segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sou água


Às vezes eu paro pra pensar se existe um "tempo perdido" no meu tempo vivido...
Não sei.
É tão relativo essa de "perder tempo"...

E eu paro pra comparar as situações que já vivi, e as decepções que já sofri, e todas as vezes que ri, sorri, me diverti... E há sempre um balanço nesse mar da vida.
É uma onda que vem e te traz alegria extrema, inunda a praia, refresca a areia... E eu sou a praia, eu sou a areia... E eu respiro aquele ar de novas e surpresas...
É uma onde que vem, e leva tudo embora. É um mar em ressaca, furioso, desgostoso da vida... A areia afoga, as plantas afogam, os olhos choram... E eu sou a areia, eu sou as plantas, e eu sou os olhos...
E é uma marola, que vem, conforta, esquenta, refresca, embala, dança... E eu sou a água flutuante desta dança das águas.
E assim se faz o balanço. E também o equilíbrio. Ondas vêm e vão, e vão e são como o tempo. E eu sou o tempo.
E essa sensação de ser mutável, frágil, versátil... Nem sempre me anima. Nem sempre quero mudanças. Nem sempre mudanças acontecem quando eu quero...

E eu era assim, inconstante, todos os dias. Insegura, incerta, às vezes má, às vezes boa, às vezes insossa...
Perdi o gosto pelo molejo das águas. Não quero mais ser mar.

Hoje, decidi que sou chuva, e não mar.
Troquei a horizontal pela vertical.
Deixei o sal, juntei-me ao ácido dos ares...
Vejo mudanças? Sim. Agora eu caio. E subo lentamente. E despenco de novo. E subo...

Penso em amanhã não ser mais chuva. Queria ser rio.
Queria correr abertamente pelo leito.
Queria farfalhar as árvores, rebater em pedras, levar embora comigo tudo que cruzasse meu caminho, para pelo menos assim, não ter de esperar um ciclo novo se completar, para eu voltar para uma imensidão azul; ou esperar, pacientemente, cair dos céus para aguar o mundo...
Eu queria ser um rio.
Queria ser um rio até ele encontrar o mar... Depois que eu encontrasse o mar, já teria ao meu lado tudo que trouxe em meu caminho esguio...
Ah! Como eu queria...

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