receitas e testando coisas novas. Fiz panetone, faço pães (êêê! Parei de comprar pães!!!) e não uso mais nenhum temperinho gostosinho que deixa a comida saborosa. Mas não faz falta.

Só ando frustrada com a quantidade de coisas que não eram pra ter glúten e tem. E com a quantidade de empresas que estão se convertendo para o mal, preferindo colocar que tem glúten numa embalagem a diminuir a contaminação cruzada dos alimentos que produz.

Hoje li uma tese de um rapaz lá da USP, e a pesquisa dele foi sobre quantidade de glúten nos alimentos que, teoricamente, seriam glúten free naturalmente, nos alimentos sem glúten industrializados e nos alimentos com glúten. Os resultados dele mostraram que os alimentos sem glúten (industrializados E naturais) tem contaminação da bendita/maldita proteína. 

Pra não entrar em depressão, o pensamento do meu professor me consola: Tese sem publicação (em artigo científico) não tem validade no âmbito de pesquisa mundial. Logo, não vi nenhum anexo de artigo na tese do rapaz, e não entrei no PubMed pra procurar o nome dele. Mas o cara é da USP, deve ter publicado algo...

Enfim! Sei que cansei dessa vida de preocupações. Sei que tenho a doença, e não vou voltar a comer coisas que sei que tem glúten. Mas eu não posso parar de viver toda vez que for comprar um saco de farinha e pensar “uhnn... Quanto de glúten será que tem nesse lote?”. Eu não passo mal com as coisas que compro e que tem um teor significante de glúten, e sei que vou morrer algum dia. Logo, não vou ficar me preocupando se vou morrer de câncer no intestino, no estômago, se vai ser infarto, aneurisma ou falência múltipla dos órgãos. Essa vida aqui na Terra acaba uma hora, e não me considero suicida por comer alimentos que contenham mais de 6ppm de glúten.

Agora o negócio é o natal. Vou fornecer panetone pra família toda, vou fazer bolo e proibir qualquer um de usar farinha de rosca, caldos Knorr ou qualquer outra coisa que tenha glúten.

Primeiro (de muitos, espero) natal glúten free, aqui vamos nós!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

T.O.C.

Você já parou pra pensar que as coisas são muito mais sujas do que você pensa que são? – Eu não to falando das bacteriazinhas que ficam na sua tábua de carne ou passeiam pela sua escova de dente, porque bicho que faz parte da sua flora (e fauna, vai saber) normal não conta como contaminação.

Mas você já parou pra pensar como é nojento um simples carrinho de supermercado, onde você apóia todas as comidas que você está comprando? Já pensou que, assim como um corrimão de escada rolante, centenas de pessoas já pegaram ali sem lavar as mãos, ou espirraram e logo em seguida colocaram as mãos ali, ou coçaram o cachorro, gato, papagaio... Você já pensou que um homem que foi ao banheiro e não lavou as mãos já pegou num carrinho de supermercado ou segurou no corrimão da escada rolante que você estava segurando?

E quando você vai a algum açougue ou padaria, e o atendente, com a mesma mão que pega sua carne, seu queijo, presunto ou salame já atendeu um telefone, pegou o troco do dinheiro para te dar, coçou a cabeça num momento de canseira e logo em seguida chegou um cliente, e ele voltou ao trabalho sem ter tempo para desinfetar os dedos?

Não tem horas que você os micróbios pulando, fazendo festa, gritando e infestando tudo onde todos tocam?

Pois é.

E você já morreu por ter feito alguma dessas coisas aí acima?

Nem eu. Ainda.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Uma crítica aos musicais brasileiros...

Teatro Abril - SP

Que sou apaixonada por música e musicais, todos sabem. E sabem também que infelizmente não pude ir a muitas peças – São Paulo é mais cara do que longe, e os precinhos dos teatros também são salgadinhos – embora compensem.

De qualquer forma, fico feliz em ver que, principalmente depois de “O Fantasma da Ópera”, o cenário musical dos teatros paulistanos tenha dividido coxias com orquestras.

Devo admitir que quando fui ver “O Fantasma”, fui com um pé atrás. Primeiro porque nunca havia ido a um musical, e segundo porque temia a tradução das letras. Encontrar uma adaptação tão perfeita e fiel às partituras originais foi uma grande emoção. Não sabia que existiam letristas tão bom no Brasil.

Hoje, mudei minha opinião sobre os musicais serem no idioma original. Depois que se assiste a um musical adaptado, não há como conceber a idéia de se fazer um musical em inglês ou francês ou qualquer outra língua. Um musical em português transporta o público para dentro da história, e você, ali sentado na platéia, consegue viver a história sem precisar se preocupar em entender sotaques ou idiomas estranhos.

No entanto, com tantas adaptações, ainda vejo um grande defeito nas obras “brasileiras”. Um pecado sem perdão, eu diria: Não comercializar as canções adaptadas para os musicais. Acho um absurdo não venderem CD’s com as músicas em português – é como se deixassem a história morrer depois que termina a temporada do musical. Por mais que você ame uma peça adaptada, ela se perde quando você não pode mais ouvir as músicas que a entoaram – e você volta então a ouvir no idioma original (geralmente em inglês), para manter consigo pelo menos a história.

Notei este pecado quando fui ver “O Fantasma”, vi que ele se repetiu em “Cats” e sinto que ele permanecerá em “Mamma Mia!”.

Poxa vida, pessoal que organiza os musicais brasileiros: Não nos deixem novamente sem a trilha sonora do musical depois que ele acabar! As músicas ficam lindas, as adaptações, perfeitas. Por que vocês não comercializam um álbum com as canções?

Eu sei que “Mamma Mia!” já foi gravado em outros idiomas – como espanhol. Vocês acham que o povo brasileiro também não tem sede dessas músicas? Acham que nós não queremos relembrar a história para sempre, e cantar as canções toda vez que bater uma saudade?

Por favor, produção! Não pequem novamente. Façam como o pessoal da “Noviça Rebelde”, que disponibilizou o áudio do musical: FAÇAM UMA VERSÃO DE ESTÚDIO DE MAMMA MIA! - E aproveitem e gravem uma do fantasma também. Muitas chorariam novamente pelo fantasma. Eu adoraria reviver aquela história de amor que não pôde dar certo.

E lembrem-se: Sim, nós compraremos o CD. Só tenham um mínimo de noção quando forem dar um preço a ele.

PS* Para mim, o Teatro Abril é o centro de musicais do Brasil (embora não o único), por isso ilustro esse post com uma foto da fachada do teatro.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E quando a juventude é alcoólatra...

Há quem diga que a juventude está perdida. Tem horas que eu acho a mesma coisa... Quando paro para reparar em como os jovens adolescentes e jovens adultos levam suas vidas hoje em dia, sempre me certifico de que os valores se perderam pelo caminho de alguma forma...

Hoje em dia, festas, reuniões de amigos, saídas à noite ou qualquer encontro que envolva mais de duas pessoas virou sinônimo de encher a cara. Todos saem com o intuito de beber, como se abusar do álcool fosse uma maneira de provar que se é adulto, que consegue resistir cada vez mais a doses maiores.

Não sei quando foi que os homens perderam a coragem de dizer e agir como pensam naturalmente, para terem que apelar para uma inibição alcoólica de seus desejos reprimidos para conseguirem expor como realmente são – mas foi isso que aconteceu com a facilidade de se comprar bebidas alcoólicas e a variedade de se arrumar uma desculpa pra beber.

Não sou careta a ponto de não beber. Adoro alguns drinks, vinhos, batidas e licores – mas bebo pouco porque sei meus limites... E a única vez que tentei desafiá-los, detonei o meu fígado e tive uma ressaca memorável.

Não vejo a graça em sair com os amigos e ficar bebendo, bebendo e bebendo, como se nosso organismo fosse movido a álcool e a competição de quem bebe mais fosse uma prova que todos devessem fazer para provarem que conseguem ser fortes. Nunca entendi a graça de beber até banhar todas as células do organismo em álcool e depois sair contando aos amigos que ficou bêbado, caiu, vomitou, entrou em coma alcoólico – como se fosse um troféu a ser erguido.

Podem me chamar de antiquada, de certinha... Não me considero certinha – apenas conheço meus limites e sei – agora como uma boa biomédica – de todos os males que um porre de álcool faz ao organismo. Não tenho intenção de acabar com meu fígado para ficar rindo como bêbada, sendo que eu já o estrago de diversas outras formas.

Sei que cada vez que vejo um grupo de amigos bebendo incontrolavelmente, com o objetivo de se atingir as alturas e ficar chapado, paro e penso que realmente sou uma perdida nesse mundo – porque eu não sou assim, não vejo graça em ser assim e nunca quis ser assim... Mas são poucas as pessoas que também pensam como eu, então eu fico isolada em um mundo habitado por pouquíssimas pessoas, compartilho as mesmas idéias com quase ninguém e... Justamente por isso, fico me perguntando: “Meu deus, o que aconteceu com a humanidade?”.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A vida em uma bolha


Hoje passei a tarde inteira (sim, literalmente), na sala de espera de um consultório, esperando ser atendida por um médico. Fui consultar para fazer o controle da minha doença, mas o médico é imunologista pediatra também... Então estava cheeeio de pirralhos por lá.

E num consultório de imunologista, você vai encontrar só gente cheia de alergias... E eu passei meu tempo lá, pensando na hipótese da higiene – que se confirmou - óbvio.

Eu estava lá sentada, chegou uma mãe com duas crianças, a menininha foi sentar no chão, e a mãe se esguela: “Não, filha!! Aí, não! O chão é sujo!” – E a menina levanta do chão, com as mãozinhas penduradas, como se estivessem infectadas com micróbios assassinos e devoradores de carne humana. Foi lavar as mãos, a coitada...

Nisso, depois de duas horas, chega uma tia com o sobrinho – bebê fofo, de um ano. O menino começou a se divertir... Andar de um lado pro outro, cair no chão, engatinhar... E a tia enlouquecendo, falando “Levanta do chão!! O Chão é sujo!! Vou ter que passar álcool na sua mão quando chegar em casa... Ai meu deus!”.

E eu me segurando pra não falar - “Minha senhora, quando mais sujo ele ficar, menos problemas com alergia ele vai ter!”

Então parei pra pensar: Não foi à toa que passei 4 horas na sala de espera de um consultório médico. Com essas mães que cuidam de seus filhos à base de antibióticos, sabonetes antissépticos e nojo da poeira do chão, pra que existir sistema imune, não é?!

Depois reclamam que o filho tem bronquite, asma, alergia respiratória, rinite... Não deixam a criança criar imunidade a nada!

Minha mãe não me criou numa bolha, não ficou neurótica mandando eu lavar a mão o tempo todo, nunca comprou sabonete antisséptico pra me dar banho... E eu já sou cheia de problemas! Se ela tivesse me criado como se o mundo fosse imundo, hoje eu não iria poder comer nem ovo!

É... Consultório de pediatra serve pra você aprender “como não criar o seu filho”... rs

domingo, 24 de outubro de 2010

Coitado do português...

De que adianta um país de analfabetos fazer reforma ortográfica se nem acentuar as palavras as pessoas sabem direito?

Olha, de todos os erros que vejo no dia a dia, o campeão disparado é o “a”.

Quando é pra ser , do verbo haver, as pessoas adoram esquecer o H, quando não pioram colocando um acento agudo, pra deixar mais bonito.

Quando é pra ser preposição, o povo fica naquela dúvida: Tem crase ou não tem? Daí vem a lambança. É ha (sem acento mesmo), á (nossa, esse é campeão!), há...

Quando é pra ser artigo, o povo acha que é preposição, e viaja do mesmo jeito, colocando acento pra tudo quanto é lado. Pra indicar se um número vai de X a Y, geralmente enfiam o acento agudo também.

Gente, pelo amor de deus! “A” COM ACENTO AGUDO (á) SOZINHO NÃO EXISTE!!!

O pior de tudo é que vi num congresso, esses dias, uma apresentação de uma professora super graduada, cheia de renomes, e... No meio de um slide, em vermelho gritante, para todos verem, estava lá: ALGUMA COISA Á ALGUMA COISA. Se existe uma coisa que faça cair o conceito de uma pessoa pra mim, é esse erro crasso de português. Porque, puta merda! Se tá na dúvida se tem acento ou se não tem, deixa sem que é mais bonito. Mas inventar um “á” ou confundir verbo com preposição ou artigo é demais, né, gente?!

O que custa escrever certo? Se tem dúvida, procure e aprenda! É só digitar “á” no Google que ele vai te dizer “Você quis dizer “à”?” e tudo fica mais bonito.

Para o bem estar da nação, APRENDAM A ACENTUAR AS PALAVRAS. É o mínimo que qualquer brasileiro precisa saber da língua portuguesa. Só depois de conseguir descobrir que “a” você usa, preocupe-se em saber se micro-ondas escreve tudo junto ou separado na nova (patética) ortografia brasileira.

sábado, 16 de outubro de 2010

Você vota aí, que eu voto aqui, tá bem?!

Nojo. É o que define meu sentimento para com a política brasileira. E falta de paciência é o que tenho em relação a fanáticos políticos. Não aguento mais os petistas chamando o Serra de burguês, tucano, privatizador ou qualquer outra merda. Não aguento mais os PSDBistas chamando o PT de revolucionários, guerrilheiros ou o que quer que seja.

Gostar do PT, eu nunca gostei. Particularmente, essa é a minha opinião. Mas aprendi, nos últimos tempos, a tentar sempre enxergar os dois lados de todas as histórias, e isso me fez pegar uma aversão ao PSBD, principalmente pelas propagandas eleitorais de baixo nível que tem sido veiculadas na televisão.


Cansei das pessoas dizendo “A Dilma é a melhor representante para o país porque....”, ou do Serra levantando a bandeira dos genéricos. Cadê o respeito à opção de cada um votar em quem quiser? Um petista acha milhões de bons motivos para a Dilma ser presidenta, mas esses motivos não são e nunca serão os mesmos de um PSDBista.

E essa história agora de meter religião no meio dos debates. Vão para o inferno, vocês dois, partidos opostos só na ideologia! O Brasil ERA pra ser um estado laico, então não me venham com discussão religiosa para apoiar o aborto, não metam Jesus no meio e nem fiquem ostentando o apoio de evangélicos.

Parem de dançar conforme a música! Por acaso vocês dois - candidatos que deixam a população brasileira pensar “Puta merda! Que falta de opção!”- não tem personalidade própria?! Se perguntarem sobre aborto, ficam assinando carta sobre o assunto pra declarar opinião; Se o assunto é privatização, só discutem isso. Vocês não sabem manter uma campanha eleitoral própria, com caráter pessoal e uniforme? Só sabem ficar falando sobre o que é o sensacionalismo do momento?!

E também já cansei dessa disputa bipartidária que toma conta do Brasil há anos, quase décadas. Vocês aí, que defendem taaaaanto a democracia e a liberdade de voto, já pararam pra pensar que há muito tempo, tanto em eleições municipais, quanto em estaduais e federais, nós voltamos à estaca zero? Que os dois únicos partidos que se sobressaem (e que a mídia releva) só deixaram de se chamar “Arena” e “PMBD” para se chamarem “PT” e “PSDB” (não respectivamente, porque a intenção não é comparar as ideologias, mas sim a FALSA IDÉIA de opção política que sonda os fanáticos políticos hoje)?!

Cansei desse bando de povo querendo dar lição de moral quando eu digo que não gosto da Dilma. Dá licença? Você não gosta do Serra e eu não posso  não gostar da Dilma?! Tô de saco cheio desse falso moralismo do povo que se acha o “sabe tudo” de política, “porque estudei história, leis, economia e o diabo a quatro”, e chega ao cúmulo do egocentrismo de achar que só a opinião de quem estudou tudo isso também é que tem valor.
Cansei desse povo digladiando por causa de política, sem ganhar nada. De gente brigando porque tem ideologias diferentes, de uns querendo fazer a cabeça dos outros... Isso não prova nada. Não mostra conhecimento, não eleva o seu conceito moral, e passa a ser uma total falta de ética e respeito para com aqueles que pensam diferente.
Lembrem-se, pessoas: A verdade só é verdade para quem a fez. A minha verdade, as minhas idéias e os meus “dogmas” não são o mesmo que o seu, portanto, suas idéias NUNCA serão iguais a TODAS as minhas. Você criou a sua verdade sob determinados conceitos. Eu criei a minha sob outros. E ponto!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Não basta escrever, tem que saber!


Não são meia-noite, mas é o tipo de assunto que me faz divagar e perder o sono quando estou inquieta, tentando dormir: O que eu gostaria de fazer antes de morrer?

Não tenho uma “bucket list” e nem pretendo fazer uma, pra não me sentir obrigada a cumprir algo ou ficar frustrada por não conseguir – não acho necessário. No entanto, eu sei o que eu não colocaria na minha lista de desejos ante-mortem, e escrever um livro é uma delas.

Eu amo escrever, adoro ser neurótica com gramática e sinto vergonha de mim quando cometo alguma gafe gramatical, mas meu negócio são textos curtos. Não sinto vontade de fazer uma história minha se estender por mais de duas páginas.

E não acho essencial que escrever um livro esteja entre os planos de vida de qualquer pessoa, como se fosse uma obrigação da vida terrena. Escrever livros é para quem tem dom, e não para qualquer um. Saber prender a atenção de um leitor em uma história é uma tarefa muito mais complicada do que se parece. Criar personagens, físico e psicologicamente não é uma coisa pra qualquer um. Ah! E tem o cenário ainda. Você sabe descrever bem um cenário? Pois é, eu nem sempre consigo fazer isso naturalmente.

Acho um erro dizer que todo mundo na vida precisa ter um filho, rezar, amar, escrever livro, plantar uma árvore... Acho hipocrisia. Tem gente que não tem o dom pra ser pai/mãe; Tem gente que gasta 200 folhas de papel por semana, e uma árvore só não faz diferença nenhuma perto do que ela derrubou desperdiçando sulfite; Tem gente que é ateu – e vai rezar pra quê?

Cada um nasce sendo melhor em uma coisa do que em outra.

Se você não sabe escrever, não escreva.

Se não quer ser pai, não faça filho.

Escrever um livro não faz parte da minha lista de “desejos finais”. Se um dia surgir uma oportunidade, eu me entrego a ela, sem problemas, mas não farei disso uma obrigação, pois a Heloísa de hoje não tem vontade de fazer histórias. Ela tem vontade de ler. E muita.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Conscientização Celíaca: Sintomas e tratamento

Depois de uma visão geral sobre o que é a doença celíaca, é bom ressaltar os sintomas que um celíaco pode apresentar. A dificuldade em supor o diagnóstico talvez esteja relacionada à falta de sintomas e sinais específicos. Doença celíaca não te deixa amarelo, como o faz a hepatite, nem te enche de bolinhas, como faz a varicela. Os sintomas são típicos ao de qualquer virose, contaminação alimentar ou mal-estar que se possa ter no dia a dia.


Os sintomas enquadram-se nas alterações típicas do trato gastrointestinal: Enjôos, má-digestão, diarréia, ressecamento fecal, constipação intestinal, dores de cabeça frontais, enxaquecas, cansaço, distensão abdominal, dores abdominais, gases, anemia... E por aí vai.

Tentar juntar todos estes sintomas na anamnese e supor que possa ser uma rejeição alimentar é uma tarefa árdua. Pensar em doença celíaca – talvez por ela ser rara (será que é tão rara assim, ou será que os diagnósticos são errôneos?) – retarda o tratamento do paciente, que consiste única e exclusivamente em retirar o glúten da alimentação.

O médico deve analisar os relatos do paciente – que provavelmente chegará reclamando que se sente mal com tudo o que come, tem muitos gases, desânimo, dores... – e pedir não somente exames de sangue, mas também uma biópsia duodenal através de endoscopia. Os exames séricos irão acusar a presença ou não de anticorpos contra o glúten circulantes na corrente sanguínea, enquanto a biópsia irá acusar o grau de atrofia das microvilosidades duodenais, a fim de se estimar o tempo de recuperação da mucosa.

Os exames pedidos geralmente são busca de anticorpos Anti-Endomísio, Anti-Gliadina (IgA e IgG) e Anti-Transglutaminase (IgA e IgG). Resultados positivos desses exames geralmente confirmam o diagnóstico, mas resultados negativos devem ser interpretados com maior atenção. Alguns pacientes tem uma deficiência na produção de anticorpos – talvez como uma resposta do próprio organismo a um estresse intestinal a longo prazo - , e a quantidade circulante não é suficiente para acusar um positivo verdadeiro. É interessante, em conjunto com esses exames, pedir uma dosagem geral de IgA (principalmente), para saber se os níveis séricos estão normais e excluir a possibilidade de falso-negativo por redução dos níveis séricos de anticorpo.

A biópsia tem papel fundamental na confirmação do diagnóstico. Embora alguns médicos ainda optem por não fazê-la, ela os auxilia a analisar o grau de atrofia das microvilosidades no duodeno. Existe uma escala de atrofia que o médico usará para dar o laudo do exame, mostrando se determinado grau é sugestivo de doença celíaca ou não.

O tratamento da doença consiste em simplesmente retirar o glúten da alimentação. Como a proteína é o fator desencadeante de toda a resposta auto-imune que prejudica o paciente, retirá-la da alimentação faz com que a mucosa intestinal pare de ser agredida constantemente e possa se regenerar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Last song...

A música fazia as paredes tremer. Os corações ali batiam em conjunto com o Rock, enlouquecidos pelo clímax da harmonia. O público gritava – eu gritava, e cantava, enquanto eles estavam logo ali à frente, muito perto mesmo – talvez a uns sete, dez metros de distância.

A música explodia, e a multidão ia à loucura. Cantávamos, assoviávamos, pulávamos. Era plena euforia.

E a música acabou. E o publicou parou, extasiado.

Naquele momento, tive um impulso de pedir a minha música favorita, e gritei com todas as forças que podia: “YOU AND I!!!”. Por um breve segundo, achei que minha voz iria romper a barreira de sons entre mim e o palco. Ela até alcançou alguns outros ouvidos próximos, que ecoaram minha voz – “You and I! Toca You and I!”, mas as vozes, assim como a minha, se perderam na multidão.

Nunca chegaram ao palco.

E a guitarra começou a chorar outras notas.

Eu não perdi o controle por ninguém, nem quando alguém me olhou. Não havia nada nos olhos de ninguém tentando me dizer alguma coisa. Eu ainda era uma criança, mas a vida não havia aberto as portas de uma nova vida pra mim...
 
 Scorpions - set/2008

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It's all written down in your lifelines
It's written down inside your heart
You and I...
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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O mundo ali em cima...

 
Eu nunca fui tão religiosa a ponto de ser uma espírita xiita e sair pregando espiritismo a todas as almas do mundo, mas fiquei emocionada quando descobri que a indústria brasileira de cinema ia lançar um longa metragem de “Nosso Lar” – a obra mais famosa e explicativa do espiritismo.

Serei sincera e direi que nunca consegui terminar de ler o livro. Comecei três vezes, mas não consigo seguir a leitura por ela ser densa, e eu ser preguiçosa. Mas fui ver o filme.

Foi emocionante. Não sei se foi por eu rever meus ensinamentos espíritas que há muito “abandonei”, ou se por o filme realmente mexer com meus sentimentos. Sei que chorei muito, de emoção, me colocando no lugar de vários personagens, e imaginando como foi o desencarne de meus parentes que já se foram.

É um filme belo, que dá uma visão geral do espiritismo, sem ser um filme ufanista que prega a religião o tempo todo. Aliás, o filme sequer prega o espiritismo – está subentendido para quem é espírita, ou serve como uma bela mensagem para quem não é.

Aqueles descrentes devem encarar a obra como uma ficção. Uma história surreal, cujo objetivo não é criar suspenses, guerras ou humor, mas sim contar um pouco do espiritismo de uma maneira suave, como um relato de experiências.

Saí do cinema me sentindo revitalizada. Saí pensando em tudo o que já fiz, pensando em como me distanciei da minha religião, mas como consegui absorver muitas pequenas coisas que me mudaram para melhor (pra vocês verem como eu era ruim! rs).

É o estilo de filme de que gosto: Não tem violência, não tem sexo, não tem brigas, não tem o “comum sense” de hoje. O filme, comparado ao cenário cinematográfico atual, é antiquado, pois se dedica a contar uma história, e não mascarar a falta dela com efeitos especiais que deixam o espectador alucinado, achando que o filme é bom porque o desenhista gráfico foi ótimo e criativo.

É um filme que mostra como a indústria brasileira de cinema tem capacidade de criar longas com essência, que mostra como há brasileiros que sabem trabalhar com computação gráfica e deixar os ambientes fictícios parecendo reais.

Sei que absorvi a história como se eu precisasse dela há anos, e nunca a tivesse encontrado. As imagens estão marcadas em minha mente, e a todo o momento eu paro e penso em como um filme com uma história simples conseguiu me cativar tão plenamente.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu não sigo os clássicos...



Eu sempre fui muito crítica a qualquer coisa, desde pequena. Fiz minha mãe passar maus bocados por falar tudo o que pensava. Criança é sincera, fazer o quê?

Lembro que quando eu estava na terceira série, uma professora minha mandou a turma ler “O pequeno príncipe”. Eu li. Odiei. Não gostei do livro porque achei completamente sem nexo, sem pé nem cabeça. Todo mundo falava que o livro era bom, e pra mim ela era péssimo!

Em uma discussão em sala sobre o livro, a professora veio me perguntar o que eu tinha achado do livro. Eu disse que não tinha gostado, que tinha achado o livro chato. Ela ficou indignada, perguntou como eu podia dizer algo assim sobre uma das “melhores obras internacionais de todos os tempos”. Eu simplesmente disse que não gostei. Após minha declaração suicida, a classe começou a se manifestar, dizendo que também não tinha gostado do livro, e lembro até hoje que aquela infeliz daquela professora disse à minha mãe na reunião bimestral que eu tinha influenciado a classe a se voltar contra a história. Naquele dia, eu descobri que tinha poderes paranormais, então.

Na prova referente ao livro, a professora fez uma pergunta pessoal que me lembro até hoje (mesmo depois de quase 15 anos): “Você gostou do livro? Recomendaria para um adulto?” – Eu, obviamente, disse que não tinha gostado e não tinha gostado da história, e não recomendaria a ninguém. Ela zerou minha questão pessoal.

Aconteceu a mesma coisa com “A hora da estrela”, mas isso quando eu já estava no ensino médio. A única diferença é que eu achei a história sem graça. No entanto, reli o livro um tempo depois, pros vestibulares da vida, e mudei completamente minha opinião. Descobri que Clarice Lispector era fantástica, e o livro era muito mais filosófico do que eu pensava.

Sei que nunca fui de ir na onda daqueles que idolatram a literatura que todos lêem. Nunca fui fã número um de Machado, odiei Macunaíma, tive minhas encrencas com Clarice e abominei Antoine de Saint-Exupéry. Talvez hoje eu devesse reler o livro do menino que falava de baobás e achava que uma cobra poderia engolir um elefante, mas acho que peguei tanta birra daquela professora que não soube respeitar minha opinião e me deu zero em uma pergunta pessoal, que tenho aversão ao livro por me lembrar dela.

É. Eu não sou fácil.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Desabafos de uma celíaca (Parte 03)



Não vale fazer desabafos celíacos só para falar das desgraças que acontecem comigo, não é?

Depois do meu pequeno surto no desabafo passado, devo confessar que estou bem. Podem comer coxinhas à vontade perto de mim, que eu não arrancarei meus cabelos.

Com o tempo, vem a aceitação, e com a aceitação, vem a calmaria. É mais fácil conviver com a doença quando se sabe que ela é “eterna”.

Outro dia não resisti e comi uma coxinha de aniversário. Uma só... Sei que não deveria, porque agora que minha mucosa intestinal fofinha está se recuperando, eu fui lá e comi o glúten, e ela deve ter entrado em crise existencial de novo... Mas se entrou, não ficou muito tempo em depressão, porque não senti nenhum desconforto.

Comer fora de casa, agora, é situação de risco - 8 graus na escala Richter - então não como. Quando não há saída, fico no churrasco e nas carnes churrasqueadas, e só.

Infelizmente, as pessoas ainda ficam constrangidas quando se esquecem que não posso comer glúten e são gentis. Eu agradeço e não aceito o que elas me oferecem, mas elas perdem o fio da meada e ficam sem graça. Eu já encaro com naturalidade. As pessoas não são obrigadas a se lembrar sempre que eu não sou normal (ou não levo uma vida alimentícia normal, que seja).

Minha mãe já cogitou a possibilidade de abolir a farinha de trigo de casa e usar só a farinha sem glúten, mas o preço é alto demais, e eu não moro mais com eles pra uma mudança tão radical. Mas adorei saber que ela pensou nessa possibilidade. Quando se tem uma doença cruel como a minha, a aceitação pessoal só se fortalece quando você sabe que as pessoas que vivem com você entendem e aceitam a sua condição.

Minha avó pensa em tudo o vai fazer quando vou almoçar na casa dela. São raras as vezes, mas ela, assim como todos próximos de mim, analisa todas as embalagens e procura a notificação do “Contém Glúten”.

Minha amiga usou dois passadores para passar maionese no pão, só para não colocar no pote de maionese o mesmo que tinha entrado em contato com o pão.

É... São os pequenos gestos que ajudam a gente a seguir em frente. Além de aceitar a doença, sou feliz. Faço piada da minha desgraça, reclamo que não posso comer isso ou aquilo, mas com um tom de ironia.

Só agradeço a meus pais, por abrirem mão de algumas coisas para que eu possa viver com a minha dieta, que, sozinha, é quase tão cara quanto uma compra de supermercado.
 
É, a gente aprende a ser celíaca.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Minha vida é um musical

 
 
Há algum tempinho li uma crítica que a cantora Miley Cyrus fez em relação aos musicais. Não sei se todas as palavras ali transcritas eram literalmente o que ela dissera ou não, porque vocês sabem como é: Mídia SEMPRE distorce as coisas. De qualquer forma, li a declaração em dois locais diferentes, o que me fez acreditar que havia um pingo de verdade no que a menina dissera.

A ex-personagem Hanna Montana (um seriado musical, veja a ironia) declarou que não gostava de musicais porque eles não retratavam a vida real, já que ninguém saía cantando pelas ruas ou para alguém quando estava triste ou feliz. Fiquei desapontada. Como uma CANTORA pode sequer dizer isso?!

Eu, simplesmente uma eterna apaixonada por música, não saio cantando para qualquer um, mas se eu pudesse escrever a minha vida em música, eu escreveria. Se você pudesse ler minha mente, ouviria, de hora em hora, alguma música diferente. Cada momento que vivo, penso em músicas que poderiam traduzi-lo. Pode ser algo tão banal como fazer uma besteira e começar a pensar em “Oops! I did it again...”, quanto um sentimento mais profundo de tristeza em que cantaria para mim mesma “Learn to be lonely”.

Musicais não contam só a vida real. Contam história da maneira mais emocionante e forte que se pode contar: Com música. Se musicais são “besteira” por serem a mais pura mentira, livros são o quê? Musicais são livros traduzidos em música, em notas, em escalas musicais... Em harmonia.

Não existe uma obra mais completa e bela do que um musical. Não existe obra mais bela do que um musical. A emoção de estar na platéia, ouvindo uma orquestra tocar ao vivo notas que estremecem a alma, uma soprano gritar uma nota em uma escala que você sequer pensou que a voz humana seria capaz de  alcançar, um tenor colocando a força dos pulmões no clímax da música... Não há palavras que consigam traduzir a emoção que se espalha pelo corpo.

Eu posso não ser uma soprano que estremece um teatro quando canta em cima de um palco, mas eu sempre estou cantando para mim mesma uma música que aquece o meu coração.

A minha vida é um musical. Ele se chama Heloísa, mas não é um musical de sucesso em teatros. É um musical em que só eu sei as falas, as músicas, os tons e os arranjos.

Sou a soprano da minha própria história. E a minha história é real. O meu musical é real, e vai continuar até o último compasso da minha ópera.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tempo*


As músicas não paravam de tocar. Todas as músicas faziam com que ela se encolhesse na cama e chorasse cada vez mais. Todas eram tristes, calmas e falavam daquilo que ela não queria ouvir: Saudade.

As lágrimas já haviam escurecido a fronha do travesseiro e os olhos já estavam inchados e vermelhos – No dia seguinte, todos saberiam que ela passara a noite aos prantos.

As notas das músicas continuavam a pular da caixa de som e invadir o quarto, dançando pelo ar e dilacerando o coração da pobre menina.

Ela suspirou fundo, limpou os olhos, encharcou as mãos de lágrimas e ouviu: Não, essa música não falava de saudade, falava da realidade.

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Assim como a dor que fere o peito, 
isto vai passar também. 
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Mas ouvir música a fazia se lembrar dele. Ela ouvia músicas com ele.

E doía.

*Tempo é o nome de uma música do novo álbum - Manuscrito - da cantora Sandy, assim como o verso que inspirou o texto.

sábado, 14 de agosto de 2010

Sexta-feira 13

O dia amanhecera escuro. As nuvens no céu formavam uma cortina densa que impedia o sol de brilhar. O vento, balançando as árvores, tornava o ar denso e gelado. Só uma louca como eu para sair de casa em um dia como esse.

Não havia ninguém nas ruas. Tudo estava deserto, como naqueles pesadelos que a gente tem nas primeiras horas da manhã, quando a madrugada desiste de reinar. Aqueles pesadelos em que você está perdido em algum lugar, no escuro, e não há mais ninguém além de você e aquela outra pessoa de quem você está fugindo. Medo.

Os pássaros não cantavam, nem os cachorros latiam. Estava sozinha no mundo. Comecei a sentir calafrios – medo, aflorando à pele. Não havia mais ninguém, mas eu sentia vontade de correr, como se todos os olhos ali me vigiassem, como se logo algo puxasse minhas pernas, e ninguém fosse me socorrer enquanto eu gritasse como louca.

Acelerei os passos, com os braços cruzados no peito – instinto, proteção. Ainda estava longe, e o dia estava escuro como a noite, piorando.

Um uivo.

Um grunhido.

Gritos. Meus gritos, escapando da garganta, em meio ao pânico e medo que me cercavam. Meus passos gritavam pela rua, anunciando minha corrida desvairada em direção a lugar nenhum. Eu perdera o rumo quando algo uivou, caíra quando algo grunhiu... Agora desembestara em frente, sem saber aonde ir.

Uma névoa descera do ar. Tudo estava branco, gelado e turvo. Não se via a luz, nem o chão. É inútil fugir quando não se sabe para onde está indo, mas eu corria desesperadamente.

Uma sombra me parou. À minha frente, um contorno escuro de um homem (ou seria mulher?) me aguardava, à espera de meu encontro. Meus pés fincaram no chão e o ar fugiu dos pulmões. Podia sentir meu corpo estremecendo de medo, minhas pupilas dilatadas e alertas. Minha pele sentia qualquer leve movimento do ar. Eu chamaria a sensação de agonia pura.

A sombra começou a crescer. Vinha em minha direção. Eu não sabia para onde ir, não sabia de onde viera. Gritei, gritei com toda a força que pude, joguei todo o ar do meu pulmão para fora, fiz tremer todos os músculos do corpo com a força da voz, mas eu estava só, e ele estava perto. Perto demais, que agora eu sabia que era um homem, alto e forte. Seus olhos surgiram na escuridão: Eram verdes, mas suas pálpebras estavam vermelhas, sedentas. A face não mostrava medo ou agonia como a minha. Os olhos semicerrados fixavam-se em mim. Nos lábios, nenhum sorriso, somente uma linha tênue.

Era tarde demais. Ele me agarrou pelos braços, olhou fundo em meus olhos. Meu desespero não me deixou resistir. Ele me virou de costas pra ele, puxando meus cabelos para trás e expondo meu pescoço. Enquanto eu soluçava de medo, ele traçava com o faro uma linha da minha nuca até a clavícula.

Tirou um punhal do bolso.

E já era tarde demais.

domingo, 8 de agosto de 2010

Porque amo meu pai...

Hoje é o dia em que todos presenteiam os pais, de sangue ou de coração, como forma de agradecer tudo o que fizeram por eles.

Para meu pai, só tenho a agradecer.


Meu pai me ensinou a sempre ser honesta, e nunca querer tirar vantagem das situações, como ele sempre agiu,

Meu pai sempre me ensinou a ser sincera e paciente, porque só com muito esforço e perseverança é que nascem os frutos do que plantamos,

Meu pai me ensinou que roubar é errado, e que sempre é possível viver muito bem com pouco. Até nos momentos mais difíceis, sempre me ensinou como nunca deixar de viver bem somente com o essencial.
Meu pai nunca foi ganancioso, e sempre soube dar o passo conforme as pernas, e eu agradeço por ele ter me ensinado a ser assim.

Foi ele que me disse não quando não podia, e me ensinou que tudo na vida tem limites, e que nem sempre podemos ter tudo o que queremos. Melhor ainda, me ensinou que não precisamos ter tudo o que queremos para sermos felizes.


Hoje eu me considero justa, sincera, honesta, crítica e às vezes até metódica, e acho que tudo isso é positivo, sim. Sei que sou assim pela educação que meus pais me deram, mas posso afirmar que não seria assim se não tivesse presenciado, durante minha vida, meu pai praticar tudo o que me ensinou.


Obrigada, pai, por me ensinar a ser gente grande.


Obrigada por ser uma grande pessoa.




quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Política, pra que te quero?

Chegam os anos pares, e começam as palhaçadas pelas cidades: Pessoal fazendo propaganda política, entregando papelzinho (e sujando as ruas), carros com autofalantes tocando “jingles” irritantes com rimas piores ainda... Uma onda de hipocrisia que não tem tamanho.

Ontem à tarde, vendo o jornal regional aqui da região centro-oeste paulista, deparo-me com os candidatos ao governo do estado fazendo a política “Panis et circenses” pelas cidades de São Paulo, mostrando que são pessoas felizes que só sabem sorrir, além de fingir que vivem como a população normal do país... Foram aos mercadões, comeram pastéis, pão com mortadela... Se bobear, esses políticos comem até churrasquinho grego, dizem que é uma delícia, e sorriem, como se pudessem dizer: “Sou do povo como vocês, como como vocês, vivo como vocês”.

Hipocrisia. Se eu pudesse definir política, faria com apenas uma palavra: Hipocrisia.

Eu odeio política, pra ser sincera. Qualquer tipo: Seja em âmbito nacional, estadual, regional ou estudantil. Não gosto porque não acredito na idoneidade de nenhum dos candidatos; Não gosto porque existe um político em um milhão deles que não vai ser imparcial a tomar alguma decisão. As pessoas, hoje, não sabem fazer política democrática: Manipulam a mente dos eleitores, transformam suas idéias em um mar de rosas, ocultando os lados podres da questão, para que todos pensem que aquela é, se não a única, a melhor solução para os problemas.

O ser humano é corruptível. Poucos são aqueles com caráter, capazes de negar suborno ou chantagens.

O ser humano tem coragem de roubar milhões, matar milhões, fazer todos os tipos de atrocidades físicas ou psicológicas, mas poucos são os que tem coragem de admitir os erros que cometem. Poucos tem caráter para afirmar que roubaram, mataram, extorquiram.

Perdi a fé nos homens, e a política é feita pelos homens. Perdi a fé na política.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Reflexão

Já havia horas que eu estava ali, debruçada na janela, observando o tempo passar. Com os braços cruzados no peitoral e o queixo apoiado nas mãos, já vira a lua deixar de ser grande e imponente no horizonte, para se tornar clara e amena no topo do céu; Já vira carros passarem às pressas, provavelmente ansiando por chegar à tão esperada casa; Já vira mulheres segurando as mãos de seus filhos, carregando mochilas, provavelmente ouvindo tudo o que acontecera na escola... Vira o movimento diminuir, as luzes da cidade se acenderem. Ouvira os morcegos com seus gritinhos agudos e curtos, as corujas piando e avisando os desatentos que passar por ali era perigoso.

As horas corridas no relógio, o vento chacoalhando as cortinas da janela. Tudo passara, enquanto eu observava o mundo e me perdia em pensamentos desconexos. Por que deixara tudo acontecer? Por que fora tão covarde? Por que apostara em uma batalha perdida?

As respostas não vieram, só as perguntas. As dúvidas atormentaram minha mente. Eu pude ouvir milhões de vozes me questionando, senti meu instinto enlouquecendo. As respostas nunca iriam vir fáceis assim.

Chega!

Levantei o rosto, respirei fundo. Fechei a janela.

A vida continua e o tempo não para.

sábado, 17 de julho de 2010

Mosaico

Vontade de mudar o rumo…

Vontade de ir contra a maré.

Medo.


Angústia.


Tudo novo, de novo?


Mais do mesmo? Mesmo?


Fim? Começo? Recomeço?

Fecho os olhos e vou. Para a onde as pernas me levarem, eu sigo.

Se houver voltas, que haja;

Se houver perdas, que haja;

Se houver solidão, que seja... Que eu seja eu.



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"Procuro mas não enxergo o alvo
E calo meu silêncio pra ver
Se o mundo ainda existe
E insiste em ser o mesmo"

domingo, 11 de julho de 2010

Jogos de cartas marcadas

Eu sou uma daquelas pessoas que não acredita muito em nada que envolve montantes de dinheiro. Copa, programas de Reality show, olimpíadas, política, fórmula 1... Para mim, nada é confiável e nada presta. Eu generalizo sim, porque sei que o homem é um bicho sujo que vende a própria idoneidade em troca de uma conta gorda e recheada.

Não vejo mais graça em futebol, e na copa, principalmente, desde toda aquela palhaçada em 1998. Ali, para mim, acabou toda credibilidade que eu tinha em eventos esportivos de grande porte. Quando o Brasil teve que enfiar o rabo no meio das pernas e se vender aos patrocinadores para deixar a França ganhar, foi o fim de toda aquela ilusão de que nossos jogadores brasileiros tem raça e vontade de ganhar.

Essa copa de 2010, pra mim, já começou bizarra quando todos apostavam na Espanha, porque tinha ganhado a Eurocopa e blá blá blá, e chega no primeiro jogo, o time me perde pra Suiça. Até aí, tudo bem, porque zebra por zebra, a atual (até hoje) campeã da copa saiu na primeira fase e voltou pra casa pra comer pizza e porpetone, mas a campanha da Espanha na copa foi deplorável. Aliás, a do Brasil também, e merecidamente, nós saímos do mundial nas oitavas de final. Time bom ganha e tem garra, luta pela bola, e Brasil faz tempo que não é assim. A Espanha pode até ter lutado, ter tido garra, vontade, mas o time não era tão bom quanto o da Alemanha, Argentina ou até mesmo a Holanda.

A Alemanha conseguiu meter quatro gols no time do Maradona, que era forte e competitivo, mas não conseguiu marcar um gol sequer contra a Espanha, que era “marromeno”...

Não estava torcendo para a Holanda ganhar, e não acho injusto a Espanha ter ganho, pela primeira vez, o título. Os jogadores se emocionando contagiam, e é bonito de se ver, mas eu não vejo mais graça em torcer por algo que já está escrito. Não acredito mais que quem vence é o melhor, porque hoje sei que vence o que tem mais dinheiro.


quarta-feira, 7 de julho de 2010

Batalha final

- Tá vendo, zero-um? Aqui é um bom lugar pra ficar.
- Verdade, heim, zero-dois? Quentinho e fresquinho, bastante água, comida farta, brisa constante. Fica desse lado aí que eu fico aqui na esquerda.
- Fechou!
- Tá na hora de formar família. E você aí? Vai começar quando a montar o time?
- Agora mesmo, rapaz, licença...

*Ploc*, *Ploc, Ploc*, *Ploc, Ploc, Ploc, Ploc*(8, 16, 32... 2n procriações depois…)

- E aí? A casa tá cheia aqui! Tá pronto pra guerra?
- Que venham os soldados, amigo! Meu exército tá formado!
E chegam os soldados...
- Amigo, eles criaram um exército! Olha o estado disso!
- Mãos à obra, neutrofilada! Muito serviço pra fazer, destruam tudo o que tiver sinal de coccos pela frente!
- Mas, senhor, tudo? Até as casas, até as ruas, tudo o que esses “sem-célula” invadiram???
- Não quero UM resquício sequer dessas bolinhas abusadas, soldado. Bote tudo abaixo!
- Sim, senhor!
Algumas horas depois, e embaixo de muito pus...
- Senhor, tem muitos deles, vamos precisar de reforços!
- Soldados, chamem os faxineiros, vamos precisar de limpeza e de reforços aqui!
- Sim, senhor!

Enquanto isso, no mundo lá fora...

- MANHÊÊÊÊÊÊÊ, tô com dor de garganta!

domingo, 27 de junho de 2010

Fico vermelha mesmo, e daí?!



Pessoas branquelas como eu provavelmente já passaram por inúmeras situações que não eram para ser embaraçosas, mas se tornaram constrangedoras quando as pessoas perceberam que (infelizmente) você não tem controle sobre os malditos vasos que se dilatam e encharcam seu rosto de sangue, deixando você tão vermelho quanto um pimentão.

A minha vida inteira tive (e ainda tenho) que aturar as pessoas tirando sarro de mim quando faço uma pergunta a um desconhecido, quando rio, quando fico embaraçada, quando estou triste, com frio, com calor... Enfim, quando faço quase tudo! Se você também foi “abençoado” (eu chamaria de maldição) com essa infeliz característica genética, sabe bem do que estou falando.

Por mais que as pessoas que convivam com você SEMPRE saibam que você enrubesce por qualquer coisa, toda santa vez que isso acontece, elas não perdem a oportunidade de apontar o dedo pra sua cara e dizer “Olha como fulano ficou vermelho!” – como se a única razão pra essa infelicidade desses vasos dilatarem fosse uma questão de constrangimento.

Eu já cansei de explicar que eu fico sim vermelha pra qualquer situação. Quando vou falar a coisa mais banal com um desconhecido, eu fico parecendo um tomate, e não tem nada a ver com constrangimento ou algo negativo.

Eu já acostumei, pra ser sincera, a aturar as pessoas tirando sarro de mim o tempo todo porque resolvo respirar mais forte e forçar o sangue a correr mais rápido pelas minhas veias, mas tem horas que eu ainda fico completamente irritada por alguém ter que sempre apontar o dedo pra minha cara e rir da minha condição.

Eu sei quando fico vermelha. Meu rosto esquenta, eu suo, e eu sei todas as situações que me deixarão incandescente – ninguém precisa me dizer o que está acontecendo. O constrangedor de tudo isso não é a situação que me faz deixar o sangue à flor da pele, mas sim as pessoas que ficam sempre me delatando, como se fosse um crime ou mesmo um alvo de piada eu ser assim.

Eu posso não ter controle sobre o meu sistema nervoso autônomo, mas eu sei muito bem prestar atenção no meu corpo pra sentir quando esses malditos casos acontecem. Portanto, obrigada por me dar um espelho quando meu sangue resolve mostrar que é vermelho, mas eu já sei disso há, pelo menos, 16 anos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Tristeza dos olhos seus...

Em um fim de tarde, quando o sol está laranja e baixo no céu, anunciando a todos os pássaros que logo irá iluminar o outro lado do mundo, eu estava ali, encostada em uma árvore grande e vistosa, de frente para o lago do parque, vendo como as pessoas andavam em volta daquele monte de água, e como os cachorros se divertiam com o ar da liberdade. Passar os fins de tarde ali era quase rotina, pois o silêncio e a paz eram reconfortantes e restauravam minha calma. Às vezes eu cruzava minhas pernas, como se estivesse meditando, fechava os olhos e parava para sentir o vento, o ar, os cheiros, e tentar ouvir pássaros cantando suas últimas canções antes do anoitecer.

Foi em um dia como outro qualquer que ele passou por mim. Eu estava sentada abaixo da árvore, olhando como todos se moviam, e ele passou caminhando logo à minha frente. Muitas pessoas passavam por mim ali, mas nenhuma delas me chamara tanto a atenção como ele. Era belo, alto, com um corpo atlético e... olhos tristes. Seu caminhar era pesaroso, as mãos nos bolsos da calça e a cabeça caída não pertenciam ao conjunto.

Fiquei olhando para ele, sem perceber que estava até sendo mal-educada em encarar tanto alguém daquela forma. Ele olhou de volta, e seus olhos pesados encontraram os meus. Meus olhos curiosos e ternos tentavam de alguma forma consolar o rapaz, e os dele, tristes e sem vida, gritavam uma agonia agonizante.

Os poucos segundos que nossos olhos se encontraram pareceram horas de conversa, e eu sentia cada vez mais uma ternura inexplicável por aquele homem triste que sombreava meus pés. Ele continuou olhando, como se pudesse tirar de si algum peso da alma e passá-lo a mim, aliviando-se da dor. Continuou caminhando, e com muito esforço, esboçou um leve sorriso nos lábios. Eu tentei sorrir, não consegui, estava sofrendo por ele.

Ele, então, fechou os olhos, virou a cabeça para frente novamente, apagou o leve sorriso que, com muito sofrimento, havia colocado em seu rosto e se foi.

sábado, 5 de junho de 2010

Desabafo de uma Celíaca (Parte 02)


Foi difícil essa semana. Os sonhos voltaram, e tudo o que eu vejo, me dá vontade de comer.

Começou com o pão francês, quando cheguei em casa na terça. Pãozinho quentinho, cheirosinho, crocante, soltando bastante migalha e sujando a toalha.

Depois foi no shopping. Almoço? E o medo de comer alguma coisa contaminada? – Optei por uma batata recheada “à bolognesa”, mas meu pai pediu um McCombo... Eu queria doce e... Sorvete do Mc tem glúten, sorvete de uma outra loja lá também... Frustração.

Enfim, meu pai tem um ataque de loucura e compra uma oferta do habbib’s: 4 Esfihas de cada sabor, mais 4 kibes... E eu ali do lado, na mesa do shopping, sentindo aquele cheiro delicioso de GLÚTEN me corroer o estômago. Nunca salivei tanto na minha vida. Juro que por vários momentos pensei em ligar o “f**a-se” e ser feliz, mas toda vez que lembrava as dores que ia sentir, conseguia me segurar.

Hoje, voltando para Botucatu, paramos em uma lanchonete na estrada e tinha a maior coxinha que eu já vi na vida ali, pra vender. Fiquei ali só engolindo saliva, de costas para o forninho onde ficam os salgados, esperando a hora de ir embora. Se alguém da minha família tivesse pedido aquela coxinha, eu não ia conseguir recusar.

Finalmente, voltei para Botucatu, onde tenho meus salgadinhos, meu brownie, minha vida sem glúten... E pretendo não sair daqui pra comer tão cedo.

Essa semana descobri que sou forte. Mas passei MUITA vontade. Ai, ai... Vida dura.

sábado, 29 de maio de 2010

Observadora de pessoas

Há um tempo percebi que tenho a mania de reparar em como agem as pessoas. Nunca me prendi a supérfluos como roupas, acessórios ou estilos. Tenho a minha própria opinião, às vezes critico algumas coisas, mas não é isso que observo nos outros – ao contrário, fico analisando como as pessoas reagem a determinadas situações, como pensam e... por que pensam daquela forma?

Uma das características que mais me impressiona no homem é o “dom” da hipocrisia. Várias vezes já me peguei pensando em como o ser “mais evoluído intelectualmente do planeta” pode ser tão mentiroso e hipócrita. Fico me perguntando quando foi que o homem começou a mentir, e quando foi que a sociedade começou a abominar a verdade. Sim, porque dizer a verdade geralmente ofende muita gente. E é justamente aí que se encontra a hipocrisia humana: No medo de ouvir a verdade.

Se você disser o que realmente pensa sobre uma situação, vai ser taxado de grosso, indelicado, extremista, fascista, frio, sem coração... E por aí vai. Pra evitar esses desconfortos, você opta por eufemizar a situação, a fim de que as pessoas entendam as entrelinhas deixadas ao ar. Por falta de opção, e medo de magoar os outros, o homem opta então por mentir: Deixa o outro feliz e não é ofendido por não dizer o que realmente pensa.

Não sei ainda se são piores aquelas pessoas que ficam sempre em cima do muro, temendo defender um ponto de vista, com medo de ofender os dois lados da “guerra”. São pessoas que tentam conciliar a paz, mas não tem coragem de dizer realmente que opinião mantem, pois sabem que um dos lados não compartilhará as mesmas idéias.

Também é incrível ver como as pessoas tem preconceitos em relação às outras que são diferentes ou pensam diferente. Não há um lugar na sociedade em que um grupo de amigos saiba respeitar completamente um outro diferente. Chega a ser desapontador notar como o homem sente prazer em ver os diferentes errarem, se enganarem – como se o erro do outro provasse que você está certo de alguma forma.

Para mim, o grande erro do ser humano é se dar ao luxo de pensar e devanear sobre o que os outros podem pensar a respeito do que se vai fazer. O grande problema é que nem todos percebem que sempre haverá alguma crítica em relação àquilo que você disse ou fez, mesmo que seja algo completamente positivo.

A falha do conhecimento humano é não saber respeitar as opiniões divergentes, e sequer saber interpretar que nem sempre as pessoas querem nos atingir frontalmente quando dizem alguma coisa. Nem todas as pessoas pensam como nós para exporem suas idéias de maneira coesa e similar àquilo que gostaríamos de dizer ou ouvir. Por mais que você pertença a um grupo que tenha idéias afins às suas, sempre haverá alguma diferença de conceitos, e é justamente nessa diferença que se encontra o “saber respeitar o próximo”.

Não há porque reagir agressivamente ao se receber uma crítica, mas também não há porque o crítico achar que sempre está certo. O equilíbrio entre um saber respeitar o limite do outro é o segredo para a boa convivência. O que faz o crítico achar que sempre está certo não é o que faz o criticado achar que está errado, e é nessa gangorra de sins e nãos que os amigos se unem, porque são diferentes, e se respeitam mesmo assim.

Todos nós adoramos sempre ressaltar nosso ponto de vista e achar que ele está correto, impassível de erros ou contradições. Mas sempre nos esquecemos de parar e pensar que o nosso modo de ver a verdade é diferente do dos outros. Sempre achamos que sabemos compreender o que os outros pensam, mas nos esquecemos de analisar as idéias do outro sem deixar que nossos conceitos manifestem opinião. É muito fácil achar que se está certo, mas poucos são aqueles que conseguem entender o porquê dos outros não pensarem como nós.

Talvez quando o homem aprender a ser honesto consigo mesmo, e aprender a respeitar o que pensa, sem ter medo de dizer, ele consiga viver em uma sociedade que não abomina mentiras, nem teme verdades.

Mas eu não sou tão crente nos homens assim.

domingo, 23 de maio de 2010

Alguém importante

Há um bom tempo, quando eu ainda tinha 13 anos, fui tomar um passe em um centro espírita após descobrir que havia errado a data de uma cirurgia que faria (para tirar as tonsilas). O lugar, para mim, era desconhecido, mas era sereno e emanava uma sensação de paz.

Quando o médium chefe do centro me chamou para tomar o passe, eu o segui e fomos juntos para uma pequena sala. Lá, enquanto eu me concentrava e rezava, notei que ele começou a falar outra língua – acredito que alemão – enquanto passava para mim as energias positivas de que eu tanto precisava naquele momento. Ao terminar o passe, voltando a falar português, o médium, em sua oração, disse-me que eu seria alguém importante na vida.

Naquela época, eu, inocente, acreditava que o grau de importância das pessoas era diretamente proporcional ao grau de reconhecimento pessoal: Quanto mais popular se é, maior a importância da pessoa.

Em minha inocência pré-adolescente, não pude compreender o que seria “ser importante”. Hoje, dez anos depois, eu aprendi que para sermos importantes, basta sermos necessários na vida de alguém. Da mãe, do pai, do irmão, namorado, amigos ou familiares. Não importa que o mundo inteiro não te conheça, pois o que realmente importa são as pessoas que sempre estão ao seu redor te acharem importante.

Hoje eu sei que sou importante, porque estive lá quando minha mãe precisou, quando meu pai precisou, minha avó, meu avô, meu tio, meu namorado e irmão... Quando todos precisaram de um pouquinho de amparo, eu pude estar lá e estender a mão. E não importa que o mundo não saiba minhas razões e suas causas, pois a grandiosidade da vida está nos pequenos momentos que guardamos para a vida toda.

O que realmente importa é que, para estes pequenos fatos, ninguém se importa. Conhece a verdadeira importância das coisas somente aquele que um dia precisou dela. E isto basta.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Semana de Conscientização: Doença Celíaca

Maio é o mês da doença celíaca no Brasil: Dia 15 de maio foi eleito o dia dos celíacos brasileiros, e vou aproveitar essa “onda” celíaca do momento e utilizar meu blog para divulgar algumas curiosidades que todos deveriam saber sobre a minha doença.

Panorama Geral: Que raios é Doença Celíaca???

Talvez poucos saibam que exista a doença celíaca – eu mesmo não sabia antes de uma amiga desenvolvê-la alguns meses antes de mim. Nunca achei que fosse uma condição de mau-absorção, que pudesse ter tantos sintomas... E que tudo fosse causado por uma única proteína: O Glúten.

Já havia reparado que muitos alimentos tinham a tarja na embalagem, identificando-o como “Gluten Free” ou não, mas NUNCA havia sequer imaginado que existiam pessoas que não podiam comer o tal do glúten.

O Glúten é uma proteína encontrada em alguns grãos – ironicamente, os mais consumidos por nós: Trigo, Aveia, Centeio, Cevada e Malte. Embora a maioria das proteínas seja degradada durante a digestão, o glúten consegue passar ileso pelas proteases e ser absorvido pelo epitélio duodenal, principalmente. Quando absorvida, esta proteína, em uma pessoa normal, é metabolizada pelas células e segue seu caminho normal, sem lesar o organismo.

Algumas pessoas, porém, nascem com a doença ou a desenvolvem durante alguma fase da vida (e esse aparecimento “do nada” pode ocorrer por você comer trigo demais, beber cerveja demais ou mesmo ter uma baixa na imunidade), predispondo o organismo a reagir contra uma proteína que antes não era nada preocupante. Esse “erro” de absorção é chamado de Doença Celíaca.

Na doença celíaca, os pacientes desenvolvem uma resposta imune contra as próprias células do organismo que absorveram o glúten – o que também classifica a doença como auto-imune. A partir de um determinado momento, nosso corpo começa a “enxergar” o glúten como um corpo estranho, produzindo anticorpos, a fim de tentar impedir que a proteína ganhe a circulação sistêmica. Na verdade, essa reação pode ser comparada (não fielmente, mas bem similarmente) a uma reação contra um vírus, por exemplo: O vírus estimula a produção de anticorpos por não pertencer ao organismo. Este, por sua vez, produz a reação na tentativa de conter um patógeno e evitar uma infecção. Essa resposta imune lesa e mata as células que estão em contato com o vírus (que aqui pode ser comparado ao glúten), provocando uma reação inflamatória (na mucosa duodenal, no caso dos celíacos).

Esta inflamação pode, por sua vez, atrofiar as microvilosidades do intestino (que auxiliam na absorção de nutrientes) e interferir com a absorção de qualquer outro nutriente, podendo resultar nos sintomas gerais: Dor abdominal, diarréia, gases, estufamento, estiramento abdominal, anemia, fraqueza, desânimo... E por aí vai.

Chamar a doença celíaca de “alergia ao glúten” é um equívoco, pois, imunologicamente, alergias são todas as reações mediadas por anticorpos da classe IgE, enquanto na doença celíaca, a resposta contra as células é mediada por anticorpos IgA e IgG.

Outro equívoco é igualar doença celíaca à intolerância ao glúten. Intolerância alimentar se deve ao fato de você não conseguir absorver determinado alimento, por não possuir proteínas essenciais para tal processo, como é o caso da intolerância à lactose, fazendo com que o alimento se acumule na luz intestinal, sem ser absorvido, o que pode levar a quadros de diarréias e gases.

Portanto, existem: Doença celíaca, intolerância ao glúten e alergia ao glúten: As três estão relacionadas com a mesma proteína, mas não são a mesma coisa.

[Continua...]