sexta-feira, 6 de abril de 2012

Jesuses



Hoje, sexta-feira santa, é o dia em que muitos relembram o sofrimento de Jesus, um homem que foi crucificado e cuja história e bondade são a base de muitas religiões. Mesmo tudo tendo acontecido há mais de 2000 anos, sua morte ainda é lembrada por muitos nesse dia, sendo motivo de luto para os devotos.

Não duvido que Jesus, como homem, tenha sido um marco na história mundial. Sua saga de sofrimentos, injustiças e caridade foi escrita por alguns, editada por muitos e comerciada por muitos – muitos! – ao longo da história.

O mundo continuaria vivendo sem Jesus. O homem continuaria existindo. Talvez já estivesse explodido o mundo sem seus ensinamentos, ou talvez não. Não da para saber quantas decisões seriam diferentes na história se as pessoas não agissem acreditando em fé e em religião.

No entanto, penso que mesmo se a vida de Jesus não tivesse sido utilizada pela igreja como uma forma de atrair devotos, mesmo assim ele teria conseguido seu lugar na história da humanidade: Quando a sociedade “pensante” (entendamos aqui como pensantes aqueles que escreveram a história) está restrita a uma população pequena e uma região delimitada, fica mais fácil encontrar aqueles que se destacam.

Hoje em dia, se destacar entre 6 (ou 7?) bilhões de pessoas no mundo é uma tarefa árdua, ainda mais quando a sociedade prioriza conhecimentos mundanos e nefastos como aqueles que merecem destaque. Há e houve por aí muitos homens e mulheres que fizeram o bem e viveram para o bem. Carregaram cruzes físicas ou não, foram recriminados socialmente, apontados e apedrejados, mas continuaram sempre vivendo para o bem. Hoje, chamaríamos estas pessoas de “tontas dos outros”. Há dois mil anos, chamaram-na de Jesus.

No mundo há muitos Josés, Marias e Jesuses. Há aqueles que se abdicaram da matéria para viver para o bem, mas não notamos mais. Se alguém hoje se aclamasse Jesus, ninguém acreditaria. O chamariam de louco, infame e o veriam como um aproveitador de situações, mas há, por aí, inúmeros espíritos bons que tentam fazer o diferencial onde vivem – só que suas histórias não são vendidas como dignas de se seguir ideologicamente.

Há crenças de que Jesus veio a Terra para tentar colocar ordem no caos que se instalava aqui. Digo que ele – em longo prazo – então falhou. Não posso dizer em curto prazo, porque se vivi há dois mil anos, não me lembro mais, mas analisando o que é a sociedade hoje em dia, digo de que nada valeu o sofrimento daquele coitado (e de muitos outros que passaram pelas mesmas desgraças que ele naquela época, lembremo-nos) em tentar controlar o homem e seu egoísmo.

Ainda continuamos matando, traindo, somos ambiciosos e avarentos. Roubamos, somos tiranos e mundanos. Somos materialistas, somos egoístas. Somos exatamente como era o homem “primitivo” de 2000 anos atrás. Somos animalescos, grotescos e cruéis.

Cultuamos a morte de um ícone da bondade humana que não descansa em paz desde que morreu, porque todo ano sua alma é velada pelo mundo todo. E de nada adianta, porque no fundo a sociedade continua corrupta e contaminada com o desejo de querer sempre mais e a vontade de cada vez mais se importar menos com os outros.

Um comentário:

  1. Boa, Helô.

    Gosto de pensar assim também, sabia? Não acredito na Bíblia, ou em Deus, ou na igreja. Mas não duvido que Jesus tenha existido e que tenha sido um grande cara na época, como foi Ghandi, Da Vinci, e outros grandes seres humanos. O problema, me parece, é que ele foi usado como homem-propaganda de um método de coerção do povo, que é a religião.

    Nessa ideia de espalhar as ideias do homem, alguém pensou que isso seria ótimo para amordaçar as pessoas. E foi o que aconteceu.

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