quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Gripe etílica, neurose suína



Alguém já parou para pensar como esse novo vírus, que nem é tudo aquilo que todos esperavam que fosse, foi capaz de incorporar as normas básicas de higiene na população?

Essa onde de globalização da doença está transformando a população em um bando de loucos por esterilização: A mídia manipula as informações que divulga, e o povo simplesmente se apavora.

Essa onda de limpeza, pra mim, começou quando aquele infeliz difamador da classe dos biomédicos – o tal do “Dr. Bactéria” – começou a divulgar no fantástico que nem tudo é tão “limpinho” quanto parece. Começou a dizer que não pode lavar alface e guardá-la lavada, que tábua de carne e “mexedores” de madeira são um mundo de fungos e bactérias... E o povo começou a se desesperar, com medo da ameaça invisível e microscópica dos “germes”.

O problema é que ninguém nunca parou para pensar em como isso SEMPRE esteve presente em nosso mundo e raramente nos afetou. Tudo bem, uma infecçãozinha gástrica ou uma virose de vez em quando são comuns, afinal de contas, é pra isso que existe nosso sistema imunológico, mas fazer desses seres microscópicos os vilões da história que exterminarão o mundo é sensacionalismo demais.

Todo mundo esquece de lembrar que graças a bactérias e fungos – sim, ou você achava que “flora intestinal” era uma área verde de preservação máxima em seu intestino? – são essenciais para conseguirmos alguns nutrientes e sobrevivermos. Todos se esquecem de que há bactérias em nossas mucosas, em nossa pele, em nossa boca, na maçaneta da porta, no corrimão da escada, no ovo que saiu do ...*tuu*... da galinha, no plástico que está na boca do danone que vc bebe na própria embalagem, no guardanapo de papel, que está no restaurante, e que um monte de gente já roçou a mão... Eles estão em TODOS OS LUGARES.

Agora, com essa gripe nova por aí, parece que a mídia prega que a solução para todos os problemas é esterilizar. Taca álcool, bota fogo, autoclava, lava com “Cândida”. O mundo é sujo, é nojento, todo mundo espirra, tem vapor contaminado em todos os lugares. Use máscara, não toque, não rele!

Chega agora ao mundo a onda da higiene. Não vou criticar a higiene, óbvio – são procedimentos básicos que todo mundo deveria seguir sempre, e agora só está aplicando no dia-a-dia porque tem medo de morrer por um vírus que nem mata todo mundo.

Cadê o medo do HIV? Cadê o medo da meningite? Do sarampo? Da varicela? Da hepatite? Do HPV? Da sífilis? Da tuberculose? Da dengue? Da malária? Da doença de Chagas?

Alguém já parou de viver essa paranóia de H1N1 e analisou que morre mais gente das doenças que já conhecemos e sabemos como evitar (e não evitamos, veja bem!)? Alguém já parou pra pensar que usar camisinha preserva mais sua vida do que lavar a mãozinha com um álcool que SÓ PROTEGE se tiver teor de 70% (sim, povo, não adianta comprar álcool em gel cheiroso ou aqueles da marca “Veja”, porque o teor não chega nem a 50%), e olha lá? Alguém já viu as estatísticas pelo lado inverso? – Morreram 200 de gripe suína, mas 160 mil sobreviveram?

Chega dessa neurose de mundo estéril, pessoas. Parem de criar essa ilusão de que os “germes” são nossos inimigos. Por que todo mundo se esquece de que a mídia é sensacionalista? Procurem se informar de verdade. Ser saudável não é viver numa bolha, é simplesmente saber selecionar em que acreditar e como prevenir. Não é preciso ser radical.

3 comentários:

  1. Helôoo, vou encaminhar seu blog pros meus pais, pode? XD

    *atchim!*

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  2. Na faculdade os professores estão dando aulas com as portas das salas abertas. Isso significa que não tem como ter aula nos primeiros 20 minutos nem nos últimos 30, por causa do barulho do lado de fora.
    O álcool em gel está por toda parte. Mas os banheiros continuam com a mesma movimentação. Pra mim essa história toda é modinha. Estou satisfeito com meus hábitos de higiene de sempre.

    Beijo, lô
    =*

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  3. A única coisa que me irrita é o conceito de higiene das pessoas. Passou álcool, tá limpo. Oi?

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