quarta-feira, 27 de abril de 2011

Simplicidade.




Nostalgia. É como eu definiria meu momento hoje.

Hoje acordei me lembrando da minha infância, mais especificamente da minha avozinha, que não está mais aqui... Minhas memórias mais fortes são da casa dela, e me bateu uma saudade daquele tempo que não volta mais.

Saudades de quando eu pegava o giz de riscar roupa dela, e fazia uma amarelinha no chão;

De quando eu passava a tarde na casa dela desenhando nas agendas e papéis para molde, costurando retalhos de tecidos e folheando revistas de moda;

Dos cafés com leite que eu tomava com bolacha de leite;

Das cocadinhas que só ela soube fazer;

Das bolachinhas de nata que eu comia antes de deixar virar bolachinha;

De quando comia caqui, jaboticaba ou pitanga;

Dos banhos longos de bacia, que para mim eram melhores que banhos de banheira;

De quando meu tio dizia que preferia a cadeira de rodas manual, só pra me deixar ficar dirigindo a elétrica e brincando de estacionamento;

De quando meu avô me colocava na carriola e me levava pra passear com o Bidu, ou quando me deixava ajudar/atrapalhar a montar o presépio de natal;

De quando minha avó me levava pra ver os búfalos num terreno perto da casa dela;

De quando íamos fazer compras no armazém do português...

Saudades da casinha simples e da vida simples e sem luxo nenhum que minha avó tinha... E da época em que aprendi que as melhores coisas da vida são as coisas simples: As comidas sem luxo, os lugares sem nome, as roupas sem marca... Tudo simples, como a vida deveria ser.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A tênue linha entre esquizofrenia e obsessão




Uma das grandes dificuldades minhas, como espírita, é acreditar que tudo o que acontece tem um fundamento espiritual, e não fisiológico. Não é porque virei cientista, que fiquei cética, mas eu sempre optei por deixar as explicações místicas para aquilo que não tinha uma explicação certa.

Todos nós espíritas sabemos que uma pessoa pode ser obsediada por outro espírito, se estiver em uma sintonia mental igual àquele outro, mas até que ponto podemos chamar de obsessão um distúrbio de personalidade, se a medicina mostrar que aquela pessoa tem esquizofrenia?

Eu fico me perguntando se as duas são as mesmas coisas... Se obsessão pode levar a uma alteração nos níveis de dopamina a ponto de causar a esquizofrenia, ou se nem todo esquizofrênico é obsediado.

Já vi uma entrevista com o Divaldo sobre isso, mas ainda assim me pergunto essas coisas. Não duvido do espiritismo, só acho que às vezes damos crédito demais ao misticismo, quando na verdade temos a explicação fisiológica. A minha dúvida é se o misticismo em si pode acarretar essas alterações no organismo.

Eu não duvido de que possam. Mas para mim, ainda é caminhar em ovos quando se fala desse assunto. Com todo esse alvoroço sobre o homem que matou as crianças no Rio de Janeiro, eu sei que muitos centros espíritas vão dizer que ele era obsediado, que os “irmãos” que ele via eram espíritos. E sei também que os psiquiatras do Brasil vão afirmar que o rapaz tinha esquizofrenia paranóide, e seus níveis dopaminérgicos estavam tão alterados, que ele perdeu o controle da própria mente e começou a viver em uma ilusão, sem saber distinguir mais a realidade da fantasia.

Eu não sei pra que lado caio. Fico em cima do muro, acreditando que uma coisa pode levar à outra: Que um desequilíbrio mental pode abrir as portas para um obsessor, e que esse obsessor pode ser responsável pelo resto da loucura (psico e fisiológica), mas que também a loucura pode abrir as portas para o obsessor (primeiro a pessoa desenvolve esquizofrenia, depois abre a mente para “os outros”).

Pode ser que esquizofrenia e obsessão sejam a mesma coisa. Mas por enquanto, eu ainda prefiro acreditar que não.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O preconceito está na SUA mente.


Há muito tempo venho analisando como as pessoas se portam diante de situações ofensivas, porque tudo hoje virou motivo para ser chamado de racismo, preconceito e discriminação.

Todos nós somos hipócritas. Acho engraçado que se um comediante faz uma piada de cunho pejorativo, tirando sarro de homossexuais, caipiras, nordestinos, gringos ou gordos e magros, todos riem e idolatram o cara por ele ser o mestre em piadas preconceituosas. Quem aqui NUNCA riu das piadas de Danilo Gentilli e Rafinha Bastos [ou de qualquer outro comediante de Stand Up show], que se revele. Eu rio de todas.

Agora, se você, um simples cidadão cuja profissão não é fazer os outros rirem às custas da aparência e desgraça dos outros, faz uma piada em relação a qualquer assunto - Time de futebol, religião, opção sexual, ascendência, país ou estado de origem, profissão e por aí vai - pronto! Sempre vai aparecer alguém para apontar o dedo para você e dizer que o seu comentário foi totalmente preconceituoso.

Por mais que as pessoas sejam preconceituosas, o mundo não precisa mais viver dessa pequenez para seguir em frente. Ignorar esses palhaços que tiram sarro de algo que você é se torna a melhor arma para lutar contra qualquer tipo de racismo. Agora, se você dá bola a qualquer picuinha que as pessoas dizem por aí, o preconceito está materializado dentro de você. É você que se sente inferior por ser taxado como algo que dizem que você é, não é a pessoa que te inferioriza quando tira sarro de você.

Seja mais evoluído, tenha mais classe e não desça o nível: Se alguém fizer uma piada pra te ofender, faça dela uma lição moral. Ignore comentários estúpidos. Assim você mostra quão superior uma pessoa pode ser, a ponto de evitar que uma piadinha besta qualquer vire uma bola de neve.

Se você for negro e te chamarem de preto, vai se ofender por que?  Desde quando dois nomes pra uma cor só é ofensa?! Diga que é mesmo e com muito orgulho.

Se você é nordestino e fizerem uma piada contigo, meu filho... A maior podridão do país está em Brasília e no sudeste. Armas para se defender você tem de sobra!

Se você é homossexual e te chamarem de viadinho, sapatão, gay ou qualquer coisa, mostre que suas opções sexuais não impedem que você seja feliz. 

A gente não pode ficar se inferiorizando toda vez que alguém quiser botar a gente pra baixo. Diga não ao SEU preconceito com o preconceito. Nunca as pessoas pensarão da mesma forma, isso é utopia, então aceite os outros com seus erros e pequenezes, e se prove superior.

O preconceito pode existir na mente de quem faz uma ofensa, mas ele só se materializa quando o "alvo" se deixa abater, e ignorar isso tudo é a melhor arma contra o preconceito em si. Não é deixar passar uma ofensa. É não dar crédito a uma pessoa que não o merece.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Decisão


Cansada de tanto esperar que ele a entenderia, pegou sua bolsa e saiu sem rumo. O choro não se refletia em lágrimas, mas dilacerava o coração. Por dentro, ela estava aos berros, gritando em pensamento, como se suas angústias pudessem se materializar com a força das palavras.

Refletiu sobre tudo até então: Lembrou-se de como sempre quis ser tratada, mas como nunca foi. Dos favores que precisava pedir, mas deveriam ser ações espontâneas vindas dele, da falta de atenção, dos poucos presentes... De como tudo havia se transformado em uma mesmice sem fim. O sexo não compensava mais o sofrimento, os beijos mais esfriavam do que aqueciam. As palavras eram ditas da boca para fora.

Foi quando decidiu que ficar só a pouparia de esperar demais e receber de menos. E foi quando percebeu que a vida a dois não era e nem seria boa, porque ninguém nunca a faria feliz do jeito que ela gostaria de ser.

Homens compreensivos e atenciosos não existem fora da TV. E ela se cansara, simplesmente, de achar que sim.