domingo, 25 de março de 2018

Você já analisou o Efeito Borboleta da sua vida?

Eu já.

Faço isso constantemente, mas ontem me peguei pensando exatamente como cada conexão na minha vida me trouxe aonde eu cheguei. Cada vez que um ciclo se encerra, a gente se pega pensando em como chegamos até ali e por que estamos ali. E dessa vez eu me peguei pensando em todas as conexões que me levaram a se formar acupunturista nesse fim de semana.

Há dois anos uma amiga querida, de Botucatu, me convidou a fazer o curso. Era um momento da minha vida que eu estava em desespero porque não queria mais ficar na área acadêmica e me sentia inútil para o mercado de trabalho. Minhas especializações como biomédica não eram relevantes para as vagas abertas e meu conhecimento laboratorial adquirido no doutorado não valia nada porque não tinha um carimbo na minha carteira de trabalho. Logo, eu me sentia estagnada. Mesmo formada em uma das melhores universidades para o meu curso no Brasil, eu me sentia inútil, com um diploma de que nada me valia e que, talvez, um emprego fora da minha área de trabalho realmente me desse um retorno financeiro consideravelmente maior do que um emprego como biomédica.

Pois bem, vi na Acupuntura a oportunidade de realizar um sonho que adquiri na graduação e uma oportunidade de autonomia e de trabalho que não enxergava com minha atual graduação e pós-graduação. Minha querida amiga, Luciana, me convidou para fazer o curso em Bauru, no CETN. Mas Bauru era muito fora de mão para mim e eu precisaria investir em estadia e pegar estradas mais perigosas todo fim de semana que houvesse curso, então busquei fazer o curso em Campinas. Lá, conheci pessoas maravilhosas. Amigas que levarei para a vida toda. Mestres excepcionais e pessoas com um senso de humanidade e amor incríveis. Pessoas afins, pessoas com os mesmos pensamentos, com quase os mesmos objetivos e que riam das mesmas piadas, das mesmas situações e dos mesmos venenos (hahaha). 

Mas a Lu, a Lu que começou tudo isso e talvez nem saiba, porque não fizemos o curso juntas, eu conheci graças a um estágio que eu fiz durante a graduação. E esse estágio, que poderia ter sido feito na universidade, foi feito em uma empresa porque minha tia conhecia os donos de um laboratório de Patologia em Botucatu e eles abriram as portas para mim. E minha tia conheceu essas pessoas há anos em Seattle, graças às conexões da ciência brasileira.

Eu, ainda, só fui para Botucatu porque entrei no curso de Ciências Biomoleculares e... - meu deus, que inferno na Terra foi estudar física de verdade hahahaha - ... e desisti do curso e optei para cursar biomedicina. Mirei em duas universidades: unesp e unifesp. Mas passei só na unesp e fui. E amei o curso, a cidade e as pessoas que lá conheci.

Porém, se eu não tivesse mirado errado e caído em São Carlos em 2007, eu não teria conhecido meu querido Gui, meu marido e companheiro de vida, porque foi graças aos amigos que fiz em 2007 que eu fui à formatura dos ex-companheiros de turma e reencontrei uma galera, me encantei pelo Gui e fui atrás dele até começarmos a namorar.

E se eu continuar buscando cada ponto de conexão que me levou até onde cheguei hoje, acharei uma rede de amigos extremamente complexa, mas que me coloca no centro de pessoas maravilhosas e queridas.

Você já parou para pensar em como tudo aconteceu na sua vida? Em como cada pessoa, mesmo que a passagem tenha sido rápida ou não aquilo que você gostaria que fosse, ajudou você a chegar onde chegou e conquistar o que conquistou?

Pois pensem. Pois cada pessoa vale a pena. Cada experiência que temos na vida, mesmo que pareça uma decepção, vale a pena. Porque a vida não é só feita de sucessos, e às vezes aquele momento de tristeza ou decepção é justamente o momento que mais te faz crescer e encontrar o caminho para as melhores realizações.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Pesadelo

Hoje eu me peguei andando com a mão na barriga, como se ela ainda estivesse ali. De repente, minha mão escorregou para baixo, porque eu não tenho mais aquele apoio que há seis meses crescia e se mexia quando ouvia música...

Depois me vi andando e percebendo as mamães felizes com seus bebês caminhando pelo supermercado, e lembrei que hoje fez uma semana que eu acordei nesse pesadelo que acabou com todo o meu sonho. Faz uma semana que eu a peguei no colo, já sem reações... E ela era linda. Era perfeitinha. Era tão pequena... Suas mãozinhas arroxeadas já tinham unhas, seu rostinho redondinho já tinha sobrancelhas.

Hoje faz uma semana. Uma semana que meu corpo não aguentou, quase entrou em colapso. Uma semana que eu fui às pressas para a mesa de cirurgia, tremendo - não sei se de medo, de nervoso ou se porque meu corpo estava sucumbindo. Hoje fez uma semana que eu ouvi três engasgadinhas dela enquanto tentavam fazê-la respirar. Depois disso, morfina. Inconsciência.

Hoje faz uma semana que eu acordei pela manhã vendo meu marido e meus pais chegando na UTI, que vi todos chorando e minha mãe dizendo "Helo, a bebezinha se foi". E eu já sabia, porque por mais que o coração dela ainda batesse quando eu a peguei, ela já estava inerte, fria. Ela ainda teve um pequeno espasmo no meu colo enquanto eu me despedia dela, mas a coitadinha era prematura demais e não resistiu ao mundo daqui de fora.

Hoje faz uma semana que estou nesse pesadelo, tentando fazer com que as memórias não me matem de tristeza. 

Minha pequena, que você esteja e fique bem. Nossa história nessa vida foi curta, mas a gente volta a se encontrar um dia para viver uma vida inteira juntas. 

Minha pequena, fique com Deus.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Pós-Graduação: Por trás das cortinas

É difícil explicar o parodoxo de se adorar o que faz e ao mesmo tempo se sentir completamente desanimada a continuar na carreira de cientista... A pós graduação, que deveria incentivar e aguçar o espírito explorador de cada um de nós acaba, depois de um tempo, se tornando um mar de tristezas e decepções. 

A vida é injusta: Vivemos a base de bolsas de estudos. Não temos benefícios algum. Não temos 13º, não temos auxílio saúde, alimentação ou transporte. Mas ok, todos nós embarcamos nessa aventura cientes de que é um período de formação pessoal e que é um perrenguinho para se especializar em uma área que você gosta.

Alguns aprendem a odiar o que fazem. Outros aprendem a gostar ainda mais. Eu estou no grupo que aprendeu a amar o que faz. Mas ao mesmo tempo, me pergunto se é essa a vida que eu quero pra mim... 

Que vida é essa em que você se sente culpado por ficar doente e faltar do trabalho? 

Que vida é essa que você se sente recriminado de querer férias? Que vida é essa que você é recriminado se quiser 7, quem dirá 15 dias de férias?

Que vida é essa que você se sente culpado por seus experimentos darem errado porque simplesmente não dão certo e isso está além do seu controle? 

Que vida é essa que você nunca tem uma recompensa por todo o esforço que faz? E por recompensa, eu me refiro à recompensa moral mesmo, como um simples "Nossa! Que ótimo! Parabéns" ou um "Que legal! Muito bom!!".

Depois de um tempo na pós graduação, você começa a pensar que assinou um contrato em que só você sai perdendo. Sua única vantagem é poder controlar a hora que você entra e sai do trabalho, mas sempre se depara com alguém controlando seu horário por você e pouco se importando com os períodos noturnos que você passou  - sozinho - no laboratório, quebrando a cabeça e coletando dados. Fora isso, qual a vantagem? Publicar artigo, se publicar? E se publicar, receber isso mais como uma obrigação do que um sucesso?

Não. Amor não é o suficiente para mim. Talvez seja para alguns mais apaixonados, mas eu acho que me amo um pouquinho mais...

Infelizmente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Porque eu não me chamo de feminista:



Minhas linhas do tempo das redes sociais tem pipocado textos sobre feminismo x machismo de uma forma além do normal. Li praticamente todos, e achei interessante mostrar o ponto de vista de uma mulher que não se sente inferiorizada na sociedade devido ao "machismo nosso de cada dia". Vou ressaltar que minhas opiniões são somente minhas, e que não discordo dos grandes textos que tem sido publicados, tentando explicar os sentimentos de uma mulher para homens, chamando o machismo de dor desconhecida. Não discordo - os problemas são reais, mas não me sinto representada por essa imagem de mulher reprimida e oprimida que criaram da mulher moderna.

Nunca em minha vida meus pais ou minha família me repreenderam quando eu quis brincar com os brinquedos do meu irmão. Eu amava minhas bonecas, e (coitada) brincava de professorinha, e não só de casinha. Quando eu brincava de casinha, era porque eu podia fazer sujeira e comidinhas de terra. Nunca enxerguei isso como obrigação da sociedade em eu ter que brincar de casinha para virar uma boa dona de casa. Eu gostava de cozinhar terra e hoje gosto de cozinhar tudo - e não enxergo isso como uma obrigação. É um prazer meu.

Brinquei muito com os carrinhos e com o lego do meu irmão. Chutei bola e era a goleira dele (porque irmão mais novo sempre se ferra - e não, eu não era goleira porque era mulher. Acho que era onde meu irmão podia me colocar pra eu não ficar enchendo o saco dele enquanto ele chutava bola). Brinquei muito de ping-pong com ele. Joguei futebol de mesa (aqueles que as pernas dos bonequinhos eram alavancas pra chutar a bola), corri, caí, me sujei muito e quebrei e me ensanguentei, como um menino, durante a minha infância. Meus pais? Nunca me reprimiram por eu ter um lado moleque. Nunca.

Quando cresci, nunca fui reprimida em casa por usar roupas curtas. Nunca deixei de usar alcinhas e shortinhos. E se mexiam comigo na rua, eu sempre tinha uma boa resposta. Fui mal-criada às vezes, respondona sempre e nunca deixei que me inferiorizassem por qualquer motivo que fosse.

Nunca fui pressionada na minha vida para casar virgem. Quando era pré-adolescente ainda e comecei a ter conversas sobre sexo com a minha mãe, lembro de um dia ela me dizer que virgindade era a coisa mais idiota que existia. Quando eu ainda era pirralha e tapada da vida, e comentei que queria casar virgem (hahahaha), ela me disse que não fizesse isso, porque sexo não era nada demais e perder a porcaria de um hímen não ia mudar nada na minha personalidade. Realmente, não mudou.

Quando comecei a estagiar, nunca fui inferiorizada por ser mulher. Nunca duvidaram da minha capacidade porque eu era mulher. Ainda sou pesquisadora, e as agências de fomento não fazem distinção de sexo para conceder bolsa de pesquisa. Eu ganho o mesmo que qualquer doutorando financiado pela mesma agência que eu ganha. Meu projeto de pesquisa não foi aceito porque eu sou homem ou mulher, meu histórico escolar não teve influência disso também. 

Não vivo em função da beleza. Se quero fazer as unhas, faço. Se não quero, não faço. "Mulher tem que sempre andar impecável e de unha feita". Ok, então me classifique como homem - eu não ligo, mas faço as unhas quando der e quiser. Depilo a perna porque gosto, mas se não der, danem-se os outros. "Olha, vão falar". Que falem. Ninguém limpa a minha casa ou me ajuda com minhas coisas para saber como eu manejo meu tempo. 

Se quero andar pelada em casa, ando. Se quero andar de calcinha, sem blusa ou sem shorts, ando. Na rua não saio porque não me sinto bem. Aqui eu perco os argumentos pras feministas porque homem pode sair sem camisa de casa e ninguém falar nada, mas mulher não pode sair sem calça ou blusa. Ok, minha opção pessoal é de sempre estar vestida quando vou trombar com outras pessoas. Da mesma forma que acho "anti-ético" (mais uma vez lembrando = minha opinião) homem andar sem camisa pelas ruas, acho o mesmo de mulheres. Praias são exceções.

"Homem não sofre com preconceito". Não? Experimenta ser homem e homossexual pra você ver. Não são só os homens que vão falar. São as mulheres também. Se é cheiroso demais, é porque é cheiroso demais. Se é afeminado demais, é porque é mais mulher que muita mulher. Se depila a perna, então.... "NOOOOOOOSSAAA, que absurdo, é gay!". E se vier com "mas gay não é homem", já é outro preconceito, então, reflita sobre os seus conceitos.

Sei que por pensar assim eu já fui apedrejada por uma feminazi, que me enquadrou automaticamente como uma "mulher machista". Uma pessoa que nunca conviveu comigo, não sabe nada sobre mim, minha vida, minha infância, minha felicidade de ser mulher e não se sentir inferiorizada no mundo porque um pedreiro assobia quando passo do lado de uma obra ou porque me chamam de puta quando digo que transei e não sou casada ainda vem me classificar como machista porque eu não levanto bandeira de movimento feminista. Ok. Ignorei e continuei a ser feliz.

Sei simplesmente que não me senti - nunca - inferiorizada como mulher na sociedade. E ainda não me sinto. Obviamente eu vou trombar com muitos empecilhos pelo mundo, porque tenho menos de 30 anos, mas até hoje eu nunca me comparei a um homem a ponto de achar que ele tinha mais valor que eu para o mundo. Talvez eu seja simplesmente assim e não ligue pra essas coisas pequenas que vão ficar na terra quando minha energia vital acabar. Eu sei quem eu sou, eu sei do que sou capaz e sei que não vou me sentir tão insignificante quando trombar direto com o tal do preconceito. Mas essa sou eu. E eu enxergo o mundo ao meu redor assim. 

Sei que a realidade no mundo todo não é como a minha - antes que me apedrejem e me chamem de filhinha de papai de classe média. Mas, como eu disse, essa é a minha experiência de vida até hoje, e achei interessante compartilhar pra mostrar que nossa sociedade brasileira não é tão arcaica e ridícula quanto tem sido descrita continuamente. Existem muitos conceitos machistas em tudo o que fazemos, mas eu não me deixo afetar por uma coisa tão pequena. É a minha forma de não gerar diferenças entre os sexos.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Discussão - Experimentação

"Ué, mas você toma remédio para dor de cabeça, para dor de garganta, toma antibióticos, passa pomada, gelol, cataflan. Seu pai vive porque toma remédio para controlar a pressão. Sua mãe, porque controla o colesterol à base de medicamentos, e você é contra a experimentação animal?"

"Sim. Há alternativas. Sou contra qualquer tipo de experimentação"

"Há alternativas para simular um sistema cardiovascular? Por favor, me diga qual"

"Ah... Não sei. Não estudei pra isso, mas sei que existe."

"Você entende a complexidade fisiológica que é a homeostase do sistema cardiovascular? Entende tudo, desde os hormônios que atuam, até todos os distintos tipos celulares que compõem todo o sistema circulatório e cardíaco que poderiam interferir em um tratamento?"

"O quê? Eu já disse que não estudei para isso."

"Então como você afirma que as supostas alternativas são eficazes?"

"Ah... Eu não afirmo, mas devem ser, né? O homem já deve ter descoberto como simular o corpo humano, só não usam esse simulador porque matar animal é mais barato"

"O que você entende sobre variabilidade genética?"

"Sobre o quê?"

"Variabilidade genética. Aquela "coisa" de existirem variações no genoma que fazem com que um organismo não se comporte necessariamente igual ao outro"

"Ah... Nada. Não estudei pra isso. Sou contra a experimentação e acho desnecessário." 

"E você não se medica? Acha que tudo o que você já consumiu em farmácias e todas as vacinas que você tomou foram descobertos como? E produzidos?" 

"O homem já não precisa mais disso tudo. Olha onde já chegamos, tudo o que sabemos. Não precisa mais de animais."

"Então quer dizer que só porque você não tem doença de Chagas, leishmaniose, esquistossomose, HIV, ou qualquer doença autoimune, você não precisa de novos medicamentos, mas quem precisa e vive na esperança de um dia se livrar do lupus, da aids pode morrer sofrendo, porque você não tem essas doenças e não quer mais experimentação animal, é isso?" 

"Não foi isso que eu quis dizer. Os animais não precisam sofrer para o homem viver."

"Foi isso sim. Inconscientemente, pra você, não importa se outra pessoa tem alguma doença que você não tem, porque é isso que a ciência quer curar e você é contra"

"Eu não sou contra a cura. Eu sou contra o uso de animais para experimentação!" 

"E como você acha que descobrem a cura de doenças? Jogando o remédio no bicho, in vitro, e vendo se ele morre?"

"Mais ou menos isso"

"Sério. Vá estudar fisiologia e farmacologia para entender mais"

"Só porque eu sou contra uma causa, eu não preciso estudar para defender meus ideais"

"Sinto muito, amigo, mas você precisa sim. Se você quer defender uma causa com dignidade, você precisa argumentar com propriedade e saber o que defende. E você não sabe nada de farmacologia e fisiologia. Você acha que quando toma paracetamol, o remédio sai passeando pela sua corrente sanguínea e sabe onde tem que parar para eliminar a dor, e só age ali e nada mais. Sua concepção de biologia é infantil"

"Eu não sei como ele age, mas sei que o homem saberia descobrir sem usar animais. Por que não usar humanos, então? Por que esse especismo? Por que só animais precisam morrer?"

"Ok, então que você acha de começar a produzir filhos a partir de agora e doá-los todos a labroatórios de pesquisa para fazermos os testes? E que tal se voluntariar a ser infectado com HIV para testarmos um novo coquetel de antiviral que promete eliminar o vírus, mas pode ser que te mate intoxicado?" 

"Mas você pode fazer o teste em quem tem HIV, não precisa me infectar pra isso."

"Quer dizer que quem tem HIV merece correr o risco de morrer para o teste do remédio, só porque ele já tem o vírus, é isso?" 

"Não. Mas ele vai morrer de qualquer jeito se não testar, então..." 

"Então a vida de um humano vale menos que a de um animal para você. E se esse humano fosse seu pai? Ou se fosse você?"

"Eu com certeza me candidataria ao teste"

"Claro, mas só se estivesse infectado"

"Sim, para que eu me infectaria com uma doença que não tem cura e poderia me matar?"

"Para salvar outras vidas! É isso que os cientistas fazem todos os dias quando experimentam em animais! A ciência não pode depender de encontrar voluntários a morrerem por uma causa para salvarem outros na mesma condição. Não são todos que pensam como você, que defendem os mesmos ideais que você. Uma mãe chora e prefere ver um cãozinho sacrificado para salvar o filho que tem câncer, a vê-lo morrer caquético em uma cama de hospital."

"Não importa. Eu sou contra."

"É... Não importa. Realmente você não se importa."