segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O ladrão de pão de queijo



Há tempos havia chegado um novo rapaz ali no serviço. Pinta de nerdinho, cara de cearense, simpatia de francês. Era daqueles que não falava com ninguém e você nunca sabia se era por timidez ou arrogância; Era daqueles que te encaravam até você sorrir e falar oi, para depois ele virar a cara e te deixar com cara de merda, sem falar sequer um “oi” de volta. Depois de um tempo, pressupus que era arrogância demais para alguém tímido demais.

Ignorar era a melhor solução, e eu fazia isso todos os dias, quando passava em frente à sala do rapaz, quando ia tomar café e o via ali na mesa, quando trombava com ele no corredor e ele virava a cara. Existem pessoas que vivem em bolhas, e eu não estava a fim de mostrar para aquele ser que a bolha dele não era a única do mundo.

Em uma certa manhã preguiçosa e fria, meu estômago pedia por comida e eu sonhava com um pão de queijo. Sem pensar duas vezes, comprei dois pãezinhos quentinhos e no ponto ideal, peguei um cafezinho e me sentei para degustar aquela maravilha de queijo que tinha em mãos. Como estava com MUITA fome, comprei logo dois, porque um não daria nem pra forrar o estômago.

Enquanto me deliciava com o primeiro pão quentinho em minha mão, o chefe passou por mim e por minhas amigas, que comiam cada uma um pão de queijo e tomavam café. Educadamente, perguntei se ele queria pão de queijo, mas como ele vive engajado em dietas naturebas, recusou – para minha sorte. Continuamos, felizes, comendo o pão quentinho e tomando nossos cafés.

Estava quase terminando meu primeiro pão de queijo, quando, de repente, aparece o serzinho estranho (o “simpático”), com cara de maroto e um sorriso que agora vejo que me pareceu sarcástico (típico trollface), falando comigo pela primeira vez perguntando feliz: “Tem pão de queijo???”

Dava para sentir a tensão no ar. Enquanto eu havia oferecido o pão de queijo para o chefe por pura educação (o pão era meu e eu não estava a fim de compartilhar!), um radarzinho ambulante que nunca deu atenção a ninguém ouviu a oferta e veio correndo com sede ao pote, buscar minha comida.

Eu, que estava quase enfiando a mão no saquinho para comer meu segundo pão de queijo daquela manhã, engoli a raiva e o momento estranho que ficou no ar. Nem cogitei olhar para minhas amigas que ali estavam. De rabo de olho, vi que uma comia o resto do seu pão de queijo para não rir, e a outra mexia o café, concentrada naquela tarefa como se aquilo exigisse o máximo de concentração possível. Gentilmente ofereci meu pão ao próximo: “Tem mais um, você quer?”

O mister simpatia percebeu o impasse e hesitou por um momento, mas bicho cara de pau não recusa comida, e bastou eu insistir mais um pouco para ele pegar o MEU pão de queijo e sair para comer. Entre ele sumir de vista e podermos falar, eu podia enxergar as lágrimas correndo dos olhos das meninas, de tanto esforço que elas faziam para não desabar em gargalhadas naquele momento. Eu, ainda atordoada pela audácia do indivíduo, não sabia se ria da cara do moço quando ele percebeu o fora que tinha dado, ou se chorava porque meu café da manhã tinha sido reduzido pela metade.


Nessas horas a gente aprende que ser altruísta é uma grande merda. Esperar que as pessoas tenham bom senso é a maior falácia do mundo. Elas não tem. E elas vão comer o seu pão de queijo sem dó. Nem piedade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Rótulos



Se você ri, você é sádico;
Se você critica, você é chato;
Se você concorda, você não tem opinião;
Se você discorda, você acha que sua opinião é melhor do que as outras;
Se você não ri, você não tem senso de humor;
Se você tem opinião de direita, você lê Veja;
Se você tem opinião de esquerda, você lê Carta Capital;
Se você tem opinião política, você não tem opinião própria e algum meio de comunicação fez a sua cabeça;
Se você faz piada com deus, você é herege;
Se você não ri de uma piada com deus, você é carola demais;
Se você come carne, você não ama os animais;
Se você ri de piadas com animais, você despreza outras espécies que não a raça humana;
Se você diz o que pensa, você é criticado;
Se você não diz o que pensa, você é submisso;
Se você faz o que quer, você é egoísta;
Se você não faz o que quer, você é tonto dos outros;
Se você briga por seus direitos, você é chato demais;
Se você não briga por seus direitos, você é otário demais;
Se você não corre atrás de alguém, você é orgulhoso;
Se você corre atrás de alguém, você é trouxa;
Se você é a favor da minoria, você tem dó e por isso age assim;
Se você é contra a minoria, você é preconceituoso.

Hoje em dia, ninguém mais pode ter uma opinião própria sem ser rotulado de alguma forma. Tudo o que você faz, é porque você é burro, fascista, preconceituoso ou qualquer outra coisa.

Ô raça desgraçada que é o ser humano.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Intolerância a mentes fechadas


Há tempos tenho notado uma característica cada vez mais comum nas pessoas que defendem um ideal hoje em dia: A falta de capacidade de aceitar que a verdade em que você acredita não é única e muito menos a certa.

Essa semana, fui chamada de especista por uma vegana, que nunca me viu, nunca me ouviu, nunca conviveu comigo e nem com metade das pessoas que ela denominou “especista”. Pra começo de conversa, eu sequer sabia o que significava especismo. Fui procurar, como uma boa googleira, e descobri que especismo é “a atribuição de valores ou direitos diferentes a seres dependendo da sua afiliação a determinada espécie”, ou seja, você tratar espécies diferentes com diferença [...].

Tudo começou com uma piada [outra constatação: Hoje em dia ninguém mais sabe entender piada como piada. É f**a!] de um leitãozinho fofinho, dizendo que o porco era o único animal no mundo que conseguia transformar alface em bacon. A partir disso, veio o especismo.

Uma pessoa que nunca conversou comigo, nunca me viu, vem me chamar de especista. EU, especista (!). Porque ri de uma piada sobre carne.

Eu digo que o mundo está perdido, e não porque cada vez mais as pessoas tem se tornado adeptas a hábitos distintos, mas sim por essas pessoas adotarem esses novos hábitos e segui-los como religião, tentando converter a tudo e a todos para essa nova idéia de vida, achando que os que não vêem aquela verdade da mesma forma são criminosos, desalmados e “sem cultura”.

A essas pessoas xiitas a qualquer idealismo, eu recomendo que leiam e interpretem friamente e profundamente a filosofia de Kant. Única que estudei até hoje, porque tive que fazer um trabalho na faculdade sobre ela, mas que realmente me abriu a mente para uma verdade: A de que não existe verdade absoluta. A verdade é completamente subjetiva, e nunca será igual para duas pessoas.

E aqui, parafraseio (que palavra horrível dos infernos) Shakespeare: “Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidades, pois não importa quão frágil seja a situação, sempre existem dois lados”.

E é essa visão de enxergar os dois lados de toda ideologia que está faltando nos xiitas de hoje. Porque o extremismo hoje não é só mais religioso. Qualquer crença que se tenha – política, ideológica, futebolística – virou motivo para defender a causa até a morte, como se você estivesse certo em pensar de tal forma, e todos devessem pensar como você.

Não. Eu não tolero pessoas xiitas. Não suporto fanáticos políticos que tentam impor a mim qual lado seguir. Não tolero extremismo religioso, de qualquer religião – inclusive da minha. E não tolero ideologistas baratos que criticam a minha opção de vida, dieta, ou qualquer outra coisa.

Eu não critico as escolhas dos outros, então não crucifixem as minhas. E aprendam que piadas são piadas, e não demonstram uma linha de pensamento. Só uma linha de diversão.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Vegetarianismo: Are You Sure?


Antes de mais nada, quero deixar bem claro que não faço desse texto nenhuma apologia ao “bulying” a vegetarianos, e também quero deixar bem claro que sou carnívora, não tenho intenção de deixar de comer carnes, e aqui está expressa a minha opinião. Se ela, por ventura, ofender alguém, digo desde já que não tenho a intenção de criticar a opinião de ninguém.

Após breves esclarecimentos, posso começar.

Circulou pelo Facebook há algumas semanas.
Há quem se ofendeu.
Há algum tempo tenho notado que o número de vegetarianos a nossa volta cresce bastante. Gosto bastante de brincar com isso, mesmo quando as pessoas não tem senso de humor e se sentem ofendidas por compararmos alfaces a vacas, mas respeito dignamente a força de vontade e a dedicação com que cada vegetariano que eu conheço da à sua dieta.

Não tenho intenção de deixar de comer carnes, mas me preocupo com os aventureiros à boa moda do vegetarianismo que entram nessa nova fase da vida achando que excluir a carne da alimentação é proteger os bichinhos que morrem para virar comida. É o grande momento em que, você, querendo fazer um bem a uns, fere a si mesmo.

Nem todos os que se aventuram por essa trilha livre de sangue sabem que uma alimentação balanceada precisa ter carne não somente por causa das proteínas, mas também pela quantidade de ferro que o ser humano precisa ingerir para não ficar anêmico e manter um hemograma dentro dos padrões normais e desejados para uma vida saudável.

Não basta você substituir a antiga carne por grãos ricos em proteínas e ferro, como a soja: Você precisa comer MUITA soja pra conseguir repor, igualmente, o ferro em seu organismo. O organismo não consegue absorver o mineral tão facilmente dos vegetais como consegue absorver do grupo heme, presente no sangue da carne que as pessoas deixam de comer, e devido a isso, muitos se aventuram por uma alimentação que pode, por fim, torná-los anêmicos.

Deixar de comer carne não é tão simples quanto preservar a vida de animais, lutar contra a crueldade dos frigoríficos ou simplesmente não gostar do sabor do sangue. Se você decidir abolir os alimentos de origem animal da sua vida, faça isso com cuidado para não ferir o próprio organismo. Vá a um nutricionista e a um clínico geral regularmente, faça hemogramas regularmente e siga a nova dieta à risca, para não começar a sentir fraqueza demais, sono demais, fadiga demais ou cansaço demais.
Uma boa picanha que quebra as pernas de muitos
carnívoros, como eu.

Não é tão simples ser vegetariano. Além de muita força de vontade e determinação, é preciso muita disciplina. Se você não gosta de soja ou feijão, procure um médico para tomar suplemento férrico. Se você acha que tirar a carne não vai fazer tanta diferença na sua vida, e não acrescentar outras fontes do mineral em sua dieta, a nova alimentação mais vai te prejudicar do que te favorecer.


A ideologia do vegetarianismo é linda, mas não se arrisque a segui-la se você não souber controlar a sua alimentação corretamente para substituir TODAS as vantagens fisiológicas de consumir carne.

Essa é minha opinião como carnívora. Não é uma tentativa de aderir adeptos, mas sim uma tentativa de explicar, biologicamente, o porquê de não se poder simplesmente retirar a carne da alimentação, porque haverá prejuízos na saúde do novo aventureiro se não houver a substituição por uma dieta adequada.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O que as propagandas de sabonetes bactericidas não ensinam a você.




Como biomédica, uma das coisas que sempre me incomodou na TV foi ver a propaganda daquele sabonete “bactericida” mais famoso, que todo mundo conhece, mostrando um pirralhinho se divertindo na lama, chegando em casa empipocado de bactérias e, depois do banho esterilizante com o tal sabonete, ficar 99% limpinho.

Para aqueles que não aprenderam muito sobre a biologia geral humana, essa é a imagem imaculada da limpeza que todos deveriam seguir: Viver em um mundo onde toda e qualquer bactéria é um organismo vivo potencialmente mortal. E eu não culpo essas pessoas por acharem isso, porque as propagandas veiculadas na mídia realmente fazem você se sentir extremamente contaminante se não se lavar com sabonetes bactericidas.

O que poucos sabem, na verdade, é que nós humanos vivemos em constante harmonia com milhares de bactérias em diversos lugares do nosso organismo. Essas bactérias estão lá para nos auxiliar ou não, mas raramente as bactérias da nossa flora normal são patogênicas a nós mesmos. Nós temos milhares de bactérias em nossa pele, em nossa mucosa oral, genital ou mesmo intestinal, e sempre convivemos com isso e nunca morremos por compartilharmos nosso corpo com esses procariontezinhos. Em alguns casos, é essencial que tenhamos algumas bactérias específicas para “conseguirmos” produzir ou metabolizar nutrientes.

O que poucos também sabem é que um sabonete não precisa ser necessariamente bactericida para acabar com a graça de uma bactéria. Sabonetes e detergentes são armas físicas muito simples contra esses micro-organismos: Basta uma esfregadinha bem dada de sabonete na mão, que boa parte das bactérias ali irá morrer pelo atrito e pela destruição das membranas bacterianas. Então, pra você ficar limpinho, não precisa tomar banho com sabonete bactericida.

Outra coisa: Sabonetes bactericidas que você compra no mercado não contem antibióticos. Como todos sabem, a venda de antibióticos é proibida sem a prescrição médica, e tomar banho de azitromicina daria o mundo dos humanos, de graça, às bactérias, pois todas as linhagens restantes das bichinhas seriam resistentes à droga.

Mais uma coisa que nem todos sabem e deveriam saber: Quando mais inócuo, quando mais estéril, quanto mais limpo o ambiente em que você estiver, menor a sua resistência adquirida ao longo da vida, maiores os riscos de você desenvolver alergias, mais susceptível a doenças fica o seu sistema imunológico.

O que a TV não ensina: Que não é preciso viver em uma bolha para ter higiene ou ser limpinho. Seus avós, bisavós e daí pra trás com certeza não viviam nesse mundo pragmático de esterilidade e sobreviveram muito bem ao mundo “sujo” de hoje em dia.

Logo, você não precisa de sabonete que elimina sua flora normal da pele, nem de antibióticos a cada inflamaçãozinha de garganta. Você só precisa ter bom senso e saber entender que o ser humano, sozinho, não é bosta nenhuma. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por que parei de ver novelas




Há tempos não pego pra seguir uma novela do começo ao fim. Na verdade, raramente uma novela tem conseguido manter minha atenção por mais de uma semana.

Obviamente, falando-se de novelas, falamos aqui de obras “globais”, já que a emissora é a grande produtora do maior passatempo brasileiro. E falando-se em obras globais, caímos nas reticências de serem elas sempre produzidas pelos mesmos autores.

Meu desgosto pelas tramas começa por aí: Pelos autores. Não tenho mais saco para Manoel Carlos porque não suporto mais ver Helenas. Eu sei que ele tem uma tara por Helena e sempre vai fazer uma viver o papel de “mulher politicamente correta que sofre de amor, mas ajuda a todos e morre pelos outros” em cada uma de suas obras, mas é algo que já deu no saco. Depois do triângulo amoroso entre mãe-filha-bonitão em “Laços de Família”, todas as que se seguiram foram adaptações de enredo. Mas não é só de Manoel Carlos que vivem as novelas, e Sílvio de Abreu também participa consideravelmente das obras que rodam na telinha depois do “Boa Noite” do tio Bonner. Embora mais intrigantes e cheias de maquiavelismo, as novelas de Sílvio de Abreu também caíram todas na mesmice de haver sempre um personagem que irá querer se vingar de toda forma de um outro, e você só vai vê-lo sofrer ou morrer no final.

No entanto, se meu desânimo para acompanhar histórias escritas pelos outros se baseasse somente no quesito “os outros – os que escrevem”, eu me sentiria mais motivada a tentar sempre esperar alguma novidade em cada nova obra. Outro grande defeito, além de copiar o enredo e mudar uma migalha, a meu ver, é o autor discorrer a escrita da trama enquanto o público vai apreciando ou não determinados personagens. Isso, para mim, é falta de personalidade do autor, que idealizou um personagem com outro no começo da história, mas inverte o final feliz porque o público se apegou mais ao personagem que roubou a mocinha do mocinho (vide “Caminho das Índias”, em que o bonitão Raje roubou o coração das brasileiras e deu um chega pra lá em Márcio Garcia, que virou o chato da novela), do que ao personagem que, a princípio, seria o principal.

O elenco também exerce um forte fator de agrado nas novelas: Eu não vejo novelas que misturam Marcos Pasquim, Daniele Winits e coisas do gênero. Sempre que esse elenco é selecionado, o humor é pastelão, apelativo e enojativo (o enjoativo saiu digitado errado e o neologismo ficou perfeitamente encaixado).

Errar no nome da novela também tem sido o maior acerto dos escritores brasileiros. Ainda hoje eu me pergunto como uma novela que tinha como objetivo principal (isso, tinha, porque obviamente não deu certo) misturar dinossauros e robôs (!), pode se chamar “Morde e Assopra”. Coisas do gênero como “Cobras e Lagartos” também estão no “Top Five” dos títulos furrecas das novelas – que, convenhamos, sempre saem em primeiro lugar para as das 19h.

Somando essa coletânea de erros, eu decidi que é mais saudável e menos estressante não ver novela. Quando vejo, critico a personagem, a trama, o nome, o enredo, o elenco, o... tudo! Critico porque gosto das histórias que foram planejadas com começo, meio e fim, como num bom livro ou mesmo em um bom filme. Critico porque não gosto do autor dar um tiro inicial e esperar a opinião do público para dar sequência à história.

Eu sinto falta das boas histórias de antigamente que tinham tudo definido antes de começar a transmissão. A desenvoltura da trama poderia ser alongada ou diminuída, mas os fatos já estavam definidos, e os meios sempre levavam ao mesmo fim.

Talvez seja finalmente o fim da era das boas novelas brasileiras. Talvez os escritores estejam precisando somente ser trocados ou atualizados. Talvez seja só isso. Mas eu não continuarei acompanhando para ver quando essa mesmice realmente vai mudar, porque eu acredito que não será tão cedo.

Mocinho mata o vilão, casa e tem um filho com a mocinha e... Fim!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Aprendendo a viver


Um dia, há tempos, fui apresentada a esse poema que dizem ser de Shakespeare. Não sei se realmente o é, mas se for de algum outro autor, isso realmente não importa. O que importam são as mensagens em cada um dos versos.

Eu nunca fui muito fácil de lidar: Embora eu consiga ser comunicativa, eu sou uma pessoa difícil, e erro constantemente... Eu tento aprender com minhas falhas, mas eu sempre ajo de alguma maneira errada. Sempre tento pensar demais em todos os lados da questão, mas nunca acerto nas decisões.

Já sofri muito com isso, já perdi amigos, mas já ganhei outros que levarei comigo para a vida inteira.

Queria compartilhar com vocês esse poema, chamado “Aprendendo a viver”. É uma obra que torna mais fácil você compreender como são as outras pessoas, e como é você mesmo. Essa compreensão me fez entender muito como algumas pessoas pensam. Acredito que por conta dessas palavras, eu aprendi a observar mais o ser humano e ser mais imparcial em minhas decisões.

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa se apoiar, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa que você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-la de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais,
Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la e, que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.
E que os bons amigos foram a família que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que a vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influencia sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou, mas aonde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidades, pois não importa quão frágil seja a situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajuda a se levantar.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você, do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens. Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se elas acreditassem nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te da o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, plante seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe, depois de pensar que não se pode mais.
Aprende que nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.
E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O preconceito está na SUA mente [2]


Dando uma outra vertente ao meu outro texto, “O preconceito está na SUA mente”, venho agora criticar algo que está me remoendo desde o começo dessa semana, quando vi uma reportagem no Estado de São Paulo sobre um tal de “Orgulho Hetero”.

Antes que me atinjam com pedras, deixo claro aqui que não tenho nenhum preconceito contra homossexuais ou pessoas de outra etnia, porque é pequenez demais se importar com a vida dos outros, e é pequenez demais se achar superior a alguém por produzir mais melanina que outra pessoa.

Só trago aqui uma crítica minha a respeito das críticas que todos estão fazendo sobre o tal do “Orgulho Hetero”. Sinceramente, eu não vejo nada demais alguém sentir orgulho do que é: Branco, negro, amarelo, vermelho, rei, capitão, soldado ou ladrão [mocinho bonito do meu coração].

Analisando criticamente essa aversão ao dia do orgulho hetero, posso dizer que hoje em dia qualquer besteira é motivo para o mundo te achar preconceituoso, quando na verdade você só está expressando quem você é. Se opor ao orgulho hetero é ter preconceito contra as pessoas que se sentem orgulho de ser heterossexuais.

Se você se livrar da sua opinião e tentar analisar a questão imparcialmente, vai ver que não há fundamentos em criticarem as pessoas adeptas ao dia do orgulho hetero.

Hoje em dia, se você disser que gosta de ser branco, você é taxado de racista. Se você usar uma camisa escrita “100% branco”, vai preso por racismo explícito – Ridículo; Se você disser que sente orgulho em ser heterossexual, vão te criticar porque só homossexual pode ter orgulho de ser homossexual. Por quê? Ser homossexual é ser diferente do normal, e isso dá direito a se sentir orgulhoso? 

Sinto muito, amigo, eu não trato homossexuais como pessoas diferentes. Para mim, todo mundo é normal, porque cada um escolhe o seu padrão de vida e aquilo é o que lhe faz bem. Agora, se vocês brigam tanto por igualdade e por falta de discriminação, parem para analisar como está ficando doentia essa maneira de achar que vocês são diferentes.

Não adianta brigar por igualdade quando o sentimento de diferença está em você. Se você se acha diferente do resto, não há direitos e leis na constituição brasileira que irão te encaixar na sociedade como apenas “mais um ser humano”.

A partir do momento que vocês se acham no direito de criticar as pessoas que ainda são a maioria [branco, heterossexual, essas coisas] só porque eles também sentem orgulho de ser o que são, vocês perdem toda a razão de brigar por uma causa de igualdade, porque você não quer se sentir normal, você quer ser taxado como diferente, mas não aceita que outros digam isso a você. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Doença Celíaca: Um fantasma em minha vida

Eu não caibo em mim de tanta felicidade!!!


Doença celíaca, por enquanto, eu não tenho. Minha vida será mais feliz.

domingo, 24 de julho de 2011

Black Holes and Revelations



Acho que entendo o porquê de meu hiato literário. Meus textos me deixam extremamente transparentes, e eu tenho só tido vontade de me esconder atrás de uma parede, escondendo-me do mundo.

Há momentos na minha vida que fico assim, reservada, e este é um deles. São momentos em que me resguardo até tomar as decisões corretas, até estabelecer os meus limites e traçar meus novos rumos.

São nesses momentos de dúvidas que permaneço calada, só observando e absorvendo o mundo, não dando a ele nada de mim.

Por hora, se eu escrever um texto, ele dirá mais de mim do que gostaria de revelar – e não me permito dizer muito além do que digo agora.

Essa nova fase de angústia vai passar. Quando ela passar, as palavras fluirão espontaneamente.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Doença Celíaca: Uma Teoria de vida – ou morte.


Desde que voltei a comer glúten para fazer minha biópsia [o fim está próximo!], tenho tido meus sintomas esporádicos como sempre tivera antes: Um dia tenho mais dor, outro menos, e assim levo a vida. No entanto, comecei a analisar como a minha vida é mais feliz e sociável com o glúten. Embora eu já soubesse disso, esses cinco meses de dieta glúten-ON serviram como uma boa experiência para provar minhas teorias.

Sinto-me até meio “herege” admitindo o que vou dizer, porque levantei e ainda levanto a bandeira da “Causa Celíaca”, achando um desaforo as empresas alimentícias não se preocuparem com a informação “Contém Glúten” ou mesmo com a quantificação da bendita proteína em seus alimentos, mas cheguei a um ponto onde fico na dúvida entre abolir completamente o glúten da dieta, ou somente controlar minha alimentação para que a ingestão seja mínima ou controlada.

Meus sintomas [supostamente] celíacos nunca foram muito gritantes, e eu sinto somente um desconforto chato quando como glúten demais [leia-se, atualmente, todo dia]. Se eu for realmente diagnosticada com a doença, sei que, comendo glúten, meus riscos de desenvolver câncer de intestino aumentam, de desenvolver outra doença auto-imune aumentam e de desenvolver anemia e subnutrição também. Mas também sei que se eu ficar atiçando meu sistema imune em intervalos longos de tempo, ele irá se revoltar, produzir anticorpos, ter um início de reação autoimune e depois vai acalmar.

Eu estou tentada a ter essa vida de provocar o sistema imune com vara curta, e quando ele estressar, esperar ele acalmar pra depois poder estressar de novo.

Minha única dúvida, realmente, se eu devo ou não fazer isso, é relacionada à minha religião. Como sou espírita e tenho um básico conhecimento sobre suicídio, fico me perguntando se essa minha conduta consciente seria considerada um suicídio, caso eu desenvolvesse um câncer decorrente da ingestão do glúten.

Minha dúvida não é “eu vou morrer se comer!”. Eu sei que vou morrer, porque sei que o corpo humano não é eterno, mesmo que o homem tente driblar todas as linhas de envelhecimento celular e estrutural, então o fim não é o que me atormenta. Mas eu não queria pagar mais uma das minhas dívidas aqui na Terra por ter cometido um suicídio a longo prazo.

Minha maior infelicidade, mesmo, vai ser se a biópsia vier alterada, e eu tiver que parar – novamente – de comer glúten por um tempo, até minha mucosa se restabelecer; Vai ser eu ter que ficar explicando tudo de novo o porquê de eu ter parado de novo de comer glúten; O porquê de eu não poder comer glúten, nem um pedacinho; Eu ter que comer em casa quando o povo sair; O povo ficar com dó de mim quando fizer planos pra escolher onde ir comer... – Isso sim me da medo. Me da mais medo que a morte.


quinta-feira, 30 de junho de 2011

Saudade


Já era tarde quando o telefone tocou. Ela acordou assustada quando percebeu que aquela música não fazia parte de seu sonho, mas estava, na verdade, esfumaçando as aventuras noturnas que são sonhar.

Tateando o escuro, à procura do barulho que a despertara, ela o encontrou através da luz, que ofuscou totalmente sua visão. Àquela altura, ela não conseguiria ver quem a perturbava em plena madrugada.

Com muito esforço para manter um pequeno nível de consciência, ela silenciou aquele aparelho que berrava aos mundos e respondeu um “alô” afônico e rouco, pensando em quem iria responder do outro lado da linha, o que havia acontecido e o porquê da urgência em plena madrugada.

Aflita, ela aguardou até que a outra pessoa falasse. Os segundos pareceram horas, e a aflição cresceu. Quando ia balbuciar um “alô?!” mais urgente, a outra linha quebrou o silêncio:

- Saudades... - E desligou.

Ela, sentindo o conforto da aflição se tornar ternura, desligou o telefone, sorriu com a lembrança da voz e voltou a sonhar. 


quinta-feira, 26 de maio de 2011

a menina que não sabia enxergar


Ela o idealizava como o príncipe dos seus sonhos, embora ele não fosse príncipe, nem quisesse ser protagonista dos sonhos dela...

Ela se enganava a cada novo dia com as histórias que contava para si mesma, com os diálogos que travava, mentalmente, com ele. Ela se iludia com as risadas que ele dava quando saía com ela, e se negava a acreditar que ela não pertencia àquele papel.

Ele? Ele não sabia que ela enlouquecia por dentro, e que o queria muito mais do que um amigo. Bem, se sabia, fingia que não, e assim continuava a alimentar tristemente a história irreal e virtual daquela pobre moça, que vivia de olhos fechados para a realidade, buscando sempre transformar seus sonhos em um pingo de verdade.

Com os olhos bem fechados, a menina-moça continuou sua trajetória. Aos trancos e barrancos, ela passou por cima de uns, deixou alguns outros para trás, e seguiu um caminho que achava ser o que a levaria direto aos braços dele. Mas a voz dele silenciou-se dentro da mente dela, e tudo ficou muito quieto...

Foi quando ela abriu os olhos e viu que estava perdida e só, no meio de um nada sem ninguém. Foi quando percebeu que passara por cima daqueles que a queriam por perto e a tentaram ajudar, para seguir o caminho que ela jurava ser o seu, mas não era.

Quando ela abriu os olhos, já era tarde demais. Nem ele, nem mais ninguém estava lá. Ela perdera tudo. E todos.


sábado, 14 de maio de 2011

Minha nota sobre "Mamma Mia!"


Ah! Como eu sempre digo: Se eu morasse em São Paulo... Eu seria a pessoa mais FRUSTRADA do mundo – porque tem tanta coisa pra fazer naquela cidade, tanto lugar bom pra comer e tanto evento cultural pra ir, que eu, pobre estagiária, não teria dinheiro para fazer nem 1/8 de tudo o que quisesse.

Uma das coisas que eu faria sempre, se morasse lá, seria ver mais de uma vez o mesmo musical (eu sou louca por musicais, talvez isso explique), porque parece que uma única vez não é o suficiente pra eu conseguir absorver tudo o que a história canta.

Fui ver “Mamma Mia!” e, óbvio, fiquei maravilhada. Primeiro que ouvir e sentir a música de uma orquestra contemporânea é maravilhoso; Segundo que ouvir artistas cantar uma música sem desafinar é mais maravilhoso ainda.

O musical começa com Pati Amoroso cantando “Um sonho meu/I Have a Dream”, e se desenrola em torno de canções eternizadas pelo grupo sueco ABBA, com traduções tão perfeitas, sincrônicas e rimadas que parece que as músicas foram escritas todinhas em português. Aqui deixo meu orgulho a Cláudio Botelho, pela adaptação das letras: Nunca vi um musical com uma versão tão perfeita.

Toda a história se segue, mais humorada e bem melhor cantada que no filme (a qualidade dos cantores é incomparável). No elenco também estão Kiara Sasso, a rainha dos musicais brasileiros (e a minha eterna Christine), Saulo Vasconcellos (cuja voz eu AMO de paixão, mas... ELE NÃO ESTAVA NO DIA EM QUE EU FUI! – Isso me deixou extremamente triste), entre outros renomados artistas que já atuaram em diversos musicais brasileiros.

Bom, apesar de meu cantor de musicais favorito não estar no Mamma Mia! quando fui assistir à peça, venho aqui dizer a todos que o substituto dele, o ator e cantor Leonardo Diniz, foi sensacional. Um ator divertidíssimo com uma voz maravilhosa.

Críticas? Ao musical, não tenho. Senti só uma vontade de ouvir mais forte a música “Por entre os dedos meus/Slipping through my fingers”, cantada por Kiara Sasso, mas o momento da história exigia palavras presas na garganta, para conter o choro de uma mãe que está “perdendo” sua filha para o casamento.

Se pudesse criticar alguma coisa, criticaria o preço dos produtos da lojinha oficial: Uma camiseta custar mais caro do que eu paguei pra ver o musical é um absurdo. Já me disseram que o valor alto se deve aos direitos autorais – o que eu acho ridículo, visto que o produto só é vendido ali. Muitos comprariam uma camiseta de R$ 35,00 ou R$ 40,00, mas... Quem paga R$ 70,00 em uma simples camiseta, minha gente?! – Resultado: Não comprei uma camiseta do musical para mim.

Meus planos agora são voltar ao teatro antes que a temporada termine, pra conseguir ver o musical, de novo, com meu cantor de musicais preferido. Saulo já me fez chorar com o Fantasma da Ópera, já me fez rir com o gato Old Deuteronomy, e... Agora eu preciso ouvi-lo cantando música contemporânea para ele eternizar, para mim, Sam Carmichel.

Quem topa ir comigo? ;)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Simplicidade.




Nostalgia. É como eu definiria meu momento hoje.

Hoje acordei me lembrando da minha infância, mais especificamente da minha avozinha, que não está mais aqui... Minhas memórias mais fortes são da casa dela, e me bateu uma saudade daquele tempo que não volta mais.

Saudades de quando eu pegava o giz de riscar roupa dela, e fazia uma amarelinha no chão;

De quando eu passava a tarde na casa dela desenhando nas agendas e papéis para molde, costurando retalhos de tecidos e folheando revistas de moda;

Dos cafés com leite que eu tomava com bolacha de leite;

Das cocadinhas que só ela soube fazer;

Das bolachinhas de nata que eu comia antes de deixar virar bolachinha;

De quando comia caqui, jaboticaba ou pitanga;

Dos banhos longos de bacia, que para mim eram melhores que banhos de banheira;

De quando meu tio dizia que preferia a cadeira de rodas manual, só pra me deixar ficar dirigindo a elétrica e brincando de estacionamento;

De quando meu avô me colocava na carriola e me levava pra passear com o Bidu, ou quando me deixava ajudar/atrapalhar a montar o presépio de natal;

De quando minha avó me levava pra ver os búfalos num terreno perto da casa dela;

De quando íamos fazer compras no armazém do português...

Saudades da casinha simples e da vida simples e sem luxo nenhum que minha avó tinha... E da época em que aprendi que as melhores coisas da vida são as coisas simples: As comidas sem luxo, os lugares sem nome, as roupas sem marca... Tudo simples, como a vida deveria ser.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A tênue linha entre esquizofrenia e obsessão




Uma das grandes dificuldades minhas, como espírita, é acreditar que tudo o que acontece tem um fundamento espiritual, e não fisiológico. Não é porque virei cientista, que fiquei cética, mas eu sempre optei por deixar as explicações místicas para aquilo que não tinha uma explicação certa.

Todos nós espíritas sabemos que uma pessoa pode ser obsediada por outro espírito, se estiver em uma sintonia mental igual àquele outro, mas até que ponto podemos chamar de obsessão um distúrbio de personalidade, se a medicina mostrar que aquela pessoa tem esquizofrenia?

Eu fico me perguntando se as duas são as mesmas coisas... Se obsessão pode levar a uma alteração nos níveis de dopamina a ponto de causar a esquizofrenia, ou se nem todo esquizofrênico é obsediado.

Já vi uma entrevista com o Divaldo sobre isso, mas ainda assim me pergunto essas coisas. Não duvido do espiritismo, só acho que às vezes damos crédito demais ao misticismo, quando na verdade temos a explicação fisiológica. A minha dúvida é se o misticismo em si pode acarretar essas alterações no organismo.

Eu não duvido de que possam. Mas para mim, ainda é caminhar em ovos quando se fala desse assunto. Com todo esse alvoroço sobre o homem que matou as crianças no Rio de Janeiro, eu sei que muitos centros espíritas vão dizer que ele era obsediado, que os “irmãos” que ele via eram espíritos. E sei também que os psiquiatras do Brasil vão afirmar que o rapaz tinha esquizofrenia paranóide, e seus níveis dopaminérgicos estavam tão alterados, que ele perdeu o controle da própria mente e começou a viver em uma ilusão, sem saber distinguir mais a realidade da fantasia.

Eu não sei pra que lado caio. Fico em cima do muro, acreditando que uma coisa pode levar à outra: Que um desequilíbrio mental pode abrir as portas para um obsessor, e que esse obsessor pode ser responsável pelo resto da loucura (psico e fisiológica), mas que também a loucura pode abrir as portas para o obsessor (primeiro a pessoa desenvolve esquizofrenia, depois abre a mente para “os outros”).

Pode ser que esquizofrenia e obsessão sejam a mesma coisa. Mas por enquanto, eu ainda prefiro acreditar que não.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O preconceito está na SUA mente.


Há muito tempo venho analisando como as pessoas se portam diante de situações ofensivas, porque tudo hoje virou motivo para ser chamado de racismo, preconceito e discriminação.

Todos nós somos hipócritas. Acho engraçado que se um comediante faz uma piada de cunho pejorativo, tirando sarro de homossexuais, caipiras, nordestinos, gringos ou gordos e magros, todos riem e idolatram o cara por ele ser o mestre em piadas preconceituosas. Quem aqui NUNCA riu das piadas de Danilo Gentilli e Rafinha Bastos [ou de qualquer outro comediante de Stand Up show], que se revele. Eu rio de todas.

Agora, se você, um simples cidadão cuja profissão não é fazer os outros rirem às custas da aparência e desgraça dos outros, faz uma piada em relação a qualquer assunto - Time de futebol, religião, opção sexual, ascendência, país ou estado de origem, profissão e por aí vai - pronto! Sempre vai aparecer alguém para apontar o dedo para você e dizer que o seu comentário foi totalmente preconceituoso.

Por mais que as pessoas sejam preconceituosas, o mundo não precisa mais viver dessa pequenez para seguir em frente. Ignorar esses palhaços que tiram sarro de algo que você é se torna a melhor arma para lutar contra qualquer tipo de racismo. Agora, se você dá bola a qualquer picuinha que as pessoas dizem por aí, o preconceito está materializado dentro de você. É você que se sente inferior por ser taxado como algo que dizem que você é, não é a pessoa que te inferioriza quando tira sarro de você.

Seja mais evoluído, tenha mais classe e não desça o nível: Se alguém fizer uma piada pra te ofender, faça dela uma lição moral. Ignore comentários estúpidos. Assim você mostra quão superior uma pessoa pode ser, a ponto de evitar que uma piadinha besta qualquer vire uma bola de neve.

Se você for negro e te chamarem de preto, vai se ofender por que?  Desde quando dois nomes pra uma cor só é ofensa?! Diga que é mesmo e com muito orgulho.

Se você é nordestino e fizerem uma piada contigo, meu filho... A maior podridão do país está em Brasília e no sudeste. Armas para se defender você tem de sobra!

Se você é homossexual e te chamarem de viadinho, sapatão, gay ou qualquer coisa, mostre que suas opções sexuais não impedem que você seja feliz. 

A gente não pode ficar se inferiorizando toda vez que alguém quiser botar a gente pra baixo. Diga não ao SEU preconceito com o preconceito. Nunca as pessoas pensarão da mesma forma, isso é utopia, então aceite os outros com seus erros e pequenezes, e se prove superior.

O preconceito pode existir na mente de quem faz uma ofensa, mas ele só se materializa quando o "alvo" se deixa abater, e ignorar isso tudo é a melhor arma contra o preconceito em si. Não é deixar passar uma ofensa. É não dar crédito a uma pessoa que não o merece.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Decisão


Cansada de tanto esperar que ele a entenderia, pegou sua bolsa e saiu sem rumo. O choro não se refletia em lágrimas, mas dilacerava o coração. Por dentro, ela estava aos berros, gritando em pensamento, como se suas angústias pudessem se materializar com a força das palavras.

Refletiu sobre tudo até então: Lembrou-se de como sempre quis ser tratada, mas como nunca foi. Dos favores que precisava pedir, mas deveriam ser ações espontâneas vindas dele, da falta de atenção, dos poucos presentes... De como tudo havia se transformado em uma mesmice sem fim. O sexo não compensava mais o sofrimento, os beijos mais esfriavam do que aqueciam. As palavras eram ditas da boca para fora.

Foi quando decidiu que ficar só a pouparia de esperar demais e receber de menos. E foi quando percebeu que a vida a dois não era e nem seria boa, porque ninguém nunca a faria feliz do jeito que ela gostaria de ser.

Homens compreensivos e atenciosos não existem fora da TV. E ela se cansara, simplesmente, de achar que sim.



sexta-feira, 18 de março de 2011

Dieta do Glúten - Parte 2: Comendo. E comendo, comendo...


Buenas, navegantes!

Devo admitir que estou relapsa no meu diário de bordo sobre doença celíaca por um único motivo: Achei que os sintomas seriam imediatos, mas não estão sendo. Aliás, com o pouco de coisas que estou sentindo, diria que estou assintomática.

Muitas pessoas me perguntaram o porquê de eu voltar a consumir glúten, sendo que eu estava tão bem, então achei interessante colocar uma explicação aqui no blog.

O verdadeiro motivo que me fez querer fazer a biópsia foi único e simplesmente o social. Eu comecei a me incomodar demais com as pessoas incomodadas com a minha situação. Parece estranho, e pode até ser, mas a minha vontade de comer glúten não foi o principal motivo. No meu último post de 2010, quando dei um “esporro” por causa de uma festa em família, eu percebi que enquanto a minha situação deixava os outros sem graça por pensarem que não tinham se lembrado de mim e feito algo sem glúten, eu me incomodava mais com o incômodo dessas pessoas, do que com a suposta falta de atenção.

Decidi fazer a biópsia porque se eu for só intolerante a glúten, eu poderei comer qualquer coisa em meio social, sem precisar me preocupar com incômodo alheio. Obviamente, eu sei que tenho problemas com o glúten, e isso não significa que uma biópsia negativa vai abrir as portas pra eu voltar a comer pão, pizza, massas, chocolates e tudo o que tem na prateleira do supermercado, mas vai deixar eu me permitir comer uma batata frita em um barzinho, por exemplo, sem peso na consciência de pensar “Será que o óleo era só pra fritar batata frita?” - by the way: NUNCA é.

Por enquanto, já comi de tudo. Essa semana até brinquei que voltar a comer glúten libertou o monstro ogro que existe dentro de mim, porque estou esfomeada e comendo tudo o que é bom e engorda! Até falei, brincando também, que seria melhor meu intestino começar a atrofiar logo pra eu não absorver tudo o que estava comendo, porque certamente estarei com alguns quilinhos a mais na semana que vem.

Sintomas? Ainda são raros. Eu não desenvolvi sinais (dermatite herptiforme) antes, mas tive alguns sintomas clássicos: Prisão de ventre, intestino descontrolado, gases, enxaquecas, dor e distensão abdominal, fraqueza, irritabilidade e falta de ânimo. Não estou com nenhum desses ainda. Algumas vezes sinto meu intestino (pode rir, mas você sente seu intestino em condições normais? Não, né? – Então, eu costumo dizer que quando um órgão dá sinal de vida e você se lembra de que ele está lá, é porque alguma coisa tem. Vide o útero, quando você tem cólicas).

A única – e única coisa mesmo – que me deixou intrigada até agora foi o exame de sangue que eu fiz, antes de voltar a comer glúten. Embora eu tenha dado umas escapadinhas antes de fazer o exame, quando já tinha tomado a decisão de que iria voltar a comer glúten, elas foram raras – mas eu parei de me importar muito com a contaminação cruzada, e acho que isso colaborou. Anyway! O que me deixou intrigada foi uma leve elevação no meu antigliadina IgG – o mesmo e único que fez meu ex-médico supor que eu tinha a doença celíaca, mesmo sem a biópsia. Percentualmente falando (relação entre o meu índice sérico do anticorpo e os valores de referência), quando fiz o exame em 2010, antes do diagnóstico, meu anticorpo estava 5,2% acima do normal. Dessa vez, ele está 26,4%.

Como já disse, a batalha mais difícil de vencer para voltar a comer glúten foi reintroduzir os alimentos na minha casinha. Eu moro sozinha, e só entrava glúten lá em casa quando meus pais iam me visitar – o que é raro. A dor no coração de colocar um pão no meu grill foi imensa, mas minha máquina de pão permanecerá intacta.

Eu voltei a comprar alimentos com glúten, mas farinha de trigo eu me recuso a comprar. Farinha de trigo não entra em casa. Aquele pozinho maldito que impregna em tudo quanto é canto não vai fazer parte do meu estoque. Quando eu precisar utilizar farinha, utilizarei a minha, sem glúten. Estou comendo tanta coisa com glúten, que isso realmente não vai fazer diferença.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Eu estou concorrendo a um Darwin Awards!


Eu sou a rainha dos foras, comprovei. Desde criança, sempre fui a típica pirralha chata e linguaruda que dizia tudo o que pensava e achava. Hoje, quando solto alguma pérola, é na inocência. Alguma coisa está errada e invertida nessa história!

De qualquer forma, meu estágio está rendendo casos. Em alguns, eu sou o alvo do fora, nas outras, sou o TROLL.

PRIMEIRO CASO:
Liguei para um médico, pedindo uma informação que não constava no pedido de exame do paciente. Expliquei a ele o motivo de eu estar ligando, pedi as informações necessárias e completei: “Seria possível o senhor me ajudar?”

Médico: “Não!” 

Típica sensação de tapa na cara. Fiquei sem chão: “... Ah... É... Tud...”

Médico: “Não, o paciente não era...” – E me disse o que eu tinha perguntado.

Desliguei o telefone sem saber o que fazer, até começar a rir sem parar.

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SEGUNDO CASO:
Esse foi com o meu orientador mesmo. Ele é médico, e todos no laboratório o chamam de Dr. Eu não tenho mais essa frescura de “Dr. é quem tem doutorado!”, mas de qualquer forma, ele tem doutorado, então isso não interessa. 

Uma vez a bióloga e a biomédica do laboratório me contaram um “causo” muito engraçado de um funcionário que chamava o Dr. Orientador de “Seu Orientador”, e ele odeia ser chamado de “Seu”.

Numa conversa informal, eu estava contando a meu orientador o caso acima, em que fui trollada pelo médico que me deu um trote e respondeu “não” para a pergunta errada. Rindo do caso, eu viro e solto a pérola: “Olha, é duro, “Seu” Orientador!”. Não sei se meu orientador percebeu, mas as moças do laboratório perceberam. 

FORA DETECTED!

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TERCEIRO CASO:
Foi o pior de todos. Liguei na casa de um paciente de 87 anos, para pedir uma informação. Uma mulher atendeu, e eu expliquei o caso a ela, evitando perguntar se o senhor se encontrava, pelo puro medo do desconforto caso a resposta fosse “Ah, ele já faleceu”.

Eu -"[...] Eu precisaria saber se ele é um paciente fumante..." 

Mulher - "Olha, ele foi..."

*eu na dúvida se ele já havia falecido ou se era ex-fumante*

Eu - "E... desculpa perguntar, mas ele faleceu?"

Mulher - "Não, não, ele é ex-fumante, não faleceu"

Eu "AAh... Ainda não?"

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Er! Sem comentários.
Deem-me meu Darwin Awards!